segunda-feira, 7 de outubro de 2019

O CRUZEIRO DAS ALMAS...


O CRUZEIRO DAS ALMAS é um ponto de referência nos cemitérios para que velas sejam acesas em lembrança e homenagem às pessoas que ali foram enterradas. Os devotos desejam luz às almas e que elas sejam levadas a Deus. Os pretos velhos que atuam neste campo de força são enviados divinos. Já venceram a escravidão da consciência aos sentidos do corpo físico. São espíritos que interiorizam com galhardia o “amar ao próximo como a ti mesmo”. Venceram as barreiras do egoísmo em condições dificílimas na carne. São voltados para a coletividade e não têm qualquer interesse pessoal em suas existências, a não ser servir a Deus e a toda as criaturas.

In Umbanda Pé no Chão
Ramatís - Norberto Peixoto.

terça-feira, 10 de setembro de 2019

O MEDIUNISMO UMBANDISTA "SOFRERÁ" PROFUNDO IMPACTO.


Mensagem de Pai Tomé

A FASE DA MEDIUNIDADE SUPRACONSCIENTE

       Os estados mentais do homem, similarmente ao fogo que esquenta o ar e faz o balão subir, tendem às alturas da percepção extrafísica. As sucessivas encarnações são como achas de lenha colocadas na fogueira imposta aos corpos físicos em uma vida material: frágil, transitória e impermanente. O atrito da consciência com o ego “esquenta” o duelo entre o infinito e o finito, o espírito imortal e mortalidade corpórea.
     O deslocamento da percepção mental para além das muralhas físicas é o balão que sobe para dentro do ser, para as alturas do permanente estado mental de autorrealização que é a essência do espírito reverberando no ser. O ar quente de cada expiração encerra na Terra uma combustão que transforma a consciência, rumo à religação com Deus.
Inevitavelmente, a mediunidade consciente da era atual dará passagem à mediunidade supra consciente no início do Terceiro Milênio. A expansão da consciência que extravasa os estreitos limites dos sentidos ordinários rompe a barreira da ignorância de quem realmente os homens são - assim como o condutor de um balão enxerga panoramicamente além do limite dos muros do castelo que o aprisionava.
      O castelo do ego encarcera o ser nos desejos de ter bens e possuir a satisfação de seus sentidos. Promete e dá riquezas, mas constrói barreiras à plenitude da visão espiritual. Os “olhos” hipnotizados nas coisas do mundo são fuligem no candeeiro do espírito – disse Jesus: “a candeia do corpo são os olhos; de sorte que, se os teus olhos forem bons, todo o teu corpo terá luz; se, porém, os teus olhos forem maus, o teu corpo será tenebroso”.
      O mediunismo umbandista “sofrerá” profundo impacto. A Umbanda pelo seu universalismo, que lhe dá flexibilidade, fará com que de fato se perceba a unidade na diversidade: a Luz de um só Deus que contrasta entre sombras e trevas da existência terrena. O Supremo tem muitos nomes e formas simbólicas. Todavia, a luz que ilumina este diversificado mosaico é uma só. As religiões se expressaram na Terra de acordo com os ciclos de tempo necessários à compreensão das massas humanas, em locais diferentes da geografia planetária.
     A primeira fase da Umbanda exaltou as manifestações espontâneas inconscientes, fenomenais, de muitas curas físicas. Chamou-se a atenção com as trombetas, escudos e espadas de Ogum, abrindo-se o caminho e ceifando-se a incredulidade vigente.
     A segunda fase da Umbanda foi de expansão, com médiuns manifestados de caboclo e pai velho aqui e acolá, neste imenso Brasil, nos mais variados rincões, cozinhas e garagens. Não foi unicamente o Caboclo das Sete Encruzilhadas desde o seu início, mas uma plêiade de preparadas entidades que desceram a Terra – uma parte encarnando antes e depois do advento do Caboclo para serem médiuns receptores da outra parte que ficou no Astral, os Guias que solidificariam a nascente Luz Divina entre os homens, como sementes jogadas no campo fértil pela mão do semeador cósmico.
      A terceira fase da Umbanda, ainda vigente e no seu final, deu prevalência à mediunidade consciente. O transe e os estados alterados e superiores de consciência são vivenciados com parcial ou plena recordação ao final. Milhares de jovens médiuns conscientes batem às portas dos terreiros pedindo abrigo, reforçam e renovam a religião. Assim como as ondas desconstroem os castelos de areia à beira-mar, diluem-se tabus limitantes de uma falsa mediunidade inconsciente, individualmente raríssima e episódica na presente data, sem continuidade de expressão coletiva.
      A luz e o calor do Sol abrasam as poças d’água e as fazem evaporarem após a chuva. Similarmente, em breve e avassaladoramente, no máximo em até trinta anos, não haverá mais nenhum médium encarnado com “resíduos” psíquicos de mediunidade inconsciente nos transes.
Urge reavaliarem-se posturas equivocadas, reverem-se a falta de veracidade, liberarem-se de falsos dogmas e de tabus limitantes ainda vigentes por dentro do movimento umbandista, que bloqueiam a educação da mediunidade neste início de Terceiro Milênio. Educação que tem por finalidade precípua formar cidadãos maduros e potencialmente espiritualizados e nunca deveria ter tido a intenção de conceder “dons” e poderes magísticos para eleitos.
       Umbanda é ciência divina de autorrealização espiritual para liberar os seus adeptos e simpatizantes das garras afiadas da paralisante ignorância de si mesmos.
       Reestruturaremos os métodos de educação mediúnica na Umbanda. A magia e o poder sobre os elementos serão secundários e dispensáveis, pois são impermanentes. O poder do espírito reflete a sua luz na consciência e a expande. Diminuir-se-á os egos e o verdadeiro e real significado da Luz Divina será vitorioso.
      Porque esta é a vontade do Pai e todos os Santos e Mestres autorrealizados de todas as tradições ao longo das eras cósmicas em todos os orbes a implantam. Especialmente neste momento, a fazemos para a evolução da humanidade.
     Que a Estrela Polar os guie com as bênçãos das Santas Almas do Cruzeiro Divino.
     Pai Tomé.

Refletiu a Luz Divina
Com todo seu esplendor
Vem do reino de Oxalá
Aonde há paz e amor
Luz que refletiu na terra
Luz que refletiu no mar
Luz que veio de Aruanda
Para nos iluminar

Umbanda é paz e amor
Um mundo cheio de Luz
É força que nos dá vida
E a grandeza nos conduz

Avante, filhos de fé
Como a nossa lei não há
Levando ao mundo inteiro
A bandeira de Oxalá

Levando ao mundo inteiro
A bandeira de Oxalá

Nota: Mensagem, psicografada em 09 de setembro de 2019 pelo médium Norberto Peixoto, no Grupo de Umbanda Triângulo da Fraternidade, Porto Alegre – RS. Faz parte de livro no prelo.

terça-feira, 27 de agosto de 2019

DIFICULDADES DOS GUIAS ESPIRITUAIS COM OS SEUS MÉDIUNS.

        Nem sempre os guias preveem qual seja o êxito e aproveitamento nas suas relações futuras com os seus pupilos ou candidatos a médiuns em serviço espiritual na Terra. Embora os medianeiros, em geral, "desçam" para a carne depois de efetuar mil promessas de absoluto devota-mento ao serviço mediúnico na matéria e renúncia às ilusões sedutoras e sensuais da vida física, são poucos os que resistem às vicissitudes humanas ou dominam os prazeres deletérios. Alguns tombam desamparados por falta de recursos econômicos; outros debilitam suas forças espirituais arrasados pelas paixões viciosas; alguns desanimam diante da tarefa mais simples; outros esgotam-se no trabalho desordenado.
        Assim, enfrentando todas as probabilidades hostis no labor espiritual junto à Terra, os guias precisam estudar previamente o ambiente fluídico onde devem operar através dos encarnados que lhes servirão de medianeiros. Analisam os fluidos ambientais, as auras perispirituais e as correntes magnéticas que poderão influir na receptividade mediúnica; investigam desde as amizades terrenas, e quanto ao tipo dos espíritos desencarnados que poderão influir futuramente em suas comunicações doutrinárias.
       Malgrado esse trabalho inteligente, exaustivo e cuidadoso, dos mentores desencarnados, o programa espiritual em descenso para a matéria continua a sofrer os mais variados tropeços, cuja maior porcentagem vai até ao fracasso, ante a imperícia, a má vontade, a negligência, a vaidade e os interesses dos médiuns esquecidos do seu compromisso pré-reencarnatório. A obra benfeitora ideada no Espaço retarda-se na sua transferência para o mundo físico, pois, embora os guias sejam argutos e inteligentes, nem por isso são oráculos infalíveis e capazes de prever as fraquezas, a enfermidade, a rebeldia, o desânimo e a desconfiança dos seus medianeiros futuros.
       O trabalho do bem, na Terra, ainda é duvidoso e imprevisível, pois além de laboratório corretivo do espírito, trata-se de um planeta geologicamente instável e que se sincroniza perfeitamente com a discórdia, o sensualismo, a cupidez, o egoísmo e a crueldade dos seus habitantes.

Ramatís
In Mediunismo

quarta-feira, 31 de julho de 2019

ALERTA DE RAMATÍS - espíritos presos no passado.


ALERTA DE RAMATÍS
- espíritos presos no passado.

Existem muitos espíritos ainda "aprisionados" nas crenças e lendas das tradições antigas, que influenciaram a formação das práticas mágicas do mediunismo popular. São cultuados como divindades, reis e rainhas, alimentados num processo ininterrupto de obrigações sacrificiais.

Se forem abruptamente afastados e não receberem mais os alimentos sacrificiais, sofrem séria degradação em seus corpos astrais, visto que estão habituados às comidas votivas e plasma vital sanguíneo dos animais - dependendo da intensidade do vício alimentado pelo éter primário do sangue dos sacrifícios, o perispírito se degradará em contato com o magnetismo telúrico do planeta. Nestes lamentáveis e tristonhos episódios, somente com a intervenção de espíritos benfeitores seguida da imediata reencarnação em planetas inferiores, num voltar a ser “homem da caverna”, tendo que caçar para comer, livram-se estes seres de indescritíveis degradações de seus corpos espirituais.

Alimentam-se tais espíritos dos eflúvios do plasma vital do sangue sacrificial. Tudo farão para levar seus médiuns a cumprir as “obrigações” para alcançarem oferendas renovadas, com ameaças veladas de punição, para sustentar a entidade aprisionadora no ciclo de reposição fluídica – axé - que se repete infinitamente. Se rompida a periodicidade das oferendas sacrificiais, envidarão todos os esforços para que essas criaturas venham a sofrer toda a sorte de irritações e conflitos, no trabalho, no lar, na família e entre amigos.

Ramatís in Mediunidade de Terreiro

quinta-feira, 11 de julho de 2019

QUANDO O MÉDIUM SENTE-SE SUPERIOR.


UMBANDA - QUANDO O MÉDIUM SENTE-SE SUPERIOR.
Por Norberto Peixoto.

O que poderia dizer ou escrever que pudesse ser aproveitado por todos que estão com os pés no chão em um terreiro, para a comunidade umbandista - tantos que estão vestindo o branco como médiuns?!

Pensando nos anos que já passei como zelador desde a fundação do Triângulo e nas centenas de giras de caridade que já realizamos, concluo que o grande obstáculo que paralisa muitos médiuns é a jactância - àquele sentimento velado de superioridade, um certo tipo de tédio, que vai se instalando em relação aos irmãos de corrente e consulentes, de tanto escutar suas queixas, que anda de mãos dadas com o orgulho e a vaidade, estabelecendo uma altivez e um senso de superioridade irreal, um certo enfado e ar desmotivado. Obviamente que tal situação já observei em espíritas, espiritualistas, pastores, padres, bispos, teosofistas, budistas, maçons, rosacrucianos, apômetras,..., então atribuo este estado psíquico inerente ao ser humano.

Mas como se instala a jactância no médium umbandista?

O médium sendo consciente, o que é o estado natural da mediunidade na atualidade, é provável que ele caia num automatismo comodista e, inevitavelmente, nas suas reflexões examine as consciências alheias, identificando os erros do próximo, muitas vezes opinando em questões que não lhe diz respeito, indicando as fraquezas dos semelhantes, educando os filhos dos vizinhos, reprovando as deficiências dos companheiros, corrigindo os defeitos dos outros, aconselhando o caminho reto a quem passa, receitando paciência a quem sofre, e segue resoluto retificando os defeitos de quem o procura no centro umbandista, como se ele fosse só perfeição.

Mas enquanto o medianeiro se distrai orientando, se distância de si mesmo, e como aprendiz que foge à verdade e à lição, agrava a situação enfatuando-se e sentindo-se superior aos consulentes e irmãos de corrente, sempre incansáveis em seus pedidos de ajuda, reclamações e tristezas.

Enquanto o médium se ausentar do estudo das suas próprias necessidades e fragilidades que fundamenta o indispensável processo de autoconhecimento e autorrealização, esquecendo a aplicação dos princípios superiores que deve abraçar na fé viva que é mero instrumento, cheio de defeitos e imperfeições e tão frágil e carente quanto àqueles que o procuram, será simples cego do mundo interior relegado à treva da ilusão. Nada estará realizando, pois locupleta-se em si mesmo e se basta, achando que está fazendo uma grande obra, um palácio de realizações com o passar dos anos. Muitos até se gabam do tempo de mediunidade e menosprezam os mais novos.

Claro que a experiência acumulada ao longo dos anos dá sabedoria ao medianeiro, mas ele não deve sentir-se melhor a quem quer que seja, pois não sabemos o passado e a idade sideral de cada um de nós. Ou você sabe qual a idade do teu espírito?

Despertemos e vigiemos sempre.

Mantenhamos nossas energias mais profundas para que os ensinamentos, instruções e consolos que passamos na forma de orientações recebidas de nossos guias espirituais aos consulentes não seja para nós médiuns uma bênção que passa, como é a dádiva e misericórdia divina da mediunidade que nos foi concedida, em proveito à nossa própria retificação pelo auxilio incondicional aos irmãos de caminhada que nos procuram, porque o infortúnio maior de um médium e para a sua combalida alma eterna é aquele que o infelicita quando a graça do Alto passa por ele em vão em toda uma encarnação!

Nenhuma valia tem um rito, seus elementos e liturgias, se o médium internamente não tem a condição necessária de recebê-lo satisfatoriamente. A aplicação ritualística externa é feita pelo sacerdote e seus assistentes, mas a ligação espiritual interna é de cada médium. Se assim não acontecer, qualquer rito será um mero PLACEBO RITUAL, inócuo e sem efeitos positivos.

É tarefa primeira de um zelador espiritual vigiar e "correr gira" para que a jactância mediúnica não se instale nele ou em sua corrente.

Reflitamos.

Paz, saúde, força e união.’

NP.

*Jactância - s.f. Ação, hábito de se gabar: falar com jactância. Arrogância, altivez.

segunda-feira, 8 de julho de 2019

PAI OMULU...

           PAI OMULU, poderoso Orixá que levanta os caídos e faz os mortos renascerem para a vida imortal, livra-nos do mau olhado, da cólera e de todo pensamento ruim que os invejosos nos enviam. Que vossas palhas protejam-nos sempre dos maledicentes que nada realizam e só almejam ferir quem faz. Em teu nome rogamos, misericórdia a todos os que estão vivos mas morreram para as realizações em vida. 
        Atotô!!!

terça-feira, 4 de junho de 2019

ESCLARECIMENTOS DE RAMATÍS QUANTOS AOS SACRIFÍCIOS ANIMAIS NAS “UMBANDAS”.





ESCLARECIMENTOS DE RAMATÍS QUANTOS AOS SACRIFÍCIOS ANIMAIS NAS “UMBANDAS”.

Excertos do livro Umbanda Pé no Chão.

Pergunta: Qual vossa opinião sobre o sacrifício de animais na Umbanda?
Ramatís: A Umbanda não recorre aos sacrifícios de animais para assentamentos vibratórios dos Orixás nem realiza ritos de iniciação para fortalecer o tônus mediúnico com sangue. Não tem nessa prática, legítima de outros cultos, um dos seus recursos de oferta às divindades. A fé é o principal fundamento religioso da Umbanda, assim como em outras religiões. Suas oferendas diferenciam-se das demais por serem isentas de sacrifícios animais, por preconizarem o amor universal e, acima de tudo, o exercício da caridade como reverência e troca energética com os Orixás e seus enviados (os guias espirituais). É incompatível ceifar uma vida e, ao mesmo tempo, fazer a caridade, que é a essência do praticar amoroso que norteia a Umbanda do Espaço. Toda oferenda deve ser um mecanismo estimulador do respeito e união religiosa com o Divino, e daí com os espíritos da natureza e os animais, almas-grupo que um dia encarnarão no ciclo hominal, assim como já fostes animal encarnado em outras épocas.

Pergunta: E quanto aos dirigentes de centros que sacrificam em nome da Umbanda?
Ramatís: Reconhecemos que na mistura de ritos existentes, nem tanto nas práticas mágicas populares, dado que templos iniciáticos vistosos matam veladamente para fazer o “indispensável” ebó ou padê de “Exu”, se confundem o ser e o não ser umbandista. Observai a essência da Luz Divina (fazer a caridade) e sabereis separar o joio do trigo. Tal estado de coisas reflete a imaturidade e o despreparo de alguns dirigentes que se iludem pela pressão de ter de oferecer o trabalho “forte”. As exigências de quem paga o trabalho espiritual e quer resultados “para ontem” acabam impondo um imediatismo que os conduz a adaptar ritos de outros cultos aos seus terreiros. Na verdade, há uma enorme profusão de rituais que é confusa, refletindo o estado da consciência coletiva e o sistema de troca com o Além que viceja o “toma lá, dá cá”. Toda vez que um médium aplica um rito em nome do Divino e sacrifica um animal, interfere num ciclo cósmico da natureza universal, causando um desequilíbrio, pois interrompe artificialmente o quantum de vida que o espírito ainda teria de ocupar no vaso carnal, direito sagrado concedido pelo Pai. Pela Lei de Causa e Efeito, quanto maior seu entendimento da evolução espiritual (que inexoravelmente é diferente da compreensão do sacerdote tribal de antigamente), ambição pelo ganho financeiro, vaidade e promoção pessoal, tanto maior será o carma a ser saldado, mesmo que isso aparentemente não seja percebido no presente. Dia chegará em que tais medianeiros terão de prestar contas aos verdadeiros e genuínos “zeladores” dos sítios sagrados da natureza que “materializam” os Orixás aos Homens e oportunizam os ciclos cósmicos da vida espiritual, ou melhor, as reencarnações sucessivas das almas em seu orbe.

Pergunta: Qual a diferença entre matar um animal nos ritos mágicos e utilizar esse mesmo animal como alimento, visto que estaríamos interrompendo o mesmo quantum de vida que o espírito ainda teria de ocupar no vaso carnal, direito sagrado concedido pelo Pai?
Ramatís: Muitos alimentam-se dos animais e sequer acreditam em reencarnação. A cada um é dado o tempo necessário para a dilatação da consciência ante as verdades espirituais. Quanto às equânimes leis cósmicas, a mortandade impessoal automatizada nos frigoríficos modernos para saciar a fome animalesca de uma coletividade insaciável difere do ato individual do sacerdote que mata e orienta um agrupamento mediúnico. A responsabilidade do líder religioso é enorme. Quanto mais beneficia-se da energia pelas vidas ceifadas dos irmãos menores para prejudicar os outros em favor próprio, mais irá agravar sua prestação de contas nos tribunais divinos. Não somos afeitos a estabelecer sentenças, mas certamente a avaliação de quem sacrifica em nome do Sagrado, num rito de determinado culto religioso em que ainda persistem usos e costumes por questão de fé ancestral, será feita, caso a caso, por quem tem competência no Astral superior. Os compromissos daqueles que extinguem uma vida num rito mágico qualquer são proporcionais à consciência que o conhecimento propicia. Quanto maior o saber, tanto mais dilatadas serão as consequências dos atos de cada espírito, seja encarnado ou não.

Pergunta: Qual sua opinião sobre o fato de alguns dirigentes proibirem médiuns carnívoros de trabalhar em seus centros?
Ramatís: É importante considerar que quando você julga verticalmente o ato do próximo, indicando defeitos e sentenciando o que é certo ou errado na conduta alheia, deixa seu candeeiro embaixo da goteira. As determinações sectárias de alguns dirigentes espirituais encarnados, proibindo médiuns carnívoros de trabalhar, é qual gotejamento que “apaga” a tênue luz crística que existe em vocês, uma vez que a imposição dessa falsa igualdade não conscientiza amorosamente, e sim exercita horizontalmente o orgulho de considerar-se melhor, mais evoluído e superior ao outro.

Pergunta: Percebemos que várias lideranças umbandistas aceitam os sacrifícios animais e a cobrança para angariar simpáticos ao seu modelo de Umbanda. Como interpretar isso?
Ramatís: A sede de poder e a disputa ensandecida de domínio perante a comunidade umbandista, ainda entontecida pela difusão de fundamentos jogados diuturnamente nas mais diversas formas de mídia que disfarçam no Sagrado a venalidade de certos sacerdotes, imperam nessas lideranças, que travam verdadeira guerra para impor seu modelo teológico. Assim, persistem numa busca ferrenha de adeptos para ter o rebanho maior, qual pastor que pula seu cercado para pegar as ovelhas do vizinho. Não importa se o do lado cobra, raspa, corta e mata. O que vale é aumentar os adeptos, qual “guru” de outrora que impressionava as multidões ao amansar tigres e cobras. Lembrem-se de que quanto maior a inteligência e a consciência, maior pode ser a ambição. Aos que muito sabem e ambicionam, muito será cobrado pelos Orixás.

quinta-feira, 30 de maio de 2019

Umbanda Pé no Chão - Nova Edição.


           Umbanda Pé no Chão - Ramatís - é um clássico da literatura umbandista. Esta edição, ampliada e revisada, nos chega com mais clareza e profundidade. Novos temas são abordados, como a descrição das pedras – cristais – por Orixás, utilizadas nos assentamentos vibratórios, altares, tronqueiras como dinamizadoras energéticas nos trabalhos de cura; a estrutura astral do movimento umbandista, as formas de apresentação dos espíritos, as linhas de trabalho, as firmezas, o cruzeiro das almas, a música sacra de terreiro, os preceitos, as consagrações. 
           Ramatís elucida ainda a estrutura energética do homem e a regência dos Orixás, correlacionando-as com os preceitos de firmeza mediúnica e os transes nos terreiros; a função central de Exu na desobsessão e “quebra” de feitiços e demandas; a magia que fundamenta a utilização dos elementos rituais nas sessões umbandistas de caridade.  
          Sem dúvida, este livro é um consagrado guia de estudos para todos: médiuns, adeptos e simpatizantes da Luz Divina e da genuína Umbanda.




Para comprar:

segunda-feira, 27 de maio de 2019

UMBANDA – MÉDIUNS E DIRIGENTES INSEGUROS.

            
             Na Umbanda temos personagens marcantes, que como médiuns fizeram a história da Luz Divina e fundamentaram seus usos e costumes. Zélio Fernandino de Moraes, o ícone fundante da Umbanda, nunca se permitiu ser bajulado, não teve quem o iniciou, foi iniciado direto pelo Astral Superior pelo portentoso Caboclo das Sete Encruzilhadas. Da mesma estirpe de Zélio, Benjamim Figueiredo, médium do Caboclo Mirim, que aos 17 anos manifesta este com pureza cristalina, o Guia que o faria até o final de sua vida estar firme à frente de muitos congás. Tivemos ainda W.W da Matta e Silva, que nunca teve “pai” ou “mãe” de “santo”, nenhum “mestre” humano botou a mão em sua cabeça, por orientação direta e força da Lei de Pemba vinda de Pai Guiné de Angola. Estes três exemplos, de médiuns seguros e livres, grandes educadores de consciências, pela atuação límpida dos espíritos que vibravam em suas sensibilidades mediúnicas, servem para toda a comunidade umbandista.
           Nos dias de hoje, verificamos um contingente enorme de médiuns dirigentes inseguros, que não se “garantem” em estar a frente de seus congás se não estiverem vinculados a um “pai” ou “mãe” no “santo”. Procuraram outros sacerdotes para se vincularem e assim adquiriram legitimidade, pois falta-lhes a confiança na mediunidade e a fé inquebrantável em Deus. Por vezes falta-lhes a própria valência mediúnica.
               Observo que não tenho nada contra a iniciação e consagração ritual. Eu mesmo tive dois dirigentes que me orientaram e ampararam em ritos de iniciação para dirigente de terreiro. Todavia, isto foi pontual e não gerou dependência ao iniciador. Se governar, depender “só” do Guias e do Astral para segurar o axé de uma egrégora, sempre foi o exemplo de grandes dirigentes de terreiro, que vão muito além de Zélio, Benjamim e Matta e Silva.
                O risco que corremos é estarmos cultuando egos de dirigentes que se alimentam da bajulação, mimos e reconhecimento público de seus “filhos” com casa aberta.
             Não é “pecado”, não é orgulho e nem vaidade se governar, ser independente, amadurecer e confiar no Amparo do Alto. Se você tem um “pai” ou “mãe” no “santo” a tiracolo, que sempre o socorre e lhe exige eterna fidelidade subserviente, está na hora de você repensar a sua espiritualidade.

Axé, Saravá, Namastê.
Norberto Peixoto
Dirigente do Grupo de Umbanda Triângulo da Fraternidad
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