segunda-feira, 27 de fevereiro de 2017

FIRMEZA DE CABEÇA.

Por que certos filhos do axé se desequilibram quando o terreiro entra em recesso? Como ser um iniciado em qualquer lugar e momento com o poder de realização dos Orixás? 
O emponderamento com o Sagrado através do ORI - pensamento, mente e emoção. 

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2017

VAMOS REFLETIR SOBRE A UMBANDA?

      Refletir sobre a Umbanda, compartilhando conceitos com os adeptos umbandistas, torna-se algo complexo porque, no universo ritualístico externo, e no mais das vezes no interno, dada a diversidade do mundo espiritual, a legitimidade daquele que fala ou escreve sempre é questionada.
      Essa situação leva a uma inibição de muitas lideranças que poderiam participar mais ativamente da porta de entrada dos terreiros para fora, para a sociedade, unindo-se a outros terreiros, não somente para dentro, para o público assistente e corpo mediúnico.
     Atualmente, nem mesmo nas comunidades internas de cada agremiação, é possível um consenso. Ao perguntarmos para cada médium manifestado (incorporado) com uma entidade o que é Umbanda, cada uma terá um conceito e uma orientação diferente.
     Talvez essa situação pudesse mudar se quebrássemos o tabu de não falar em consciência mediúnica, o que nos traria muito mais responsabilidade como instrumentos dos espíritos no sentido de que seríamos artífices ativos, em vez de passivos, do que falamos e orientamos. A manutenção do tabu da inconsciência, um dogma em alguns terreiros, talvez ainda a maioria, faz-nos ficar acomodados, pois o que é dito e orientado é "culpa" das entidades, liberando-nos de maiores esforços, lamentavelmente também de estudar, pois "o guia faz tudo". Conclui-se, assim, que ainda pouco se estuda no meio umbandista.
     As discussões bizantinas nos terreiros sobre a "verdadeira" maneira de fazer as coisas, em que sempre se encontram detalhes ritualísticos, ditos fundamentos, que permitem a diferenciação e dão ênfase à interpretação pessoal de cada líder-chefe, inclusive dos médiuns "incorporados" em que a entidade dá a sua opinião, não raras vezes questionando diretamente a chefia dos trabalhos, só fazem demonstrar a extrema dificuldade de um campo muito fragmentado em sua relação com o mundo dos espíritos.
     É impossível uma uniformidade na diversidade da Umbanda pelo fato de sua natural convergência não significar unidade ritualística. Outro aspecto é que a fala dos espíritos pode ser questionada a qualquer momento pelos chefes de terreiros quando contrariados pela orientação de um guia "subalterno" na hierarquia do Espaço Sagrado. Dessa forma, são muito difíceis quaisquer mudanças na maioria dos terreiros que contrariem o interesse do dirigente encarnado.
     Logo, quando se trata de prática ritualística e fundamento de cada terreiro, conclui-se que dificilmente haverá uma unidade em toda a diversidade existente. Diante dessa constatação, infere-se que o movimento de convergência está, antes, ligado a preceitos mais genéricos.
    É consenso fazer a caridade desinteressada, o maior ponto convergente na umbanda.
    Há de se refletir sobre como surgiu na umbanda a vinculação com sua essência: fazer a caridade. Pode haver críticas, contrariedades, mas não há como negar que o apelo caritativo da umbanda, assim como sua ligação com Jesus Cristo, foi instituído pelo Caboclo das Sete Encruzilhadas pela inequívoca mediunidade de Zélio de Moraes. Esse canal, desobstruído, natural, simples, não teve nenhuma iniciação na Terra. O apelo iniciático é dispensado pelo Caboclo das Sete Encruzilhadas, que preparou seu médium em muitas encarnações antes da atual personalidade ocupada.
     Pensemos sobre isto: o Caboclo praticou uma umbanda mediúnica, não iniciática.
     O excesso de ritos de iniciação e a ênfase sacerdotal criam uma casta hierárquica rígida e podem estar sinalizando ausência de mediunidade em muitos "centros de umbanda". As complexidades exteriores de métodos que somente uns poucos dominam emboloram a simplicidade dos médiuns, que, em vez de se interiorizarem para perceber o mundo espiritual, são condicionados a prestar atenção e a decorar incontáveis procedimentos externos, bloqueando a natureza da manifestação mediúnica que ocorre e principia dentro da mente, não fora. É o que podemos chamar de "mediunidade" de apostila, de certificado de conclusão de curso na parede. Ainda temos os sacerdotes "formados" em 01 ano ou até menos, sem nenhuma mediunidade de fato e de direito, sem quaisquer pré-requisitos morais e psicológicos para orientarem vidas.
     Daí pipoca um terreiro aqui, outro acolá...
    Mas a Umbanda continua sendo a Umbanda de todos nós.
    Até quando?
     Axé!!!

    Norberto Peixoto
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