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terça-feira, 22 de maio de 2012

Humildes comentários de um sacerdote umbandista - Pai Valdo.


Por Pai Valdo - Sacerdote dirigente do Templo Espiritualista do Cruzeiro da Luz

Abaixo postei alguns  textos do “livro dos médiuns” de Allan Kardec sobre o que, nós umbandistas espíritas, e principalmente os dirigentes de centros, deveríamos ler, estudar e meditar para libertar a umbanda da ignorância, da falácia e das perturbações provocadas por encarnados e desencarnados, iludidos com supostos procedimentos mentirosos adivinhatórios e resolvedores de problemas materiais e mesquinhos, que aprisionam e viciam os caminhantes encarnados à baixa vibração, e à estagnação moral e religiosa, ao que muitos acertadamente chamam de “baixo espiritismo”.
É uma verdadeira escravização de seres à busca constante de uma paz e resolução de problemas, em suas vidas, que jamais alcançam, pois a ignorância é a mãe da ilusão que, por sua vez, emana a desilusão, fonte da inquietude, perturbação e desarmonia.
No Templo Espiritualista do Cruzeiro da Luz, que se propõe a ser uma casa religiosa que ensina, orienta e ajuda os irmãos, que nos procurem e queiram, na senda do evangelho e da doutrina raciocinada, quantas vezes temos a tristeza de receber pessoas completamente desequilibradas e perturbadas, buscando adivinhos e feiticeiros, perturbando o ambiente religioso com palavras como essas:


- O guia tem que adivinhar o meu problema.
- O guia tem que ter mais luz para resolver e adivinhar o que tenho.
- Nas casas de umbanda em que estive os guias advinham, e não ficam nesse blá, blá, blá de evangelho.
- Isso aqui é mesmo umbanda? Nas casas em que vou não tem esse negócio de palestra e cantorias.
-Nunca vi guia de umbanda falar de evangelho, eles têm é que resolver os problemas.
-Aqui demora muito, com preces, cantorias e palestra. e as consultas?
- Aqui só tem cantoria, nas casas em que conheço você fala logo com o guia e vai embora, aqui vocês prendem a gente com tanta cantoria e palavreado
- Quero falar com um guia forte, não com qualquer um.
- Esse guia presta?
-Casa que não cobra consulta e trabalhos, não tem força.
-Aqui é casa Kardecista, não é?

e por aí vai....!

Quer dizer, para essas pessoas, infelizmente viciadas por supostas casas que se dizem umbandistas, o Templo de Umbanda tem que ser o supermercado onde vai satisfazer suas necessidades e resolver seus interesses mesquinhos e materiais. E, infelizmente, pasmem, isso  é provocado e mantido por centros chamados de umbanda! Esses centros estão mais preocupados em encherem sua assistência de pessoas, não importa como, satisfazendo o que cada uma delas exigem ou querem, desde que frequentem "a minha casa", e chamam isso, de forma deturpada, de "caridade", esquecendo-se que a nossa missão não é a de agradar, mas a de orientar, ensinar e curar, quer agrade ou quer desagrade. esses centros veem nos outros centros verdadeiros competidores, daí se ouvir coisas feitas e ditas contra as outras casas umbandistas que até deus duvida!


Não, o Cruzeiro da Luz não é uma casa de consulta, não é um supermercado de ilusões. No Cruzeiro da Luz, o seu dirigente e os seus médiuns, são pessoas ocupadas, resolvidas consigo mesmos e com suas vidas, que não têm tempo a perder com abobrinhas, e que lá estão, de forma sacrificial, não para preencher suas carências ou outras necessidades quaisquer, senão a de, unidos a jesus, juntar-se aos guias e mentores de luz para aliviar sofrimentos e apontar o caminho da verdadeira libertação, pela reforma íntima.


Como diz Ramatis, não existe outro remédio capaz de curar as dores dos seres sofredores senão a “evangelhoterapia”. E, como podemos comprovar nos textos abaixo, os bons espíritos não vêm a nós para serem nossos adivinhos e feiticeiros, mas para nos ensinar o caminho da libertação espiritual, fonte de paz e alegria interior.
O resto é trabalho sujo e aprisionador das sombras.
Se os Sacerdotes, dirigentes de centros, não se abrem para a realidade de que não existe solução para as mazelas de sofrimento e dor senão na reforma interior, íntima, nos caminhos do evangelho de Jesus, a Umbanda será mistificada, como já o é, produzindo pessoas desajustadas, ignorantes e perturbadas pelas falácias e ilusões de uma ação espiritual advinhatória e mágica.
Sem a ciência, a religião se torna um conjunto de crendices e superstições aonde se amontoam espíritos sombrios que se afinizam com tal.
Não adianta se falar em Ogum, festejá-lo e etc, se não se quer ouvir os seus clarins conclamando os umbandistas à vivência da lei, lei de Deus, lei do conhecimento, lei do equilíbrio, lei que nos aponta pela espada sagrada o caminho em direção à luz.
A Umbanda não é espetáculo, o Templo Umbandista não é casa de festas ou clube de amigos, muito menos é casa de adivinhação e consulta. é uma igreja, casa religiosa, onde os médiuns(sacerdotes) e guias (amigos do plano espiritual) se juntam para um trabalho crístico, ou seja, evangelizador.
O surgimento da umbanda no brasil tem suas raízes na proposta idealizadora do caboclo das sete encruzilhadas que assim se exprimiu: “venho fundar uma nova religião cuja base é o Evangelho e o mentor maior, o Cristo”. (grifo nosso)
Para mim, aí está aí a realidade profunda da mensagem da religião umbandista. O resto é frivolidades, festas, superstições e crendices sem bases racionais e vivenciadas.
Nós, os sacerdotes dirigentes e presidentes de Templos Umbandistas, temos o dever de abrir os olhos para essas coisas, pois seremos responsabilizados pela Espiritualidade Superior por tantas e tantas pessoas que frequentem os templos e sejam induzidas ao erro, à superstição, à crendice, por pua vaidade e orgulho de seus dirigentes.
Acredito, na minha humilde opinião, que as Federações e Congregações Umbandistas, em vez de alimentarem essas fantasias e ignorâncias com festinhas e eventos, que sempre terminam em brigas e rixas dos senhores doutos da ignorância e das historias de carochinhas, deveriam fazer um trabalho doutrinador e esclarecedor sério, com os Templos de Umbanda e seus dirigentes, quer agrade, quer desagrade, como diz Paulo, o Apóstolo, lembrando-se da afirmação do Dr. Bezerra de Menezes:” se falam de você se jogam pedra em seu trabalho, é porque você desagradou aos maus, pois os bons jamais destroem”.
Não podemos abrir Templos Umbandistas para agradar a a, b, ou c, que buscam apenas preencher seus vazios, na cegueira  da busca de soluções mágicas e, portanto, mentirosas, de suas mesquinhas necessidades materiais e emocionais.
Lembremos que “a umbanda não faz milagres, faz caridade”, e que ela, “a umbanda é coisa séria para gente séria” (Caboclo Mirim).
Como dizia Jesus “quem tem ouvidos de ouvir, que ouça”.
Infelizmente muita gente tem ouvidos, mas não escutam, porque não têm interesse em escutar e buscam acreditar naquilo que lhes interessa, não naquilo que é a verdade e a lei da vida, e “conhecereis a verdade e ela vos libertará”, diz o mestre Jesus.
Abraços fraternos


Pai Valdo


Livro dos Médiuns – Allan Kardec e Espíritos Superiores
336. Não esqueçamos que o espiritismo tem inimigos interessados em obstar-lhe a marcha, aos quais seus triunfos causam despeito, não sendo os mais perigosos os que o atacam abertamente, porém os que agem na sombra, os que o acariciam com uma das mãos e o dilaceram com a outra. esses seres malfazejos se insinuam onde quer que podem fazer mal. como sabem que a união é uma força, tratam de a destruir,agitando bordões de discórdia.
Quem, desde então, pode afirmar que os que, nas reuniões, semeiam a perturbação e a cizânia não sejam agentes provocadores, interessados na desordem? sem dúvida alguma, não são espíritas verdadeiros, nem bons; jamais farão o bem e podem fazer muito mal. ora, compreende-se que infinitamente mais facilidade encontram eles de se insinuarem nas reuniões numerosas, do que nos núcleos pequenos, onde todos se conhecem. graças a surdos manejos, que passam despercebidos, espalham a dúvida, a desconfiança e a desafeição; sob a aparência de interesse hipócrita pela causa, tudo criticam, formam conciliábulos e corrilhos que rompem a harmonia do conjunto; é o que querem.
Em se tratando de gente dessa espécie, apelar para os sentimentos de caridade e fraternidade é falar a surdos voluntários, porquanto o objetivo de tais criaturas é precisamente aniquilar esses sentimentos, que constituem os maiores obstáculos opostos a seus manejos. Semelhante estado de coisas, desagradável em todas as Sociedades, ainda mais o é nas associações espíritas, porque, se não ocasiona um rompimento gera uma preocupação incompatível com o recolhimento e a atenção.
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306. Médiuns interesseiros não são apenas os que porventura exijam uma retribuição fixa; o interesse nem sempre se traduz pela esperança de um ganho material, mas também pelas ambições de toda sorte, sobre as quais se fundem esperanças pessoais. E esse um dos defeitos de que os Espíritos zombeteiros sabem muito bem tirar partido e de que se aproveitam com uma habilidade, uma astúcia verdadeiramente notáveis, embalando com falaciosas ilusões os que, desse modo, se colocam sob a sua dependência.
Em resumo, a mediunidade é uma faculdade concedida para o bem e os bons Espíritos se afastam de quem pretenda fazer dela um degrau para chegar ao que quer que seja que não corresponda às vistas da Providência. O egoísmo é a chaga da sociedade; os bons Espíritos a combatem; a ninguém, portanto, assiste o direito de supor que eles o venham servir. Isto é tão racional, que inútil fora insistir mais sobre este ponto.
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303. "Os Espíritos vos vêm instruir e guiar no caminho do bem e não no das honras e das riquezas, nem vêm para atender às vossas paixões mesquinhas. Se nunca lhes pedissem nada de fútil, ou que esteja fora de suas atribuições, nenhum ascendente encontrariam jamais os enganadores; donde deveis concluir que aquele que é mistificado só o é porque o merece.
"O papel dos Espíritos não consiste em vos informar sobre as coisas desse mundo, mas em vos guiar com segurança no que vos possa ser útil para o outro mundo.
Quando vos falam do que a esse concerne, é que o julgam necessário, porém não porque o peçais. Se vedes nos Espíritos os substitutos dos adivinhos e dos feiticeiros, então é certo que sereis enganados.
"Se os homens não tivessem mais do que se dirigirem aos Espíritos para tudo saberem, estariam privados do livre-arbítrio e fora do caminho traçado por Deus à Humanidade. O homem deve agir por si mesmo. Deus não manda os Espíritos para que lhes preparem a estrada material da vida, mas para que lhe preparem a do futuro."
a) Porém, há pessoas que nada perguntam e que são indignamente enganadas por Espíritos que vêm espontaneamente, sem serem chamados.
"Elas nada perguntam, mas se comprazem em ouvir, o que dá no mesmo. Se acolhessem com reserva e desconfiança tudo o que se afasta do objetivo essencial do Espiritismo, os Espíritos levianos não as tomariam tão facilmente para joguete."
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