segunda-feira, 9 de março de 2015

SERÁ QUE TENHO CURA? UM CAUSO DE CONVERSA DE TERREIRO.




      Era noite de Caboclos. 
      O que significa que a sessão de caridade estaria ocorrendo com as falanges de caboclos, entidades que se apresentam como várias personas representando silvícolas, sertanejos, boiadeiros, verdadeiros representantes do homem simples, do interior deste Brasil e que não são acolhidos nas casas ditas espíritas ortodoxas, por serem considerados espíritos inferiores. Quando na verdade, sob a figura simples e humilde, escondem-se na maioria das vezes, espíritos de luz e sabedoria, que vem para aliviar o sofrimento dos filhos aflitos, que buscam a palavra amiga e sábia destes irmãos. 
      E que amorosamente acolhidos na Umbanda prestam verdadeiro e desinteressado serviço, nos exércitos do Cristo, trazendo consolo e evangelizando o povo humilde e muitas vezes afastado dos serviços de saúde física ou mental constituídos oficialmente no país, por serem deficitários ou muito caros, portanto de difícil acesso a maioria da população.
      Sem falar na falta de informação que ainda campeia, entre as massas adormecidas e completamente anestesiadas, em relação ao momento de transição que estamos passando.
      Seres que andam pelo mundo sem saberem o que exatamente estão fazendo, enterrados no consumismo imediatista, sem a preocupação de pelo menos tentar compreender quem são e o que vieram fazer, aqui e agora. 
       Pessoas que apenas se preocupam em criticar, reclamar, maldizer a tudo e a todos, fofocar... E pior, não leem um bom livro, não se instruem espiritualmente, muitas vezes ficam horas e horas em frente aos televisores, entretidos com programas sem nenhum conteúdo, que não elevam, não agregam valores.
      Os caboclos, entidades amorosas, simples e diretas, falam pouco e se solidarizam com as dores dos filhos que os procuram, sem, entretanto se tornarem piegas ou paternalistas. Orientam, acolhem, aconselham e levam o consulente a buscar o equilíbrio e as soluções dentro de si. 
      Eis então que uma mulher jovem, bem cuidada, vestida de acordo com a moda vigente na estação, aproxima-se do (a) médium, que estava irradiado (a) por um caboclo amoroso, pedindo ajuda e orientação.
     Estava ela vivendo um momento de grande angústia em sua existência e já não sabia mais a quem recorrer, sendo, portanto uma infortunada e desprovida de sorte, sentindo-se abandonada por Deus.
      Após ter recebido o passe e a limpeza que o caboclo fizera, na tentativa de eliminar os fluidos densos e pesados, viscosos que se agregavam aos seus corpos espirituais. E desmanchado as formas pensamentos que se grudavam em suas costas, causando a sensação de carregar o mundo nos ombros, pode ela respirar mais aliviada, porque estava momentaneamente livre de tais energias deletérias.
      Eis que repentinamente, com um solavanco para frente e um giro rápido inicia um processo de incorporação sem controle devidamente registrado pelo cambono que imediatamente veio ajudar a socorrê-la, evitando assim que se machucasse e “atropelasse” aos demais frequentadores que também recebiam naquele momento ajuda e orientação.
      Refeita e passado o susto, porém ainda tremendo, com o rosto pálido, passou a relatar que estava ali em busca de solução para o seu “caso”.  Estava cansada de recorrer a várias casas de religião e afins, tendo feito e pago por todo tipo de serviço, que prometiam curá-la e nada surtia efeito. Que passado um tempo o ”mal” voltava a acometê-la. Sua saúde estava ficando comprometida, já não tinha mais sossego na vida. A qualquer hora do dia ou da noite e nos mais diversos lugares... Acontecia. 
      Ela falava... Falava... Queixava-se... Mas não dizia qual era o problema que a afligia...
     Quando questionada sobre qual o verdadeiro motivo de estar ali, buscando orientação e como poderiam ajuda-la, respondeu nervosa:
- Ora, é esta tal de mediunidade! Não aguento mais!
- Não quero saber! É um incômodo!
- Não quero compromisso com espíritos que não conheço, nem sei quem são!
- Não quero saber de espíritos!
- Ajude-me, por favor!
- Pago a quantia que me pedirem desde que tirem isto de mim!
- Faço qualquer coisa para me ver livre!
      Buscava assim de casa em casa, de terreiro em terreiro, centro espírita em centro espírita, casa de nação em casa de nação, não importava o lugar, livrar-se de um compromisso que assumira antes de reencarnar, para ajudar a si mesma a dar um passo em direção a sua evolução espiritual e quem sabe acertar contas com a contabilidade divina.
       Assim como muitos de nós, tentava da maneira mais fácil livrar-se de algo que para ela constituía-se num problema, pois não queria assumir um compromisso do qual não lembrava e certamente não aceitava por julgá-lo um fardo a mais em sua vida.
      Tempo precioso e talvez mais uma encarnação desperdiçada, para quando do seu desencarne dar-se conta do terrível engano que cometeu ao não aceitar o chamado para trabalhar e aperfeiçoar-se na lavoura do mestre Jesus.
      Lições de vida e preciosos ensinamentos que nos são repassados pelas amorosas entidades que fazem e sustentam o verdadeiro trabalho de assistência espiritual nas casas onde se pratica a verdadeira caridade.

CONVERSA DE TERREIRO
http://livrariadotriangulo.com/     
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