segunda-feira, 10 de março de 2014

O "barco" de Iemanjá e Oxum - relato de vivência mediúnica na casa de Umbanda.




     Como é de praxe após o término dos atendimentos públicos no Grupo de Umbanda Triângulo da Fraternidade, onde eu trabalho como médium, iniciam os cantos e toques para a limpeza energética dos membros da corrente e da casa em geral, retirando energias residuais dos atendidos e recolhendo entidades necessitadas de socorro e orientação. Durante um tempo que pode variar de trinta a sessenta minutos os atabaques ressoam e evocam-se os Orixás e as falanges correspondentes para os objetivos traçados pela direção espiritual e antecipadamente comunicados ao Diretor e Zelador responsável pela mesma.   
     Durante a louvação daquela noite as Grandes Mães das águas salgadas e doces, Orixás Iemanjá e Oxum, se apresentaram à minha visão, de forma que as duas estavam na proa de um mesmo barco em alto mar cujas águas estavam serenas.  Mas o interessante e que me chamou a atenção em desdobramento era que correntes de água salgada e água doce, entrelaçavam-se por debaixo do barco sem, entretanto misturar-se e o barco estava iluminado com uma luz azul de suaves nuances douradas e prateadas, clareando tudo ao redor, acompanhado de perto por legiões de criaturas pertencentes aos dois reinos, cada qual circulando no meio das suas respectivas águas, serenamente, num balé e numa policromia admirável. Falanges de espíritos reverenciavam as duas Orixás emitindo sons característicos a silvos e assobios, numa espécie de canção incompreensível para humanos. Ao redor deles a mais negra e aveludada escuridão cobria tudo e o barco tremeluzia no espetáculo feérico afastando-se lentamente do meu campo de visão. 
         Quando já estava em casa se me preparando para o sono benfazejo relembrei as cenas vistas durante o trabalho da noite e os sons vieram claros a minha  mente, parecendo a linguagem dos "deuses", apesar de nunca ter ouvido algo parecido com a voz deles, soavam como velhos conhecidos de indecifráveis priscas eras, guardados no mais profundo e impenetrável inconsciente. Sinalizando que estavam ali, arquivados, para ressuscitar em alguns momentos de acordo com os acontecimentos do dia a dia, lembrando que somos parte de algo maior, tão grande e tão perfeito que não conseguimos sequer imaginar como se processa. As origens e os mistérios da criação estão reservados para espíritos de escol e ajudantes divinos, seres que já atingiram alto grau de evolução e colaboram na tarefa de criar e despertar a vida em mundos primevos.  
             Adormeci e do mais profundo de meus sonhos ouvia os sons dos reinos das águas doces e salgadas, num convite suave para penetrar nos "mistérios" que certamente não relembraria ao acordar. E no suave encanto,  embalo e canto daqueles seres iluminados deixei-me conduzir sob a guarda fraterna dos amigos espirituais. 


Narrativa de uma vivência com os Orixás - por uma médium do GUTF.

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