quarta-feira, 25 de setembro de 2013

Preconceito com a mediunidade de “incorporação” - transe de possessão induzido.

       

         Por Norberto Peixoto.

      A umbanda ainda não conseguiu uma organização suficiente para uma unidade mínima de seus rituais e corpo doutrinário. Certo que encontramos muitas expressões ritualizadas diferentes, em conformidade com as consciências simpatizantes que se acercam dos milhares de terreiros existentes. Todavia, os diversos grupos de nossa religião, mantém em comum uma igualdade que podemos afirmar como o “núcleo duro” ou ponto central inquestionável de semelhança na umbanda, que é a chamada mediunidade de “incorporação” ou transes mediúnicos induzidos através de ritos propiciatórios a estados alterados de consciência 
        Infelizmente constatamos que outras confissões religiosas afirmam que isto é dispensável, um atraso e primarismo espiritual. 
        A respeito do controverso tema, tenho a dizer que os nossos mais fortes aliados na “luta” para evoluirmos num planeta de provas e expiações são nossos ancestrais, conhecidos e cultuados entre quase todas as civilizações antigas, notadamente as silvícolas e africanas, que são antepassados fundamentais na formação da teogonia e doutrina umbandista. 
      Há que se registrar que os espíritos ancestrais não são Deuses ou seres glamorosos envoltos em miçangas e girando através do Universo com os seus fantásticos poderes cósmicos para moldar as forças da Natureza. Não por acaso os Eguns, como os nagôs os denominam são representados pelo pano, o tecido envelhecido e rasgado que simboliza a passagem do tempo e o desvanecimento da existência física entre as reencarnações sucessivas. São consciências que evoluem trilhando no mais das vezes as mesmas dificuldades dos encarnados e ainda retidos na roda das reencarnações sucessivas. 
 
        Infelizmente a comunicação com os espíritos e antepassados, através daqueles que obtiveram as habilidades de mediunidade ao longo da história foi demonizada. Encontra-se no inconsciente coletivo a disseminação dos exemplos da Bíblia de pessoas sendo possuídas ou influenciadas por demônios: Mateus 9:32-33; 12:22; 17:18; Marcos 5:1-20; 7:26-30; Lucas 4:33-36; Lucas 22:3; Atos 16:16-18...
         Nas passagens relatadas de possessão demoníaca; ali o espírito causa séria enfermidade física fazendo o indivíduo rastejar como cobra no chão com inaptidão para falar; lá jovem esposa revira os olhos com sintomas de epilepsia babando intensamente; aqui a paralisia, a cegueira ou a surdez imprevista; acolá obriga que a pessoa faça o mal repentinamente aos seus familiares e o espírito dominador aparentemente dá ao escravizado a habilidade de conhecer coisas além de seu próprio entendimento. Há o caso do possuído por um grande número de demônios, verdadeiro condomínio de espíritos que oferecia força sobre-humana, desde que seu dominado vivesse nu morando nas sepulturas.
        Certo que no contexto de época dos relatos bíblicos havia uma grande variedade de possíveis sintomas de possessão espiritual numa população pecadora sedenta de oferendar para o Divino e obter perdão e favores dos anjos. Obviamente que o primarismo espiritual vigente habitualmente atribuía a um intruso do além túmulo as mudanças de personalidade tais como grande depressão ou agressividade fora do normal, força sobrenatural, uma falta de modéstia com “anormal” interação social, e ainda a capacidade de compartilhar informações que ninguém poderia saber naturalmente – influências de espíritos possuidores do mal. 
       Está impregnado nos fulcros mnemônicos mais profundos do inconsciente dos egos encarnados na coletividade atual, sintonizados com uma plêiade de espíritos presos às diversas confessionalidades religiosas no Plano Astral, a memória atávica do preconceito e dogmatismo contra os estados alterados de consciência, especialmente os induzidos por ritos propiciatórios, que despertam intensa rejeição dissimulada por senso de superioridade e falsa noção de maior evolução espiritual, lamentavelmente mais comum nas doutrinas recentes ditas da "Nova Era" do que dissimulam em contrário seus simpatizantes "universalistas".  
       Nos ensinam os amigos espirituais que a pedagogia do Cosmo opera educando para que os fatos manifestos de modo “invulgar” sejam mais tarde compreendidos pela regência natural das leis do mundo transcendental. Assim, mesmo que seja necessária e “indispensável” a mecânica de “incorporação” no seio da coletividade umbandista, por outro lado isto não deve induzir nos adeptos de nossa religião a crença demasiadamente entusiasta nos fenômenos incomuns que conduzem à realidade de espíritos imortais - que somos todos nós. 
         Sem dúvida, o planejamento do Alto proporciona “indiretamente” às comunidades de crentes e praticantes das diversas religiões - na Terra e no Astral - os meios de chegarem a conclusões que as farão evoluírem sem a dependência psicológica da intervenção sobrenatural do além túmulo, libertas de métodos ritualísticos escravizantes. Afinal, tudo na ascensão evolutiva rege-se por leis sensatas e igualitárias a todos, independente de credos religiosos, liturgias, tipos de mediunidade, sentenças de superioridades recíprocas ou  denominações doutrinárias terrenas.
            Concluindo este breve artigo, afirmo que todos nós somos espíritos em evolução e, notadamente, nós médiuns de umbanda, temos a oportunidade de vivenciarmos com intensidade o mundo ainda "sobrenatural" para as outras religiões, credos e doutrinas. O mundo "oculto" dos espíritos para nós torna-se natural e sem culpas, desvelado e sem deslumbramentos, modo de ser social e psicológico que é alcançado pela prática contínua dentro dos templos de umbanda, vivenciada nos  transes mediúnicos induzidos através de ritos propiciatórios a estados alterados de consciência, que nos fazem seres humanos melhores no dia a dia e espíritos integrais e amadurecidos com as Leis Evolutivas do Cosmo.

             Muita paz, saúde, força e união,
             Norberto Peixoto.
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