domingo, 19 de outubro de 2014

Na hora da morte, minha vida valeu a pena??? Refletindo com NANÃ!!!


" Venho saudar a dona da terra para que ela me proteja "

Nanã cede a lama, mas a quer de volta .

Conta uma lenda que quando Olorum encarregou Oxalá de fazer o mundo e modelar o ser humano, Ele tentou vários caminhos.
Tentou fazer o homem de ar, como ele.
Não deu certo, pois o homem logo se desvaneceu.
Tentou fazer de pau, mas a criatura ficou dura.
De pedra, mas ainda a tentativa foi pior.
Fez de fogo e o homem se consumiu.
Tentou azeite, água e até vinho de palma, e nada.
Foi então que Nanã veio em seu socorro e cedeu à Oxalá a lama, o barro do fundo da lagoa onde morava ela, a lama sob as águas, que é Nanã.
Oxalá criou o homem, o modelou no barro.
Com o sopro de Olorum ele caminhou.
Com a ajuda dos Orixás povoou a Terra.
Mas tem um dia que o homem tem que morrer.
O seu corpo tem que voltar à terra, voltar à natureza de Nanã.
Nanã deu a matéria no começo mas quer de volta no final tudo o que é seu .
Nanã é uma divindade ligada ao princípio de tudo. A deusa cercada dos mistérios, do duvidoso; quando Odudua separou a água parada (que já existia) da terra (retirada do saco da criação), formou-se a lama e os grandes pântanos. E é lá, o local de maior fundamento desta Orixá.
Nanã é considerada o princípio, o meio e o fim. Pois ela é a dona do barro, e o barro é a vida. Fomos formado dele e para ele voltaremos.
Nanã sintetiza em si, a morte. E por isto, está muito relacionada à passagem da vida para a morte. Juntamente com Oxalá, Obaluê e Oyá.
Por estar presente desde a criação do mundo, é considerada a orixá mais velha do panteão cultuado. Em um, dos vários títulos dados a esta divindade existe o Ìyá Agbá (mãe antiga); ela é a mãe de Obaluaê...
A vida está cercada de mistérios. Um deles, é a morte! Ninguém compreende de fato a morte. Nanã se apresenta juntamente com outros orixás nessa incógnita natural da vida.
Ela é a água parada, a água da vida, a água da morte. Nanã se apresenta também nos barros, nos lamaçais, nos grandes pântanos, onde pairam o medo e a incerteza.
Para aqueles que encaram a morte como algo negativo, Nanã pode ser a triste e angustiante lembrança da morte. Para aqueles que encaram a morte como algo normal e inevitável, Nanã se apresenta como a resposta para a incerteza e a certeza da imortalidade de nossa essência espiritual.
É no momento da morte que o homem encontra resposta para dúvidas que lhe cercava durante toda a vida. É no momento da morte, que aquele que não se conectou com o divino durante toda a vida, acha a linha de conexão.
É ali que também se apresenta Nanã. Que na hora da morte, se apresenta o renascimento e a certeza de uma posterior continuação. Nanã é a deusa da lama, da chuva, da terra, do barro primitivo que se deriva em tantas outras coisas.
É o elemento sólido tão desvalorizado corriqueiramente, embora tão valioso e importante! Com passos lentos, quase rastejantes, Nanã chega na linha do encontro entre a vida e a morte, para trazer todos os seres humanos no exato momento de sua partida.
É a grande mãe que acompanha de longe o crescimento dos filhos.
Que sua natureza nunca nos deixe. Que possamos crescer firmes, sem esquecer de nossas origens. E também, na hora que Nanã receber o material que emprestou para a formação do nosso corpo, se orgulhe e diga:

"Esse , valeu a pena."
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