quinta-feira, 19 de abril de 2012

O perdão como instrumento modificador do carma

          A verdadeira fé reside em crer naquilo que não é visível ou palpável do contrário  estaríamos simplesmente exercendo a ação de acreditar em alguma coisa baseado no uso da racionalidade. Sendo assim, como explicar que tantas pessoas pelo mundo afora creem que estamos sujeitos ao mecanismo da roda reencarnatória a fim de expurgarmos nossos erros através do ajuste de contas com a Lei Maior se não guardamos registro de nossas vivências pretéritas? Para que haja justiça e sinceridade em nossos atos  que poderão auferir créditos para que nosso espírito siga evoluindo, nossa memória espiritual vem deletada de nosso cérebro físico que somente pode registrar  fatos que ele presenciou nesta vida, ficando os arquivos pregressos armazenados em nossos corpos espirituais. Porém em determinado momento de nossa jornada enquanto encarnados podemos começar a experimentar uma sensação de vazio existencial e a vivenciarmos experiências parecidas com “déjá vu”, aquelas em que temos a nítida impressão de já ter vivenciado antes. É o entendimento espiritual se fazendo anunciar e fragmentos de nossa memória espiritual que escoam ao cérebro físico seja por intervenção do plano astral para que se viabilize este nosso despertar espiritual, seja por nossas próprias ações meritórias que vão impulsionando nossa caminhada evolutiva.
        É preciso ter a compreensão de que sendo a Terra uma escola para expiação dos erros pretéritos e direcionamento evolutivo, encontram-se encarnados simultaneamente espíritos nos mais diversos estágios de caminhada, alguns com um número muito maior de encarnações em relação a outros. Isto, porém, não garante aos mesmos um maior entendimento da Lei Cármica em relação a outros com número menor de vivências na carne, importando também para isto o aproveitamento tido em cada uma destas oportunidades e o quilate moral de cada espírito. Desta forma, esperar que todas as pessoas tenham os mesmos tipos de crenças ou que exerçam a fé de maneira semelhante seria como esperar que uma criança tivesse as mesmas atitudes de um adulto, fato que já vem ocorrendo com parte das gerações que estão reencarnando, espíritos já mais evoluídos  e que serão responsáveis pelo refinamento espiritual da Terra.
        Nenhuma ação fica sem reação e tudo aquilo que plantamos certamente colhemos, ou como disse Jesus: “toda criatura terá que pagar até o último ceitil”. Precisamos ter o entendimento de que somos responsáveis pelo total de todas as perturbações que ocasionarmos aos outros e que uma só atitude pode ter desdobramentos múltiplos, envolvendo inúmeras pessoas muitas vezes em escala geométrica e por todos estes que porventura vierem a sofrer algum tipo de prejuízo responderemos junto a contabilidade sideral. Estes mesmos irmãos a quem prejudicamos adquirem o direito pela Lei Maior de se tornarem nossos algozes a fim de que paguemos pelos erros cometidos, cabendo a eles o livre arbítrio de decidir como utilizarão este direito, se pagando na mesma moeda e criando assim um ciclo interminável de reajustes ou optando por seguir os ensinamentos do Mestre Jesus, interrompendo assim estas ligações e liberando seus espíritos para seguirem na caminhada em direção ao Pai. Também disse Jesus: “se teu adversário obrigar-te a andar uma milha, vai mais uma com ele e, se te tirar a capa, larga-lhe também a túnica.”. A única maneira de nossos espíritos se libertarem do mecanismo reencarnatório é através do sacrifício no sentido de doação incondicional e do perdão sincero para com nossos desafetos ou algozes.
        O planejamento cármico não é algo imutável e nem todos aqueles acontecimentos redentores que planejamos junto aos engenheiros siderais terão necessariamente que ocorrer para que nosso espírito compense os erros anteriormente praticados. O caminho para a transformação de nosso roteiro de provações depende simplesmente de seguirmos um único “script”, aquele que foi legado pelo Evangelho de Jesus. O exercício da caridade e o do perdão incondicional é o mais poderoso mecanismo para fazer pender a nosso favor a balança da justiça Divina. O sacrifício abnegado para a melhoria do mesmo mundo para o qual contribuímos para perturbar permite que possamos ir diminuindo paulatinamente a quantidade do mal que tenhamos anteriormente praticado. A cada ação benfeitora corresponde a anulação de uma ação negativa já praticada em igual proporção.
        Não é de outra forma que agem os espíritos de luz chamados protetores ou guardiões que podem bem ser espíritos dos quais fomos algozes em nosso passado espiritual e que uma vez  tendo adquirido a clareza do entendimento evolutivo optam por zelar justamente por aqueles que tanto mal podem ter lhes causado. Aproveitando a lição passada por um preto velho a um consulente      (e a mim): “Perdoar da boca para fora é algo muito fácil, o difícil é vibrar este perdão do fundo do chacra cardíaco, deixando fluir por ele a verdadeira misericórdia ensinada pelo Mestre Jesus”.
        Certamente não existe sensação mais redentora e sublime para qualquer espírito seja encarnado ou desencarnado do que conseguir olhar nos olhos do seu pior desafeto e pedir perdão por todo o mal que possa ter lhe feito nesta ou em outra vida e que porventura possa ter lhe prejudicado, mas somente quando isto é feito realmente sentindo por este irmão uma ínfima fração do amor que Jesus sentiu por toda a humanidade.

Interpretação pessoal e fragmentos do livro “A Vida Além da Sepultura” - Ramatís

Adriano - Médium do Triângulo da Fraternidade
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