sexta-feira, 28 de fevereiro de 2014

Estudo da Umbanda - Mandingas de Aruanda.


"Perguntas e Respostas Pelo Espírito de Vovó Benta - Mandingueira de Aruanda."

Médium Leni - Dirigente do Templo Vozes de Aruanda - Erechim - Rio Grande do Sul - Regência de Xangô.

1. Vovó Benta, como a senhora definiria a Umbanda?
VOVÓ BENTA: É nossa casa, zi fio...eh.eh. UM com a BANDA. A religião que renasce em terras brasileiras na tentativa que, em tempo, a espiritualidade faz de “reunificar” os ensinamentos sagrados que se fragmentaram através dos tempos. É o resgate da magia dos grandes mestres ancestrais que nela se apresentam na simplicidade dos espíritos guias e protetores, usando a mediunidade dos encarnados.

2- E qual é seu objetivo aqui na terra?
VOVÓ BENTA: É de alentar, ensinar e socorrer os espíritos residentes no planeta Terra neste momento ( mundo físico e astral ) enfraquecendo assim as forças trevosas, visando a melhoria da vibração e a evolução dos seres.

3. Isso não é realizado pelas outras religiões?
VOVÓ BENTA: Todas as religiões foram criadas com o objetivo de auxiliar na evolução da humanidade, mas a maioria delas se perdeu no caminho do materialismo, graças ao orgulho dos homens. É o “religare” que tenta subsistir no tempo. A Umbanda por ser universalista, abrangente e não dogmática, caracterizada pela simplicidade nas formas de apresentação e tendo como ferramenta o mediunismo, herdado principalmente por aqueles que precisam consertar erros pretéritos dentro da magia, torna-se ferramenta útil e apta à necessidade presente do planeta.

4. Por que ela foi criada, se já havia nesse tempo tantas outras religiôes?
VOVÓ BENTA: Justamente porque a maioria das outras se perderam no caminho, tornando-se elitizadas e dogmáticas. Então, num esforço supremo as Hostes de Luz, os Grandes Magos Brancos orientados pelos Sagrados Orixás fizeram descer às terras do Cruzeiro a orientação do Caboclo das Sete Encruzilhadas, desmistificando os “mistérios” que envolviam, até então, as religiões existentes e deturpadas. A Umbanda veio de modo simples para alcançar o coração dos simples, dando-lhes oportunidade da religação com o Criador.

5. Sendo assim, a umbanda pode ser considerada uma evolução das outras religiões?
VOVÓ BENTA: A Umbanda não é mais que nada, é apenas um caminho.Tudo evolui, sempre. Nada está estagnado neste mundo de meu Deus, graças a Ele. Embora, as vezes ela ainda seja intitulada de “baixo espiritismo” por alguns filhos de Deus, a Umbanda é regida e dirigida do Alto por Espíritos Luminares, sob o comando direto dos Orixás que são as emanações do próprio Criador. Justamente por se apresentar aqui na terra de maneira tão simples, é que demonstra sua evolução, tentando assim sustentar a verdade que os homens insistem em desaprender: - o orgulho e o materialismo são as vendas que nos impedem de enxergar a luz. Entretanto é necessário que os filhos que labutam dentro da Umbanda não esqueçam que a evolução é contínua. Por isso se faz necessário a busca diária de aprendizado e crescimento.


6. Alguns umbandistas acham a Umbanda melhor do que outras religiões.
VOVÓ BENTA: Eh..eh...zio fio. Nega veia só pode dizer que não é isso que a os guias ensinam. Neste mundo, criatura nenhuma e nem nada que foi criado por alguma dessas criaturas é melhor que nada. Tudo o que existe “ainda” é necessário e está de acordo com a vontade de Quem tudo comanda. Cada filho de Deus está num patamar evolutivo diferenciado, mas isso não o diminui diante Dele. A maioria se encontra ainda na infância e por isso precisa de tutores que os guiem, eduquem e sustentem em suas necessidades. Esses educadores são as religiões que dentro de suas peculiaridades atraem para suas fileiras, os afins com seus ensinamentos. Ninguém pode se arvorar da verdade, pois isso é de foro íntimo e o que hoje para mim é a verdade, ontem contestei e até abominei. Todos nós, nessa caminhada, já passamos por várias religiões, raças e países e só por isso evoluímos.

7. Mas filhos de outras crenças a criticam, achando-a menos evoluída.
VOVÓ BENTA: A evolução não se apresenta na forma como pressupõe alguns. A julgam assim baseados na sua simplicidade. Apesar de que essa ““nega veia” nas suas andanças pelos terreiros desta amada terra, por vezes fica entristecida com o que presencia em alguns médiuns que se denominam umbandistas e que em nome da Umbanda cometem certos enganos. Tudo isso porque o homem é falível no seu latente orgulho e materialismo. Talvez na visão generalizada de quem olha de fora, ainda se conceitue o todo por esses deslizes de alguns.Por isso e para que isso mude, urge que os filhos de fé que labutam nas fileiras da nossa sagrada Umbanda, saiam do casulo da ignorância e se habilitem à evolução, estudando, se informando, se atualizando e sobretudo se transformando através da reforma íntima.Nenhum canal sujo transporta água limpa sem a contaminar.

8. Vovó Benta, poderia nos falar sobre “evolução”?
VOVÓ BENTA: É a linha reta que iniciamos lá atrás, quando da nossa criação ainda em outros reinos. É a sucessão de erros e acertos que nos leva ao aprendizado senão pelo amor, mas pelo burilamento da dor. É a nossa passagem por todos os estágios necessários, deles saindo sempre melhores em algo e assim melhorando o mundo ao nosso redor.

9. Pode-se medir a evolução de uma religião pelas atitudes de seus membros?
VOVÓ BENTA: Com certeza, pois quem faz a religião são seus membros participantes, os homens. Assim sendo, homens que se melhoram por conseqüência transformam para melhor o ambiente onde estagiam. Sem repulsa aquilo que já me serviu de rumo em várias vivências, mas apenas citando como exemplo, vejam o chamado Cristianismo, nome esse que uma religião se apoderou na tentativa de se apoderar do próprio Cristo. Estagnou sua idéias que foram baseadas numa Bíblia deturpada pelos homens. Queimaram as verdades escritas e até os próprios seres que não concordavam com suas idéias, na tentativa de interromper a evolução, como também de permanência no poder. Séculos e nada mudou até então. Conserva-se a mentira sobre o espírito e sua sobrevivência, mas eles colhem por conseqüência, o esvaziamento de suas fileiras de adeptos, fadando ao extermínio da própria religião se não se dispuserem a tirar a venda dos olhos.

10. Vovó Benta, como poderíamos definir um “bom umbandista”?
VOVÓ BENTA: Eh..eh..zi fio! Quem é nega veia, um espírito falido que ainda tenta acertar o passo, para julgar quem é bom ou ruim? Mas como sou muito “inxirida” vou dizer aos filhos que toda vez que abraçamos uma causa, nossa obrigação é de sempre realizar o melhor em favor dela. Posso afirmar que não basta só acreditar nos Orixás, usar roupinha branca e rodar nas giras..eh.eh.eh. O coração do homem é quem define o que ele é, e se na Umbanda se ensina a prática da caridade, o amor e o perdão, isso deve fazer parte real na vida de quem faz parte dela. A melhor maneira de ensinar é através do exemplo e mesmo aquilo que se faz por trás das cortinas não fica invisível aos olhos de Deus. Ser bom, correto, honesto, justo e caridoso não é privilégio nem mérito, é obrigação de todos os homens. Muito mais de quem pregas esses preceitos.

11. Para sermos considerados “bons” teríamos que seguir à risca os ensinamentos contidos nos Evangelho de Jesus?
VOVÓ BENTA: Exatamente. Diria que essa é a definição que deveria se aplicar a todos os homens que vivem no planeta no atual estágio, uma vez que exemplos e ensinamentos não faltaram ao longo do tempo, através da descida à carne de tantos Espíritos Iluminados, dentre eles Mestre Jesus. O que falta ainda, e muito, é boa vontade, sabedoria e discernimento para sair deste estado caótico onde a maldade ainda impera, por força do egoismo e por isso a dor ainda busca ensinar.

12. Dentro da Umbanda, o título de mago, sacerdote ou ogã dá mais poder a quem o possui do que aos médiuns comuns?
VOVÓ BENTA: Os homens criam tantos títulos... O Pai os vê como filhos, vê vosso espírito simples e puro como Ele o criou. Essas máscaras que usam por aqui só servem para vos iludir...eh.eh.eh. Com títulos, alguns pensam que são mais importantes que os outros, o que só serve para inflar os egos e é nessa trilha que caminha o perigo da perdição. Para ser um bom umbandista, católico, evangélico ou qualquer outro religioso, deve-se cumprir com as obrigações e seguir os ensinamentos de sua religião. E nega veia sabe que todas ensinam a lei do amor. Os títulos que o seguidor vai adquirir dentro da Umbanda, deve servir apenas para organizar e dinamizar as atividades do local, nunca para engrandecer a ninguém. Como diz o ditado popular, quanto maior a altura, maior pode ser o tombo, eh.eh.eh... Os mais endividados diante das Leis é que precisam de fardo maior para carregar.

14. Porque a Umbanda se apresenta tão diferente dentro dela mesma?
VOVÓ BENTA: A Umbanda é universalista e não possui coodificação. Além disso, nasceu nesta abençoada terra onde a diversificação de cultura é grandiosa e pacífica. Essa riqueza toda contribuiu também para que fosse escolhida a “ terra do evangelho” como berço da Umbanda. O Caboclo das Sete Encruzilhadas quando se apresentou através de seu médium, determinou como seria essa nova religião em seus fundamentos e apresentação no plano material, mas ele mesmo sabia que seria impossível padronizar cada templo. Importante que se cumpra sempre, mesmo na diversidade de culto, a essência da Umbanda que é a caridade. Que ali se promova a lei do amor e que cada filho de fé que adentrar a esse templo, possa se melhorar, respeitando a vida de todos os seres que caminham com ele. Isso é o que a unifica.

15. Existe uma Umbanda pura ou melhor que as outras?
VOVÓ BENTA: Zi fio, a Umbanda é uma só. Um com a Banda! A diversidade de culto varia de acordo com as tendências dos filhos que trabalham e dirigem o local, advindos de outras religiões e que inevitavelmente trazem consigo e introduzem ali, seus aprendizados e preferências. Isso não diminui o mérito da caridade realizada através dos aparelhos mediúnicos, desde que essa diversidade não venha a ferir o respeito, a ordem e principalmente a Lei da Criação onde devem ser priorizados sempre e somente o “bem” de todos os seres vivos e da própria natureza. E quando isso não existir no culto, que seja dado a ele qualquer outro nome, mas não mais de Umbanda. A melhor prática de Umbanda, o melhor Templo é onde a Luz, e somente a Luz comanda.

16. Observamos nos dias atuais muita discussão entre os umbandistas no sentido de cada um defender suas verdades.
VOVÓ BENTA: Na visão dessa nega veia, ainda há muito para essas crianças aprenderem..eh.eh.eh. Cada piriluto tem uma cor e embora o sabor seja o mesmo, elas insistem em afirmar que o seu é o melhor. Vejo tanto médium com um potencial maravilhoso perdendo seu tempo em discussões estéreis quando poderia utiliza-lo para a caridade, querendo com isso apenas firmar seu ego. E isso, infelizmente e para a tristeza de seus mentores, é o caminho mais curto para a decadência, abrindo portas para o rebaixamento vibratório e conseqüentemente para o negativo. Disputas inúteis que devem ser evitadas, dando lugar ao diálogo fraterno. Os guias espirituais quando atuam irradiando seus médiuns, na orientação dos filhos de fé, constantemente estão a repassar lições de humildade. Quem fala é o primeiro a se escutar e quem orienta deveria ser o primeiro a exemplificar. Que ouça quem tem ouvidos de ouvir. E a quem pertence a verdade?

17. Essas discussões contribuem de alguma forma para o crescimento moral ou intelectual de seus participantes?
VOVÓ BENTA: Quando a discussão é pacífica e tem o objetivo do aprendizado sempre será saudável e produtiva. Porém quando recheada de orgulho, empáfia e egocentrismo, desrespeitando a maneira de pensar ou de agir da outra parte, se arvorando de dono da verdade, sempre estará arrecadando para o evento, energias iguais que se comprazem com a discórdia. Neste sentido há que se ter atenção. O crescimento moral e intelectual vem do esforço em nos melhorarmos dia após dia e isso inevitavelmente ainda inclui os entrechoques necessários entre nossos pares, desde que deles tiremos lições úteis.

18. Essa diversidade interna então prejudica a religião como um todo?
VOVÓ BENTA: Dependendo da forma de manifestação ela só virá enriquecer. Se olharmos não só na horizontal, mas verticalmente, ampliaremos nosso entendimento. Nenhum filho de fé pensa da mesma forma, todos são individualidades com conhecimentos e vivências diversas. E como os grupos são constituídos de homens com liberdade de pensamento e de ação, inevitável que as diferenças existam.Mesmo dentro da mesma facção, cada um terá uma história de vida, um nível evolutivo maior ou menor, o que faz com que se acentuem as diferenças. E elas devem servir para rever o que pode ser melhorado, sempre.

19. O que dizer das pessoas que vêem a Umbanda como um remédio para seus problemas?
VOVÓ BENTA: Anterior ao amor fraternal ou mesmo incondicional, é preciso que o homem aprenda sobre o amor egoísta. Amando-se, como o tempo aprende a amar o próximo e toda a humanidade como Jesus o faz. As pessoas que ainda buscam no atendimento amoroso oferecido pelos guias de Umbanda, um alento só para seus males, ainda estão estagiando dentro de si próprias, num mundinho individualista. Inconscientemente se sentem vítimas, endurecidas que estão dentro de sua limitada visão e precisam se curar disso. Tanto buscam e tanto ouvem a mesma orientação que um dia aprendem a lição e como se diz em Aruanda, às vezes quem vem buscar lã, sai tosqueado. É buscando ajuda própria que eles, sem perceber, estão desenvolvendo e educando seu amor fraterno. Pode ser um grande aprendizado para o despertamento na caridade.

20. Não seria de bom alvitre, evitar que essas pessoas continuassem buscando o atendimento, uma vez que estão viciadas e nada aprendem?
VOVÓ BENTA: Nega veia aconselha que eles sejam educados. É preciso que tenha quem eduque para que haja aprendizado e a Umbanda não é local para fenômenos; antes disso, é mais uma escola onde junto com o serviço do bem, se deve priorizar a educação. Aí entra a importância do estudo dentro dos Templos de Umbanda visando sempre esclarecer não só a corrente mediúnica como também os filhos que vem em busca de socorro. Orientação e incentivo ás boas leituras os fará despertar.

21. E quando essa dificuldade se dá nos próprios médiuns da corrente, como proceder?
VOVÓ BENTA: Como se procede com um filho em seus primeiros passos. Ensinar com paciência, ajudar a mudar o foco da visão, mostrar a importância do doar-se em detrimento de suas próprias necessidades. E como se faz a uma criança, depois da lição ensinada e exemplificada, se houver renitência no aprendizado, daí se deve aplicar o corretivo necessário que será determinado pelas leis que regem o local.

22. É mais grave para um umbandista ver a religião como um remédio curativo e não preventivo, do que para outra pessoa ?
VOVÓ BENTA: Zi fio, o umbandista é uma pessoa comum...eh.eh.eh. Nega véia não condena essa postura. Que seja remédio e não a doença. A Umbanda veio mesmo para alentar os desvalidos e faz isso de maneira simples através da benzedura do preto velho, da chamada à razão do Caboclo e da alegria das crianças que procuram mostrar a pureza que ainda existe no âmago de todos os filhos da terra. Claro, a melhor postura seria a conscientização de ambas as partes, os que trabalham na Umbanda e os que se beneficiam dela, no sentido de buscar ali a sua evolução, a sua religação com o Todo. Porém cada um tem sua maneira de buscar isso e muitos, como não aprenderam a evitar a doença, ainda precisam do remédio para cura-la. Cada um a seu tempo!

23. Por que a maioria das pessoas só vem buscar o milagre dentro da Umbanda?
VOVÓ BENTA: Por falta de conhecimento ou talvez oportunidade de aprendizado. Costumo falar aos filhos do terreiro que a Umbanda não faz milagres, faz caridade dentro do merecimento de cada um. Talvez esteja faltando conscientização disso ao povo que busca ainda nos guias espirituais o feitiço milagreiro e que, por mais triste que possa ser, seus olhos brilham de satisfação quando lhes pedem uma oferenda material ou lhes cobram valores monetários. Esclarecer é o remédio preventivo.

24. Trabalhar em nosso auto-aperfeiçoamento pode ajudar estas pessoas?
VOVÓ BENTA: Essa velha matraqueira costuma dizer que ninguém tem o poder de mudar o outro, mas pode e deve mudar a si próprio e que essa mudança seja sempre para melhor. Repito o que já falei: - A melhor maneira de ensinar é pelo exemplo. Todo dia quando nasce, nos fornece nova chance e quando termina, leva com ele aquilo que fizemos, irreversivelmente. Por isso, a encarnação é oportunidade ímpar de reajuste íntimo na escola evolutiva. Quanto antes vos aperfeiçoardes, antes saireis da roda reencarnatória. Mas enquanto nela estiverdes, abençoai o corpo físico que vos permite adquirir novos aprendizados e ao mesmo tempo drenar os desajustes cármicos de vosso corpo espiritual.

-Obrigada Vovó Benta pelos seus ensinamentos.

Sarava zi fio...agora nega veia precisa prosseguir, pois em outras bandas outros filhos a chamam.
Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...

Google analytics