quinta-feira, 26 de fevereiro de 2015

Intuição e incorporação...


PERGUNTA: — Poderíamos considerar o médium intuitivo como um tipo exatamente oposto ao de incorpora­ção? Ambos não representam os dois tipos clássicos de médium "consciente" e de médium inconsciente, situados, portanto, em extremos completamente opostos?
RAMATÍS: — A escala da faculdade mediúnica é muito extensa e variada. O médium, que é também um indivíduo senhor de vasta ou reduzida bagagem psíquica milenária, está sempre presente animicamente e com o seu acervo pes­soal na comunicação mediúnica dos desencarnados. É difi­cílimo, pois, encontrar dois médiuns cuja moral, tempera­mento, cultura ou poder mental coincidam rigorosamente entre si e, por isso, produzam comunicações perfeitamente semelhantes. Mesmo quando se trata de médium de incor­poração completa, e inconsciente, a sua bagagem psíquica e a contextura de sua individualidade espiritual sempre influem nas comunicações mediúnicas, impondo certa pecu­liaridade pessoal do mesmo. Só em caso de morte física é que o espírito se desliga completamente do corpo carnal, que passa a ser o "cadáver" absoluto, o corpo sem vida e sem qualquer possibilidade de influir exteriormente.

O perispírito do médium, que é a matriz ou o molde ori­ginal do corpo físico emprestado ao espírito desencarnado manifestante, embora conserve-se a longa distância, assim mesmo influi, de onde se encontra, deixando transparecer na comunicação suas características psíquicas já condicio­nadas no pretérito. O espírito comunicante utiliza-se do corpo do médium como se encontrasse a casa livre para habitar, tal como já vo-lo explicamos; mas o seu tempera­mento, cultura ou costumes só poderão se manifestar para o exterior através dos "móveis" do dono da casa ou seja das peculiaridades do médium ausente.
A faculdade intuitiva e a de incorporação não podem ser consideradas dois ladrões exclusivos de mediunidade opostas entre si, porque tanto o médium intuitivo como o de incorporação podem variar em sua manifestação mediúnica, revelando alguns matizes opostos e incomuns à sua própria faculdade habitual. O intuitivo, algumas vezes, pode comu­nicar em transe sonambúlico parcial, embora isso, não seja freqüente, e o médium incorporativo também é sujeito a interpolar na sua manifestação mediúnica algo da faculdade intuitiva. Durante o exercício mediúnico podem surgir fato­res ou circunstâncias que favorecem no médium a predomi­nância de certo matiz mediúnico diferente do que lhe é comum; assim como, devido ao seu progresso espiritual, ele também alcança novos ensejos de melhoramento psíquico na sua tarefa de comunicação com o mundo oculto.
Em geral, os médiuns intuitivos, às vezes, são incorpo­rativos, enquanto outros nos quais predomina a faculdade incorporativa, acidentalmente também podem comunicar intuitivamente.
A diferença é que o médium intuitivo lembra-se de todos os pensamentos que lhe foram comunicados pelos desencar­nados, enquanto o de incorporação é inconsciente, pois o seu perispírito afasta-se durante a manifestação mediúnica. No entanto, o próprio médium de incorporação — que durante as comunicações dos espíritos desencarnados é inconsciente daquilo que se torna intermediário — mais tarde recorda-se de algo das idéias que transitaram por si.

Do livro MEDIUNISMO.
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