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segunda-feira, 20 de outubro de 2014

As sutilezas para impedir o médium de comparecer no dia da sessão


       
          As sutilezas para impedir um médium de comparecer nos dias de sessão pública são muitas. Recentemente, uma das médiuns, repentinamente começa a sentir uma dor intensa na perna esquerda, “casualmente” numa sexta-feira que é o dia que ocorrem nossos atendimentos de passes e consultas, havendo grande movimentação de consulentes.
      Esta médium falta para ir ao médico, pois não suportou a dor a ponto de não conseguir pisar no chão. Fez vários exames pela medicina terrena e nada de anormal descobriram, ficando sem um diagnóstico conclusivo. E a dor continua um pouco mais branda nos dias seguintes de sua ausência no terreiro.

       No dia da próxima sessão, telefona para a secretaria deixando recado que a dor voltou a aumentar e vai ter que ir novamente ao médico.
       Quando me deram o recado, estava trocando os elementos do congá, senti uma fisgada na minha perna esquerda e me entrou um pensamento que não era meu, mas que não identifiquei de qual guia, sendo isto de menos importância naquele momento, mas que senti com certeza era de um dos Exus da casa:

       - "Será que esta danada não vai se dar conta que tem coisa aí. Ela tem que vir com dor e tudo. Não diga nada a médium, que precisa se dar conta da situação por seu esforço e merecimento para seu próprio aprendizado mediúnico..."
      E chegando a hora da sessão, a médium aparece mancando. Nada falamos.
      No ritual de abertura, durante a incorporação dos médiuns da corrente, eu já vibrado no chacra coronário com Caboclo Ventania, repentinamente este guia se afasta de minha sensibilidade e dá passagem do seu aparelho para o Exu Sr.João Caveira, que sutilmente se apropria do meu psiquismo, sendo que não houve nenhuma exteriorização visível à corrente de médiuns para que pudessem perceber a diferença. A intenção foi chamar o menos possível da atenção e não dispersar a concentração, eis que estávamos com aproximadamente 130 pessoas aguardando para serem atendidas. Rapidamente, Sr. João Caveira orienta que continuem o ritual, chama a filha na tronqueira de Exu – local reservado, interno, de firmeza desta vibração dentro do templo, atrás do congá -, pede um charuto e um alguidar – vasilhame de argila - com água. Acende o charuto, mastiga-o e cospe o sumo no alguidar. Ficou uma espécie de lavagem escurecida pelo fumo mastigado, na verdade um tipo de maceração. Ato contínuo, a médium está a postos com a perna dolorida na frente da tronqueira. Aí lava sua perna, mandando-a imediatamente trabalhar e dar consulta normalmente, dizendo que a dor iria passar e que não tinha tempo para maiores palavreados. Recomenda que ela venha na segunda para um atendimento individual e orientação adequada.

              Na segunda-feira, na hora do atendimento da médium, manifesta-se novamente Sr. João Caveira e pede duas moedas e começa a bater uma na outra. Este som serve de chamariz para o espírito do pé gigante que está pedindo esmola, hipnotizado se encontra “grudado” na médium, que por ressonância sente a dor na perna, já que este espírito desencarnou com um tipo de trombose por embolia, que se generalizou na perna entupindo gradativamente os vasos sanguíneos, o que fez inchar enormemente o pé esquerdo, impedindo-o de andar, o que serviu para que ele pedisse esmolas e sobrevivesse disto quando estava “vivo”.  Foi encaminhado este sofredor para a linha de OMULU no astral, orixá de cura, para os devidos esclarecimentos e cuidados.
       Pergunta então Sr. João Caveira:

-“filha, o que acha de pedir esmola e o que você faz com este monte de moedas guardadas em casa?”
        A médium diz que tem horror de pedir esmolas e se lembra que tem uma panela velha cheia de moedas antigas no seu quarto e que sempre solicita aos seus parentes  moedas para guardar, desde há muito tempo, pois tem o hábito de guardá-las para apreciar, como um tipo de coleção preciosa.
         Sr. João Caveira explicou:
- “minha filha, as moedas são movimento, troca, bonança, progresso. Ao deixá-las paradas numa panela esquecida, só para o seu deleite enquanto são de sua posse, o que não significa poupança, impregnaram-se vibrações de avareza e cobiça, imantado o vil metal, que pode atrair espíritos em mesma faixa de sintonia mental, atração esta que é potencializada  nos processos de indução obsessiva arquitetados pelos inimigos do terreiro objetivando tirá-los de suas vindas ao trabalho mediúnico.Vocês devem vigiar suas afinidades, manias, cacoetes. A ligação mediúnica é sutil e se dá de forma que não se percebe, as vezes naquilo que é o mais comum na conduta diária. Na maioria dos casos a psicologia para alijar os médiuns é inteligente e certeira.”
          Cabe o esclarecimento do motivo das entidades usarem o fumo. Claro está que as folhas da planta chamada "tabaco" que estão enroladas e picotadas formando o charuto absorvem e comprimem uma grande quantidade de fluído vital telúrico enquanto estão em crescimento, cujo poder magnético é liberado através das golfadas de fumaça quando usados pelas entidades. Essa fumaça espargida libera princípios ativos altamente benfeitores, desagregando as partículas densas do ambiente. O tabaco ao ser mastigado e cuspido pelo Sr. João Caveira enquanto estava vibrado no  psiquismo do médium, que aos olhos mais zelosos do purismo doutrinário vigente em muitos centros pode parecer um absurdo ou maneirismo indisciplinado dos umbandistas, na verdade liberou seus princípios ativos físicos e químicos que ficaram em suspensão concentrados na saliva e daí foram dispersos ao serem macerados na água, que quando usada na lavagem da perna da médium atendida, serviu como eficaz “detonadora” dos miasmas e vibriões astrais que estavam impregnando a contraparte etérica da sua perna e por um efeito de repercussão vibratória da energia deletéria do obsessor que estava com ela, causando a vermelhidão e a dor.
         E quanto à panela velha? Tinha catorze quilos de moedas, das mais antigas às atuais. Foi trazida para o terreiro para ser desmagnetizada, dado que estava servindo como um tipo de amuleto para fixação de espíritos sofredores pedintes de esmolas.  As moedas foram lavadas com arruda e guiné, renovando-as na imantação com estas folhas na vibração de Oxoce, orixá regente de nosso congá. Posteriormente as moedas foram alojadas em local propiciatório para geração de axé – energia - para a prosperidade e abundância do terreiro, cujo local não temos autorização de dizer. É o “segredo” para a magia de Exu não perder o encanto.
       
       
Iah, ah, ah, ah
Exu João Caveira
Vem das matas da Guiné
Chegou nesta Seara
Prá salvar filhos de fé
Ele vem chegando
Prá trabalhar
Sarava meu pai
Saravá

( do livro DIÁRIO MEDIÚNICO - Editora do Conhecimento )

domingo, 19 de outubro de 2014

Na hora da morte, minha vida valeu a pena??? Refletindo com NANÃ!!!


" Venho saudar a dona da terra para que ela me proteja "

Nanã cede a lama, mas a quer de volta .

Conta uma lenda que quando Olorum encarregou Oxalá de fazer o mundo e modelar o ser humano, Ele tentou vários caminhos.
Tentou fazer o homem de ar, como ele.
Não deu certo, pois o homem logo se desvaneceu.
Tentou fazer de pau, mas a criatura ficou dura.
De pedra, mas ainda a tentativa foi pior.
Fez de fogo e o homem se consumiu.
Tentou azeite, água e até vinho de palma, e nada.
Foi então que Nanã veio em seu socorro e cedeu à Oxalá a lama, o barro do fundo da lagoa onde morava ela, a lama sob as águas, que é Nanã.
Oxalá criou o homem, o modelou no barro.
Com o sopro de Olorum ele caminhou.
Com a ajuda dos Orixás povoou a Terra.
Mas tem um dia que o homem tem que morrer.
O seu corpo tem que voltar à terra, voltar à natureza de Nanã.
Nanã deu a matéria no começo mas quer de volta no final tudo o que é seu .
Nanã é uma divindade ligada ao princípio de tudo. A deusa cercada dos mistérios, do duvidoso; quando Odudua separou a água parada (que já existia) da terra (retirada do saco da criação), formou-se a lama e os grandes pântanos. E é lá, o local de maior fundamento desta Orixá.
Nanã é considerada o princípio, o meio e o fim. Pois ela é a dona do barro, e o barro é a vida. Fomos formado dele e para ele voltaremos.
Nanã sintetiza em si, a morte. E por isto, está muito relacionada à passagem da vida para a morte. Juntamente com Oxalá, Obaluê e Oyá.
Por estar presente desde a criação do mundo, é considerada a orixá mais velha do panteão cultuado. Em um, dos vários títulos dados a esta divindade existe o Ìyá Agbá (mãe antiga); ela é a mãe de Obaluaê...
A vida está cercada de mistérios. Um deles, é a morte! Ninguém compreende de fato a morte. Nanã se apresenta juntamente com outros orixás nessa incógnita natural da vida.
Ela é a água parada, a água da vida, a água da morte. Nanã se apresenta também nos barros, nos lamaçais, nos grandes pântanos, onde pairam o medo e a incerteza.
Para aqueles que encaram a morte como algo negativo, Nanã pode ser a triste e angustiante lembrança da morte. Para aqueles que encaram a morte como algo normal e inevitável, Nanã se apresenta como a resposta para a incerteza e a certeza da imortalidade de nossa essência espiritual.
É no momento da morte que o homem encontra resposta para dúvidas que lhe cercava durante toda a vida. É no momento da morte, que aquele que não se conectou com o divino durante toda a vida, acha a linha de conexão.
É ali que também se apresenta Nanã. Que na hora da morte, se apresenta o renascimento e a certeza de uma posterior continuação. Nanã é a deusa da lama, da chuva, da terra, do barro primitivo que se deriva em tantas outras coisas.
É o elemento sólido tão desvalorizado corriqueiramente, embora tão valioso e importante! Com passos lentos, quase rastejantes, Nanã chega na linha do encontro entre a vida e a morte, para trazer todos os seres humanos no exato momento de sua partida.
É a grande mãe que acompanha de longe o crescimento dos filhos.
Que sua natureza nunca nos deixe. Que possamos crescer firmes, sem esquecer de nossas origens. E também, na hora que Nanã receber o material que emprestou para a formação do nosso corpo, se orgulhe e diga:

"Esse , valeu a pena."

sexta-feira, 17 de outubro de 2014

A CORDA DO DESTINO – REFLEXÕES SOBRE A EXISTÊNCIA HUMANA.




A "Corda do Destino" - Reflexões Sobre a Existência Humana.

Uma tentativa de “olhar” pela Sabedoria de Ifá.
Por Norberto Peixoto.

Prezados irmãos planetários,

Proponho, nesse breve artigo, uma singela reflexão sobre a existência humana, dado que somos espíritos reencarnando sucessivamente na Terra, ou egos humanizados.

Nossas reflexões baseiam na imagem simbólica que acompanha este artigo. Observem que Deus – Oludumarè – está à frente de um mosaico, uma estrela de oito pontas. Oito é detentor de uma energia cíclica. Ele representa a mudança, as estações, o tempo, e o reino do infinito. Oito “fala” de equilíbrio e consistência. No sistema oracular de Ifá, base da visão espiritual da cosmogonia nagô, o número 8 corresponde ao ODÚ – signo ou destino – EJIOGBÉ, e é o primeiro na ordem de chegada de Ifá. Representa fogo sobre fogo, que indica dinamismo puro que impele a conquista dos objetivos de forma instintiva. No entorno da estrela de oito pontas, temos várias chamas simbolizando o Fogo Criador Divino. Seguindo a lógica de convergência e pensamento de síntese que nos move, encontramos em Jesus a afirmação: “Vim trazer fogo à terra”: desci do alto dos céus e, pelo mistério da Minha encarnação, manifestei-Me aos homens para acender no coração humano o fogo do amor divino. “E que quero se não que arda”! (Jo 19, 30).

Oludumarè nos estende a CORDA DO DESTINO, que é o ODÚ ou signo OBARA MEJI, o sétimo na ordem de chegada de Ifá, e significa grande proteção espiritual em todos os níveis, no sentido que nada nos acontece que não seja justo em nossos caminhos rumo a espiritualização inexorável. A representação esotérica da CORDA, em que todos estão se agarrando até a arvore da vida, é referência ao poder que a DIVINDADE CRIADORA – DEUS – possui de tudo levantar, exprimindo força e a possibilidade de realização humana, em conformidade com o Plano de Vida – Destinos – de cada um.

Há que se observar que DESTINO não significa determinismo ao sofrimento, e que no seu “núcleo periférico”, está constantemente se reconstruindo na encarnação, fruto de nossos atos, pois somos causa geradora de reações que vivenciaremos. Existe sim um “núcleo duro”, que é a nossa missão de vida, nossas aptidões psíquicas mais profundas que serão postas a prova num plano de experiências terrenas previamente elaborado e aceito antes de reencarnarmos que não conseguimos alterar na presente vida. O nosso amadurecimento espiritual nos conduz a uma compreensão mais profunda de nosso destino, de nossos caminhos e quais os passos que temos que dar para estarmos em paz conosco mesmos, auferindo abundância e prosperidade na presente encarnação.

Existe uma ancestralidade que nos une, uma família espiritual, simbolizada na arvore, que no aforismo popular africano dizemos que uma comunidade espiritual é da mesma folha. Ou seja, temos um tronco que nos sustenta e vitaliza. Esta arvore nasce nas águas, do amor da Grande Mãe, Mãe de todos os ORIS – cabeças – Iemanjá.

Oxalá é o Grande Pai da Criação, Pai de todos os ORIS (cabeças), e Iemanjá é a Grande Mãe, ambos aspectos diferenciados, masculino e feminino, de um único Deus, irradiação cósmica que é provedora e mantenedora de todo o Cosmo e do nosso planeta humanizado, independente dos nossos precários sistemas religiosos terrenos, tão sectários, sentenciosos e puristas uns com os outros.

Podemos, e devemos, perceber a Criação ou Cosmogonia Divina por diversos ângulos de interpretação, num saudável e harmonioso processo de diálogo inter e intra-religioso, de convergência e síntese do saber.

Muita paz, saúde, força e união.
Norberto Peixoto.   

Orunmilá - o Senhor dos Destinos e o Tempo.




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