domingo, 20 de outubro de 2013

As ordens e direitos de trabalho de Pai Tomé e o médium magista.


 Ouvi os tambores rufarem
Lá nas matas da Guiné
Era Congo saravando
Era Congo Pai Tomé
Saravá linha do Congo
Saravá Pai Tomé
Saravá linha africana
A linha de nossa fé

POR NORBERTO PEIXOTO.    

     O ponto cantado de Pai Tomé é de intensa vibração e de rara beleza aos nossos sentidos auditivos e psíco-espirituais.  Os tambores foram e são considerados sagrados, a “voz” dos deuses, a reza forte em diversas religiões ao longo da história planetária.
      Servem como ponto de apoio da vibração original geradora e mantenedora do Cosmo, o AUM. Este som, o Logos, o verbo divino criador, desce numa linha de verticalidade e encontra uma escora focal na percussão dos atabaques na umbanda, fazendo-se horizontalizar em diversos ritmos peculiares aos orixás, em toque e cantos específicos, aspectos diferenciados do grande indiferenciado, Olurum, Obatalá, Zambi, Tupã, Grande Arquiteto do Universo, ou simplesmente Deus.
     Esta sonoridade sagrada movimenta ondas eletromagnéticas afins com os reinos da natureza oculta e tem um alcance inimaginável. Quando os tambores rufam na umbanda, os pretos velhos estão trabalhando.
    E preto velho trabalhando, mandigando e fazendo mironga, é a voz de Jesus evangelizando.
     Salve o verbo que orienta, consola e cura, espiritualiza e desperta em nós o verdadeiro significado de religiosidade, que liberta e nunca aprisiona.
    Salve o verbo que faz com Jesus a Reza Forte dos pretos velhos, entre cachimbadas e galhos de arruda e guiné.
      Salve Pai Tomé, incansável e amoroso orientador do Cristo.
     Nosso eterno preito de gratidão a Roger Feraudy, o mais fiel e cristalino aparelho mediúnico desta vibratória – de Pai Tomé - que já encarnou. Estrela que hoje nos alumia de Aruanda, no passado recente nos transmitiu em perfeita incorporação as ordens e direitos de trabalho de Pai Tomé, riscando seus sinais de pemba em volta de nossa cabeça circundando o nosso ori – chacra coronário.
     Que possamos honrar os compromissos que nos foram passados da raiz de Pai Tomé, muito antes de reencarnarmos, e dar continuidade a sua linhagem iniciática na Terra, que se encontra no evo dos tempos num mesmo eixo vibracional que une hebreus e nagôs, atlantes e yorubás, cruzamentos que se interpenetram na lonjura do infinito passado como uma única linha riscada no chão que pisamos hoje em nossas existências, e que se iniciou pela ação amorosa do Criador e nunca terá fim pela realidade eterna dos espíritos imortais.
     Há que se registrar um fato marcante em minha caminhada. Roger Feraudy vinha regularmente a Porto Alegre, cidade na qual resido. Nessas oportunidades nos encontrávamos e muitos ensinamentos me foram passados pela oralidade. Certa feita, recebi um telefonema com o recado de Pai Tomé, através de Roger, de que o seu médium estaria em breve novamente na cidade e que ele, Pai Tomé, queria falar comigo. Foi pedida pela veneranda entidade a participação de um grupo de cinco médiuns “emprestados” para firmar a corrente, propiciando assim a realização de um rito específico de transmissão de raiz que ocorreu na residência de uma amiga – dado que me foi impossível realizá-lo no terreiro ao qual estava vinculado na ocasião, como médium de consulta nas giras de caridade.
     Na data do encontro solicitado, Pai Tomé incorporou e me transmitiu suas ordens e direitos de trabalho, confirmando que daquele momento em diante eu estaria preparado para fundar um terreiro, dando continuidade ao seu trabalho na umbanda. Roger Feraudy já tinha me presenteado com o cachimbo, o coité e o jogo de búzios que ele utilizou por mais de 50 anos de mediunato. Lembro-me que sentado de joelhos à frente daquele velhinho de cabeça branca, a voz arrastada e melodiosa de Pai Tomé fazia-nos chorar junto com seu aparelho. Disse-lhe, após ter recebido os sinais de pemba do velho “payé” riscados diretamente ao redor de minha cabeça, que não pensava em abrir um centro de umbanda, que achava-me despreparado. Pai Tomé, com seu amor e profunda clarividência, recomendou-me aguardar que os acontecimentos no seu devido tempo se realizariam naturalmente e que eu sempre deveria me sentir despreparado, incapaz, pois no dia em que me sentisse preparado e capaz minha queda se iniciaria rapidamente. Palavras proféticas que se realizaram em pouco tempo, e até hoje me sinto incapacitado para tão séria e árdua responsabilidade – ser fundador de uma comunidade de terreiro. Em verdade, são os mentores astralizados os responsáveis e merecedores do crédito por todos os trabalhos realizados. Sem eles, nossa queda será rápida e inexorável.
     Disse-nos ainda Pai Tomé, pela sensibilidade cristalina de Roger Feraudy, que os três maiores motivos de quedas de médiuns são o sexo desregrado e promíscuo, o recebimento financeiro de serviços com a mediunidade e a vaidade.
     Importante esclarecer que o espírito de Pai Tomé que trabalha comigo não é o mesmo que incorporava em Roger Feraudy. Acreditamos que Babajianada, o Pai Tomé que o amparava, “subiu” para um plano vibratório que nos é impossível compreender ou alcançar no presente estágio evolutivo. O “nosso” Pai Tomé, conforme descrito no livro “Aos Pés do Preto Velho”, espírito manso e misericordioso, se apresenta à nossa visão psíquica como um ancião negro, aparência frágil e mansa dos iogues, de baixa estatura, calvo, barbas brancas ralas até o meio do peito, um tanto curvado, por vezes segurado um cajado com a mão direita, completamente despojado de vestes elaboradas ou insígnias sacerdotais; cobre-o diamantífero manto, aos moldes do singelo pano branco que Gandhi usava, deixando a metade do seu peito desnudo. Espírito de gigantesco amor pela humanidade,  vive desde há muito tempo inteiramente dedicado à causa de Jesus, da evolução da coletividade terrena.
      Sob muitos aspectos vibratórios, acredito que todo médium na umbanda é, em menor ou maior grau, um mago. Ele ativa e desativa, constantemente, durante as consultas espirituais, os campos de forças dos orixás, pelas suas rogativas, invocações e evocações. Amparam-no as entidades astrais que o assistem através do mediunismo.
     Um verdadeiro médium magista tem uma conduta ilibada, de moral elevada, e busca incessantemente sua evangelização. Tem ordens e direitos de trabalho junto aos pontos de força da natureza - orixás - fixados em seu mental e perispírito antes de sua encarnação, pelos guias astrais que o assistem e que, por sua vez, terão que ser ativados em rito propiciatório por uma entidade de fato e de direito, numa espécie de linha de sucessão cármica. Cabe-lhe honrá-los, com humildade e diligência, zelando com afinco pelos poderes magísticos que lhe foram outorgados. 
       Por sua vez existem zeladores astrais que "vigiam" e guardam os campos de forças dos orixás para que o médium mago não distorça suas ordens e direitos de trabalho, objetivando sempre o bem coletivo.  Estas ordens de trabalho podem ser retiradas a qualquer tempo, pois não pertencem ao médium - notadamente quando o mesmo se desvia do caminho reto do Evangelho de Jesus, distorcendo e sendo causador de efeitos negativos pela magia gerada, desrespeitando o livre arbítrio e o merecimento, dentro da lei maior de causa e efeito que rege a harmonia energética da coletividade. Nestes casos, o efeito de retorno é terrível, podendo o médium faltoso adoecer abruptamente ou, o que é muito pior, cair este medianeiro rapidamente nas garras do astral inferior e seus quiumbas, espíritos mistificadores e embusteiros que se fazem passar por caboclos, pretos velhos e exus da genuína umbanda - a Lei Maior Divina em ação - levando à derrocada muitas vezes todo um agrupamento.

      Muita paz, saúde, força e união!!!
      NORBERTO PEIXOTO

      Fonte: introdução livro REZA FORTE. 
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