quinta-feira, 26 de dezembro de 2013

Os orixás e a memória genética espiritual.


"Os mentores astrais da umbanda movimentam as energias dos orixás interferindo na sensibilidade do corpo astral a favor da evolução de seus pupilos. Cada orixá, em semelhança com os seus arquétipos e influências psicológicas humanas, se fará sentir no modo de ser do ente que volta à carne, impactando não só no psiquismo mas também no tipo de corpo afim com a energia que mais deve sobressair-se."



Pergunta: - Pedimos maiores elucidações sobre a memória genética espiritual.
Ramatís: - O homem é como se fosse um viajante solitário num enorme castelo que encontra num corredor sem fim inúmeros salões contíguos fechados. A cada porta que precisa abrir para entrar, deve despir-se da roupa que usa e colocar novas vestes que estão penduradas num cabide, no bali de entrada. Os novos trajes estão de acordo com o festim que participará em cada salão: podem ser as vestes de um príncipe ou os andrajos de um mendigo. Seu desempenho em cada nova festividade determinará a roupa que o espera no próximo cabide da existência. Assim é a memória genética espiritual que dinamiza o corpo astral (perispírito) entre as encarnações sucessivas. Dar-lhe-á a conformação afim às roupas que a personagem a ser vivida na confraternização de cada reencarnação precisa: de um exímio corpo deslumbrante a um anão sem pernas, a cada nova encenação a roupa se moldará segundo as obras a ser realizadas e de acordo com as construções erguidas anteriormente.


Pergunta: - Como se dá a influência da memória genética do perispírito na formação do novo corpo físico?
Ramatís: - Existe uma interatividade energética do corpo astral (perispírito) com a dinâmica gestacional, desde a fecundação. A mente do espírito reencarnante tem gravada no seu fulcro dinâmico (conhecido como mônada) todos os registros causais de atos passados que repercutem numa forte ação teledinâmica, formando potentes dínamos mentais e consequentes campos eletromagnéticos modeladores neste corpo plasmático que é o perispírito. Cada registro causal, que é adquirido ou criado em determinada encarnação passada, enfeixa-se vibratoriamente sob a matriz de influência energética de um orixá. Essa interação entre vidas sucessivas do veículo modelador perispirítico e os novos corpos físicos tem interferências mediúnicas das partes interessadas e responsáveis pela ação cocriadora, que se exaure nos canais da paternidade e da maternidade terrenas. De regra, esses acontecimentos se dão em nível inconsciente entre os envolvidos nas diferentes fases que compõem o processo palingenésico, desde a etapa de escolha dos genitores, que antecede à fecundação biológica, prossegue durante a gestação e o nascimento e se prolonga em maior ou menor frequência, em maior ou menor intensidade, entres os pais, filhos e irmãos, nas condições e circunstâncias cármicas requeridas, até por volta dos sete anos de idade do reencanante, quando finalmente o corpo astral modelador se acopla definitivamente ao novo corpo físico.

Pergunta: - Como são os fatores intervenientes nesse processo mediúnico de interação entre os campos eletromagnéticos organizadores do perispírito que interferem na genese orgânica do corpo que se formará?
Ramatís: - Os fatores intervenientes são autorizados dentro da mais absoluta justiça e da conformidade com as experiências que o espírito reencarnante deverá obter em sua nova vida. Obviamente, a análise de todos os fatores intervenientes (família, raça, condição sócio-econômica, local de nascimento, religião dos pais etc) ultrapassa sobejamente o processo de organogênese do corpo físico. Por sua vez, a anatomia sutil se compõe de maiores complexidades pela interação necessária de outros corpos energéticos que envolvem o fulcro do espírito, a sua mônada, mas no momento não é prudente nos aprofundarmos nisso sob pena de tornarmos o tema por demais complexo e eletivo a poucos cidadãos. Importa esclarecer que os meandros energéticos das individualidades reencarnantes, em suas nuances extrafísicas, causadas por atos em vidas passadas na matéria, favorecem a criação de certos campos de força no perispírito que se instalarão no corpo bioplasmático acoplado no embrião que, por sua vez, formará o futuro corpo físico durante a gestação. A intervenção pelos arquitetos e engenheiros cármicos se dá para que sejam rigorosamente cumpridas as experiências cármicas necessárias à evolução do espírito.

Pergunta: - Existem intervenções para que a influência dos orixás no corpo astral do reencarnante que será médium seja diminuída e aumentada perante às exigências de bem cumprir os imperativos naturais da vida, como diz o aforismo popular "aqui se faz aqui se paga"?
Ramatís: - Os mentores astrais da umbanda movimentam as energias dos orixás interferindo na sensibilidade do corpo astral a favor da evolução de seus pupilos. Obviamente, tais manipulações energéticas são sinérgicas ao estabelecimento do plano cármico do reencarnante, tendo em vista os objetivos educativos das experiências a serem vividas na carne. Assim, se um determinado espírito reencarna e será médium de cura, sua sensibilidade se ajustará de acordo com as tarefas que for desempenhar, ligadas aos orixás que regem os processos curativos e das doenças. Cada orixá, em semelhança com os seus arquétipos e influências psicológicas humanas, se fará sentir no modo de ser do ente que volta à carne, impactando não só no psiquismo mas também no tipo de corpo afim com a energia que mais deve sobressair-se.
Múltiplas operações magnéticas espirituais são realizadas nas Intervenções que se fizerem necessárias no perispírito, que será O modelo organizador biológico do corpo físico que se formará. Estabelecido o plano de trabalho que é justo ao reencarnante, ele sofre, antes de aproximar-se dos futuros pais, complexas intervenções energéticas que ocasionarão certas especificidades vibratórias em sua futura tela etérica, espécie de teia de proteção que será construída no duplo-etéreo quando da formação do corpo físico. Assim, em obediência aos ditames maiores de equilíbrio, cirurgicamente, os chacras astralinos do futuro medianeiro são alterados em seus giros, velocidade e frequências vibratórias para que se ajustem às ondas eletromagnéticas dos orixás que os influenciarão. Esses vórtices energéticos servirão de pára-raios para o acoplamento dos guias que acompanharão as tarefas do médium enfeixadas nessas energias do Astral, como os programas de computador, que devem rodar na máquina processadora, a contento.

Pergunta: - Nos processos reencarnatórios "comuns", de não médiuns, existem ingerências cármicas que objetivam a evolução sob a égide dos orixás? Podeis dar-nos um exemplo?
Ramatís: - A influência dos orixás ultrapassa largamente as intervenções magnéticas nos corpos sutis, nos chacras e, por sua vez, no corpo físico que se formará. Na maioria das vezes, o embate entre almas adversas que se reencontram compulsoriamente em uma família objetiva a evolução psicológica de espíritos retidos nas malhas do ódio e do revide. Certas situações de conflito ocorrem como se fossem encruzilhadas que devem ser vencidas na longa jornada dos espíritos imortais, rumo à estação angélica e para o aprendizado do amor, como neste caso: uma jovem mãe com uma filha de três anos teve muitas dificuldades para engravidar e durante a gestação precisou ficar em repouso absoluto, pois, ao menor esforço, sangrava. A filha é chorona desde o nascimento, apresenta dificuldade para dormir e treme de medo ao ficar só. Ao nascer, teve inflamação nos dois mamilos e apareceram hematomas no corpo. A mãe não teve uma gota de leite e seus seios, misteriosamente, diminuíram, como que murcharam, no primeiro ano da filha.
Em uma vida passada, a mãe foi uma senhora rica de uma grande fazenda de café. A filha de hoje foi uma escrava de beleza inebriante. Esta senhora feudal fez uma longa viagem de passeio à Europa e o marido ficou para cuidar das plantações, que exigiam constante supervisão. Ao voltar, encontrou a escrava amamentando um lindo bebê mestiço. Ficou desconfiada e quis saber de quem era aquele filho. Mas todos desconversam, principalmente o esposo, que se mostrou bastante indulgente com o fato, o que não era do seu comportamento habitual. Desconfiada de alguma estripulia do marido durante sua ausência, mandou prender imediatamente a escrava e a torturou até que confessasse que o pai era o esposo da sinhá. Foi jogada num porão para morrer no meio dos ratos. Seus seios petrificados pelo excesso de leite foram mordidos pelas ratazanas esfomeadas, causando-lhe uma forte infecção, a peste. Ao ser descoberta definhando, não teve mais salvação e, no momento crucial em que a morte se apresentava, rogou uma praga à patroa, dizendo que ela nunca teria filhos. Realmente, ela não os teve e seus dias acabaram em profunda depressão, desencarnando aos trinta e oito anos.
Hoje, ambas retornaram como mãe e filha. A que esconjurou veio como filha e a que mandou torturar, como mãe. Os orixás lemanjá, regente da fecundação, e Oxum, símbolo da gestação, influenciaram decisivamente no encontro dessas duas almas para que perdoassem e exercitassem o amor além das aparências, raças e condições sociais. Em ambas ficaram demarcados na memória genética espiritual, na forma de fulcros vibratórios desarmônicos, os desmandos dos atos pretéritos para resgate no presente. Reforça-se o aforismo popular "aqui se faz, aqui se paga", que neste caso refere-se ao tabernáculo físico que abriga os espíritos. A Lei Maior nada tem de punitiva e é plenamente justa."A cada um é dado segundo suas obras", nos ditam os Maiorais dos tribunais divinos, vibrando em Xangô.

Pergunta: - Quais os ensinamentos que podemos absorver diante do conhecimento de que todos temos uma memória que fica impressa entre as vidas sucessivas?
Ramatís: - Sois como barro nas mãos do oleiro divino. As mãos se movem, formando a estátua e respondendo aos comandos que vossas atitudes determinam, em consonância com o exercício do livre-arbítrio e com o merecimento que cada um deve colher. A interdependência dos corpos espirituais é atemporal, notadamente os inferiores que se moldam na forma astral e física. Demarcam-se no psiquismo de profundidade do espírito as descompensações vibratórias entre uma vida e outra, numa espécie de balanceamento repercutido pelas ações individuais. Vossos atos de ontem demarcam o que sois hoje e, no aqui e agora, podeis modificar o que sereis no futuro ao vosso favor ou contra vós. A sabedoria e o infinito amor das leis do Grande Arquiteto se comprovam ao oportunizar a eterna possibilidade de evolução e a liberdade de expressão da vontade. Ao compre-enderdes que o cálice divino está em vossas mãos, não esqueçais de que ele pode ser preenchido pelo vinho dos céus ou pelo fel dos infernos. A escolha é unicamente de cada criatura.

Pergunta: - Para nosso melhor esclarecimento dentro do assunto mediunismo de terreiro, pedimos alguns exemplos de ingerências cármicas que objetivam a evolução dos médiuns sob a égide dos orixás e da memória genética espiritual?
Ramatís: - Um jovem e ardoroso católico, ao se ver renegado pela moçoila que amava, tenta tornar-se padre e é recusado pelos clérigos superiores da congregação por ser gago. Revoltado, alista-se nas cruzadas como soldado. Em uma batalha sangrenta, durante a invasão a um clã pagão, é emboscado e morre com uma espada fincada em seu capacete, que lhe esfacelou o crânio. Desencarna com fortes dores. Na futura encarnação, volta como uma mulher médium, sob a regência de Xangô, para exercitar a paciência e o senso de justiça. Toda vez que se irrita, sente forte dores de cabeça. Em ressonância magnética, fica diagnosticado que teve excesso de cálcio na parte do crânio que encobre o lobo frontal, formando uma ossatura mais grossa, exatamente no local onde o capacete do soldado de outrora teve o cérebro afundado. Quando se irrita, descarrega adrenalina na corrente sanguínea, que é um potente vaso constritor, aumentando a velocidade da circulação do sangue e contraindo a massa cerebral limítrofe à parede óssea do crânio, advindo as dores. Exceto pela dor, esse processo é inofensivo. Seu corpo físico veio demarcado para que aprenda a controlar suas emoções e sua intempestividade, tendo justiça interna e parcimônia nas reações diante das adversidades da vida.
Outra médium foi uma jovem filha de nobres europeus que estava prometida a casar-se com um rapaz de outra família abastada. Ele, ao ser morto em uma batalha durante a guerra, deixou-a viúva antes de se casar. Seu pai, querendo lhe "dar" para outro de grandes dotes, obrigou-a a confessar que não era mais virgem e, então, a abandonou em um convento de clausura num acordo com a Igreja, que assim recomendou ficando com os dotes referentes à sua parte da riqueza da família. Ela, enclausurada em grande revolta, envenenou a caixa d'água da casa das freiras em conluio com o velho jardineiro, que conseguiu o veneno com um comerciante caixeiro-viajante nômade do Oriente. Em três dias, todas as nove freiras do convento morreram "misteriosamente", com uma espuma branca saindo dos lábios. Ela conseguiu fugir e, para sobreviver, prostituiu-se. Em menos de cinco anos, desencarnou tomada pela sífilis e pela lepra em todo o corpo. Hoje é uma médium de cura sob a égide do orixá Obaluaê, aquele que leva as doenças e as pestes para que a cura se instale. Tem sérias dificuldades para manter relacionamentos afetivos estáveis, após ter sido abandonada pelo noivo depois de nove anos de noivado: coincidentemente, um ano de espera para cada freira assassinada. Encontrou no exercício da mediunidade e das catarses com seu orixá o alívio do espírito. Já se encontra na meia-idade e ainda não se casou. Faz psicoterapia e tem muito medo de se relacionar, sentindo um aperto no peito como se fosse ser abandonada e presa por isso.
São tantos os exemplos quanto mais ostensiva é a mediunidade. Especialmente os médiuns com funções sacerdotais, quais sejam a de chefes de terreiros, escritores, fundadores e dirigentes espirituais, que são espíritos altamente comprometidos e de encarnação provacional. Quanto maior a abrangência do mediunismo em que estão envoltos com os orixás, mais humildade devem ter e mais devem se rebaixar perante às leis divinas para não recaírem no orgulho e na vaidade, como já o fizeram outrora.

Do livro MEDIUNIDADE E SACERDÓCIO / Ed. do Conhecimento.
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