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sábado, 21 de dezembro de 2013

Obaluaê saúda Xangô - rito de final de ano.





“Umbanda deriva fundamentalmente do culto religioso da velha África. Os seus princípios doutrinários são realmente frutos do folclore, dos provérbios, aforismos, canções e tradições do africano.” Ramatís - página 162 do livro a Missão do Espiritismo – capitulo sobre a Umbanda – 7° Edição / Ed. Do Conhecimento. 

Prezados irmãos planetários,

Fechamos o ano vivenciando um rito de fundamento e de louvação ao Orixá Obaluaê, revivendo a tradição ancestral da lenda/mito(*) de quando este Orixá, não convidado para uma festa de todos os demais Orixás, ficando a espreita na entrada do salão festivo, foi chamado por Iansã e ao entrar, um forte vento levantou suas palhas da costa e suas chagas estouraram se transformando em pipocas. Assim, ele participou da festa sendo um dos mais lindos Orixás. Simbolicamente, o Espaço Sagrado que é o Grupo de Umbanda Triângulo da Fraternidade é de toda a sua comunidade, indistintamente, não importando as chagas que cada um traga consigo.
 

Numa harmoniosa sessão de pretos(as) velhos(as) com mais de 200 pessoas atendidas, exercitamos o Evangelho do Cristo, auxiliando e sendo auxiliados, levantando os caídos e sendo levantados, assim como Lázaro, sob o forte influxo verbal do Divino Mestre, levantou e andou. Esta passagem do Evangelho de Jesus demonstra galhardamente o que é e o que faz a força vibratória – axé – do Orixá Obaluaê. 

Seguindo orientações dos tutores astrais de minha mediunidade e do Grupo de Umbanda Triângulo da Fraternidade, continuaremos ritualizando e vivenciando esta Umbanda de todos nós na sua origem fundamental, bebendo nas tradições nagôs iorubanas, na ancestral sabedoria africana dos antigos Babalaôs e de Orunmila Ifá. 

Para maiores esclarecimentos a este respeito, sugiro que assistam os seguintes vídeos:

- Ramatís e o preconceito com a origem africana da Umbanda 

- Ramatís e os Babalaôs africanos

Ainda neste rito, oferendamos saudando ao Orixá Xangô, regente de 2014, e quando oferendamos não é com o objetivo de agradar para conseguirmos benesses, mas sim incondicionalmente agradecermos a dádiva da vida, do discernimento e da clareza mental que devemos pautar nossas condutas sob a regência deste aspecto ou qualidade  divina da criação que é o Orixá Xangô. 

Ao tomarmos um banho de pipocas, “purificamos” nossas auras como que caroços endurecidos dentro de nós mesmos – medos, recalques, traumas, inseguranças... – estourassem e viessem para a fora num processo catártico extremamente salutar para o
 
nosso equilíbrio psicofísico. 

Que a justiça divina de Xangô nos ampare sempre.



Muita paz, saúde força e união.



Norberto Peixoto. 


Nota (*):

Obaluaê tem as feridas transformadas em pipoca por Iansã

Chegando de viagem a aldeia onde nascera, Obaluaê viu que estava acontecendo uma festa com a presença de todos os orixas.
Obaluaê não podia estar na festa, devido a sua medonha aparência.
Então ficou espreitando pelas frestas do terreiro.
Ogum ao perceber a angustia do orixa, cobriu-o com uma roupa de palha que ocultava sua cabeça e convidou-o a entrar e aproveitar a alegria dos festejos.
Apesar de envergonhado Obaluaê entrou, mas ninguem se aproximava dele.
Iansã tudo acompanhava com o rabo do olho.
Ela compreendia a triste situaçao de Obaluaê e dele se compadecia.
Iansã esperou que ele estivesse bem no centro do barracão.
O xirê estava animado.
Os orixas dançavam alegremente com suas equedes.
Iansã chegou então bem perto dele e soprou sua roupas de mariô, levantando as palhas que cobria sua pestilência.
Nesse momento de encanto e ventania, as feridas de Obaluaê pularam para o alto, transformadas numa chuva de pipoca, que se espalharam brancas pelo barracão.
Obaluaê, o deus das doenças, transformou-se num jovem, num jovem belo encantador.
Obaluaê e Iansã Igbale tornaram-se grandes amigos e reinaram juntos sobre o mundo dos espiritos, partilhando o poder unico de abrir e interromper as demandas dos mortos sobre os humanos.

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