quarta-feira, 30 de outubro de 2013

Adivinhações - prevendo o futuro.


      Diante dos que usam cultura ou mediunidade para traçar prognósticos, acerca do futuro, não é necessário dizer que nos cabe acompanhar-lhes as experiências com a melhor atenção.        
      A ciência é neta  da curiosidade e filha do estudo.  A alquimia da Idade Média iniciou as realizações da química moderna.  De certa maneira, os astrólogos do pretérito começaram a obra avançada dos astrônomos de hoje.       
       O conhecimento nasce do esforço de quantos se dedicam a desentranha-lo da obscuridade ou da ignorância.  No entanto, do respeito aos irmãos de Humanidade que se consagram ao mister da adivinhação, não se infere que devemos aceitar-lhes cegamente as afirmativas.       
       Especialmente no que se reporte a profecias inquietantes, é imperioso ouvi-los com reserva e discrição, porquanto estamos informados pela Doutrina Espírita de que não existe a predestinação para o mal.       
     Renascemos na Terra, indubitavelmente, com as nossas tendências inferiores e com os nossos débitos, às vezes escabrosos, por ressarcir, mas isso não significa estejamos obrigados a reincidir em velhas ilusões ou reacomodar-nos com a força das trevas.       
        O aluno regressa à escola na condição de repetente ou se encaminha para os exames de segunda época, a fim de se firmar na dignidade do ensino em que se comprometeu.       
    Clarividentes que desenvolveram faculdades psíquicas, fora do esclarecimento espírita evangélico, podem recolher observações infelizes a nosso respeito, seja relacionando cenas de nosso passado culposo ou descrevendo-nos quadros menos dignos,  projetados mentalmente sobre nós pelas ideias enfermiças daqueles que se fizeram nossos inimigos em outras eras;  e das palavras que articulam podem surgir sombrios vaticínios ou apontamentos desencorajadores, tendentes a enfraquecer-nos a coragem ou aniquilar-nos a esperança.  Oponhamos, porém, a isso a certeza de que estamos reformando causas e efeitos diariamente, em nosso caminho, na convicção de que a Divina Providência nos oferece, incessantemente, através da reencarnação, oportunidades e possibilidades ao próximo reajuste perante as leis da vida, armando-nos de recursos e bênçãos, dentro e fora de nós.        
      Conquanto estudando sempre os fenômenos que nos rodeiam, abstenhamo-nos de admitir o determinismo do erro, do desequilíbrio, da queda ou da criminalidade.       
      Hoje é e será constantemente a ocasião ideal para transformarmos maldição em bênção e sombra em luz.  Ergamo-nos, cada manhã, com a decisão de fazer o melhor ao nosso alcance e reconheçamos que o próprio Sol se deixa contemplar, nos céus, de alvorecer em alvorecer, como a declarar-nos que o Criador Supremo é o Deus da Justiça, mas também da Misericórdia, da Ordem e da Renovação.

Emmanuel / Chico Xavier
Obra: Encontro Marcado  

segunda-feira, 28 de outubro de 2013

A Umbanda Juremeira - Caboclos e Mestres da Jurema e do Catimbó.


Pergunta – Sabemos que na região nordeste do Brasil se pratica uma “umbanda juremeira” em que as entidades espirituais são chamadas de encantados. Outros dizem que esta seria o culto religioso mais brasileiro. Estes comentários tem procedência?
Pai Tomé – Meu filho, a Umbanda é uma só. Entendemos perfeitamente as variações regionais e o Alto incentiva esta amalgamação. Os Maiorais do Espaço que regem a religião Umbanda do Astral para a matéria sabem que as diferenças não devem separar e sim unir as consciências. Em verdade a Jurema (Acacia Nigra), é a árvore sagrada dos indígenas brasileiros há milênios. Nela concentram-se os valores fitoterápicos e místicos de um ritual milenar que se perde no evo dos tempos e que podemos afirmar ser o mais genuíno dos brasileiros muito antes que influências religiosas de outras localidades do planeta aqui aportassem. Claro está que por ser um ritual totalmente brasileiro é o único que se equivale aos seus congêneres africanos por ter sua própria Raiz e Origem, dado os conhecimentos primevos dos Tupis, Caetés, Tabajaras, Potiguás, Tapuias, Pataxós e outras nações indígenas brasileira. Seus protetores espirituais eram até a chegada do branco europeu católico e dos africanos; Tupan, Yara, Caapora, Curupira, Boiúna, Mo Boiátatá, Jaguá, Rudá, Carcará e outros mais. Eram de tribos diferentes, mas cultuavam os mesmos deuses aos pés da mesma árvore: a Jurema sagrada. Não por acaso uma plêiade de espíritos atuam na caridade umbandista com o nome de Caboclas Juremas, flecheiras de Oxossi. Nestes aspectos de origem ancestral divinizada, podemos afirmar que o arquétipo mítico  Caboclo é o “orixá” genuinamente brasileiro. 
         Com o processo de miscigenação o culto original se modificou perdendo sua força mágica primitiva. Na mistura entre os indígenas e o branco, entre indígenas e o negro, suas culturas, seus arquétipos, seus usos e costumes deram nascimento ao “caboclo” (mestiço). O ritual da Jurema, passou vulgarmente a ser chamado de “Catimbó”, devido ao uso de cachimbos durante sua prática, podendo tanto ser feito sobre uma mesa como no chão. As forma são distintas, com objetivos as vezes diferentes, mas sempre objetivando a cura e o alento dos cidadãos menos favorecidos. A Umbanda Juremeira é a prática da Umbanda com fortes influências do ritual de Jurema sincretizado,  espiritismo e catolicismo aos moldes da Umbanda popular praticada na região sudeste, com a veneração aos orixás e a Jesus – o divino Oxalá.

Texto do livro REZA FORTE.

domingo, 27 de outubro de 2013

As mulheres no evangelho.


Sinhá das Neves...Faz alguma coisa...


Ninguém no vilarejo sabe como começou o apelido de Das Neves porque o nome verdadeiro era Maria Aparecida do Horto das Graças de Todos os Santos. Foi assim que seus pais a batizaram porque quando nasceu era tão pequenina e frágil que a mãe tinha até medo de pegar no colo. Parecia um filhote de passarinho, cabelinho arrepiado e um fiapo de voz que imitava piado de pardal e os pais com medo que a criança não vingasse fizeram promessa para todos os santos de sua predileção, prometendo registrar e homenagear todos eles. Agarraram-se com tanta força na promessa que a menina vingou e cresceu mirrada, franzina, as pernas pareciam taquarinhas ao vento. Primeiro foi chamada de Santinha depois trocaram para Sinhá das Neves. Desde pequena tinha a mania de andar com um raminho verde nas mãos e passava nos animais, no arvoredo e onde tivesse oportunidade, se as pessoas se descuidassem o toco de gente passava o galhinho nas pernas dos adultos, resmungando coisas incompreensíveis e fazendo uma imitação do Sinal da Cruz. Quando a mãe perguntava o que estava fazendo ela respondia na maior simplicidade que estava “bençoando” e o povo acostumado a vê-la daquele jeito, sorria e fazia sinal com a cabeça em respeito à benzedeira em potencial que reconheciam na menina. Quando alguém de brincadeira solicitava para benzer, Maria do Horto na sua inocência mandava ver na benzedura, colocando toda a sua concentração, preocupada em ajudar quem pedia.

A grande viagem...


O aprendiz chegou ao recanto de antigo orientador da vida cristã e perguntou, em seguida às saudações costumeiras:  
  -Instrutor, posso acaso receber as suas indicações quanto ao melhor caminho para o encontro com Deus? 
  A resposta do mentor não se fez esperar:
- A viagem para o encontro com Deus é repleta de obstáculos por vencer... Espinheirais precipícios, charcos e pedreiras perigosas...  
Silenciando o interpelado, o moço prosseguiu: 
- Isso tudo conheço... Já visitei vários  templos da Índia, quando estive por vários dias na intimidade de faquires famosos, todos eles revestidos de faculdades supranormais; arrisquei-me a cair nos despenhadeiros do Tibet para conviver com os  monges santos; orei na Grande  Pirâmide do Egito; demorei-me na impressões da paisagem na qual Jesus viveu, no entanto, estou saciado de excursões à procura da Divina Providência...  
O orientador escutou com humildade e esclareceu, em seguida: 
- Sim, é verdade que todas essas peregrinações e práticas auxiliam na busca do Supremo Senhor, mas, ao que me parece, há um engano de sua parte... 
E rematou:
- A viagem para o encontro com  Deus é para dentro de nós.
 
Agora é o tempo - Chico Xavier.

sábado, 26 de outubro de 2013

Jesus renasceu no Brasil como índio (sic)...

De tempo em tempo surgem informações "canalizadas" dos "mestres" da "Grande Fraternidade Branca" ( algum preconceito com o que é preto ou negro será mera coincidência?? ), que se espalham como vírus nas redes sociais. A última da vez é sobre o renascimento de Jesus entres os índios brasileiros (sic)... Confesso que me incomodam estes modismos que exaltam um canalizador - sensitivo -, bem como estes seres angelicais de "Fraternidades do Espaço", que são um reflexo do nosso ideal de raça superior e dos santos - quase todos loiros, olhos azuis e verdes, bonitos e no topo da escala de perfeição. Como os Pretos Velhos e Exus, Caboclos e Bombogiras, Ciganos, Marinheiros, Bahianos, Boiadeiros, Juremeiros, Catimbozeiros,..., vibram nas faixas imperfeitas da humanidade e tem na mediunidade o foco de atuação nas zonas do umbral - de dor, sofrimento e imperfeição, fico com este povo - de Aruanda - preconceituado inferior, e logo não vivencio e não compreendo estas "realidades" superiores e perfeitas.

NORBERTO PEIXOTO.


Fora de uma Vibração.

"Jesus gradativamente está renascendo em cada um. Renasce como chama ardente, como estado de consciência, através da mediunidade, do evangelho, e de futuras revelações da ciência oficial quanto a existência de outras formas de vida inteligente em outros orbes - na casa do meu pai há muitas moradas. Nos informam os amigos espirituais, de algum tempo, que Jesus não reencarnará na Terra, muito menos em planetas tão atrasados como o nosso. Cumpriu já sua missão sacrificial - o primeiro calvário reencarnando - no momento necessário e oportuno da consciência coletiva planetária. O Grande Mestre do Arquiteto do Universo trabalha arduamente e com amor pela evolução do Cosmo em outras paragens dimensionais."


Meu bom senso, me dá este conforto para minha alma. 

Não julgo quem pensa diferente, acredito que isso vai de cada um.

Porém, não concebo dentro do estudo do Livro dos Espíritos e pela obra Sublime de Ramatis, a possibilidade do reencarne de Jesus. Desculpe os amigos, mas sou humana e tenho as bases da lei de afinidade e da atual vivencia no labor com seres em sofrimento. Não me enquadro em zonas angelicais e nem em esferas espirituais que minha pesada, porém clara consciência, não me permite alçar. Meus pés estão sujos de barro, fincados no solo da mãe terra, pois este lar abriga meu coração, é no trabalho com o irmão e o pesar da dor alheia que busco me limpar.

Um dia quem sabe, estas idéias mais "sutis" possam fazer parte do meu entendimento, porém, no atual momento, minha base espiritual se faz com o estudo, o bom senso e o trabalho.


Abraços e bom final de semana.
Fabille Boing

quarta-feira, 23 de outubro de 2013

Banalização da iniciação aos Orixás.

Exu mirim é a criança "malcriada", transgressora, rebelde e indisciplinada?


Falando um pouquinho sobre Exu Mirim

Dizer que exu mirim é a criança "malcriada", transgressora, rebelde, indisciplinada, etc.; é o mesmo que dizer que Exú é bandido, diabo, marginal e que Pomba Gira é prostituta e marginal. Todos estes atributos negativos são peches impostas por pessoas (médiuns) desequilibrados, mal informados e ignorantes, que muitas vezes, sem o menor preparo se auto denominam Pais e Mães no sagrado ou médiuns firmes em suas missões, onde o animismo e o negativismo estão atuantes a pleno vapor.

Exú Mirim, é uma qualidade de Exú, com atuação específica diante da Lei Divina, assim como qualquer outra entidade atuante na Umbanda. E, por ser ele um exú, tem em sua atuação exteriorizar o vai no íntimo de seu médium, revelando seus desequilíbrios e maus instintos preservados e mascarados pela conduta adotada socialmente. Sendo assim, podemos compreender que todo e qualquer comportamento desequilibrado, desregrado, transgressor e negativo durante a manifestação destes, nada mais é do que a mostra dos desequilíbrios de seu médium.

domingo, 20 de outubro de 2013

Vamos limpar/purificar a Umbanda (sic) ou nos beneficiar de sua diversidade?

  
E as pessoas que procuram a nossa Umbanda em busca de uma religião que lhes despertem o sagrado no íntimo do seu ser, que querem participar desta família para somar e dividir a luz e a caridade em prol da sua evolução espiritual, a estas pessoas sugerimos primeiramente que encontrem uma Casa cuja doutrina esteja próxima de suas convicções e princípios, nunca faça comparação entre uma e outra Casa, porque dentro da diversidade umbandista cada Casa tem sempre algo novo a nos oferecer e muitas vezes precisamos reformular conceitos aprendidos, enfim, precisamos "desapegar" para estar aberto ao novo.
     

Como nos beneficiar da Umbanda e sua diversidade

      Partindo da premissa de que só se pode obter benefícios quando se sabe usar as ferramentas adequadas para todo e qualquer empreendimento, resolvi escrever este texto sobre como nos beneficiar da nossa amada religião de Umbanda.
        Em primeiro lugar, devemos estabelecer claramente para nós mesmos o que esperamos da religião. Resolver um problema mundano, por exemplo, adquirir um emprego, um amor, saúde ou resolver problemas familiares, requer acima de tudo o cumprimento da Lei de nosso Pai Maior que é a lei do merecimento. Mas que lei é esta?

As ordens e direitos de trabalho de Pai Tomé e o médium magista.


 Ouvi os tambores rufarem
Lá nas matas da Guiné
Era Congo saravando
Era Congo Pai Tomé
Saravá linha do Congo
Saravá Pai Tomé
Saravá linha africana
A linha de nossa fé

POR NORBERTO PEIXOTO.    

     O ponto cantado de Pai Tomé é de intensa vibração e de rara beleza aos nossos sentidos auditivos e psíco-espirituais.  Os tambores foram e são considerados sagrados, a “voz” dos deuses, a reza forte em diversas religiões ao longo da história planetária.
      Servem como ponto de apoio da vibração original geradora e mantenedora do Cosmo, o AUM. Este som, o Logos, o verbo divino criador, desce numa linha de verticalidade e encontra uma escora focal na percussão dos atabaques na umbanda, fazendo-se horizontalizar em diversos ritmos peculiares aos orixás, em toque e cantos específicos, aspectos diferenciados do grande indiferenciado, Olurum, Obatalá, Zambi, Tupã, Grande Arquiteto do Universo, ou simplesmente Deus.
     Esta sonoridade sagrada movimenta ondas eletromagnéticas afins com os reinos da natureza oculta e tem um alcance inimaginável. Quando os tambores rufam na umbanda, os pretos velhos estão trabalhando.
    E preto velho trabalhando, mandigando e fazendo mironga, é a voz de Jesus evangelizando.
     Salve o verbo que orienta, consola e cura, espiritualiza e desperta em nós o verdadeiro significado de religiosidade, que liberta e nunca aprisiona.
    Salve o verbo que faz com Jesus a Reza Forte dos pretos velhos, entre cachimbadas e galhos de arruda e guiné.
      Salve Pai Tomé, incansável e amoroso orientador do Cristo.
     Nosso eterno preito de gratidão a Roger Feraudy, o mais fiel e cristalino aparelho mediúnico desta vibratória – de Pai Tomé - que já encarnou. Estrela que hoje nos alumia de Aruanda, no passado recente nos transmitiu em perfeita incorporação as ordens e direitos de trabalho de Pai Tomé, riscando seus sinais de pemba em volta de nossa cabeça circundando o nosso ori – chacra coronário.

sexta-feira, 18 de outubro de 2013

Ramatís e os babalaôs africanos - Sabedoria de Ifá.

Oferendas, elementais, espíritos da natureza e formas de pensamento elementares


Na ascese evolutiva da centelha espiritual, conforme haja o processo de interiorização rumo ao Eu Superior, vai ocorrendo o “distanciamento” dos planos da forma. Há uma “perda” ou abandono gradativo dos corpos mediadores. Com certeza o espírito em evolução habitará um dia planos mais “mentais”, destituídos da forma, como idealizais, mas o que é para vós a diferença entre a evolução mediana ou a superior? Como podereis estabelecer esses critérios na carne? Uma benzedeira analfabeta no interior do país pode ser um espírito evoluído, ao contrário de um tribuno espiritualista de grande conhecimento e destaque. Assim como o que “concebeis” ser um espírito evoluído, de nome conhecido para vós, pode ser de evolução mediana diante do pai velho discreto e anônimo que atende os doentes na tenda desconhecida, que é vista com olhar preconceituoso por ser umbandista. Mas, para esse espírito iluminado que “desce” vibratoriamente de planos angelicais inconcebíveis para a visão nebulosa dos retidos no ciclo carnal, a procedência terrena da agremiação mediúnica não tem a menor importância, exercitando esse amorável ser a verdadeira caridade, humilde e anônima, como dizia o Divino Mestre: “Guardai-vos, não façais as vossas obras diante dos homens com o fim de serdes vistos por eles…” É conveniente lembrar que há três realidades distintas ligadas ao conceito de elemento, e, por questões de nomenclatura, às vezes se confundem. São elas: Elementais, Espíritos da Natureza e Formas de Pensamento Elementares.

Os Elementais ou Energias Elementais – às vezes chamados de Elementais da Natureza – são energias primárias que sustentam toda a natureza. Não possuem forma nem, obviamente, individuação; apresentam-se em quatro modalidades ou faixas vibratórias, cada uma sintonizada com um dos quatro elementos: terra, água, fogo e ar. O corpo físico do homem, à semelhança da terra, do ar, do fogo e da água, é instrumento participe da orquestra que toca a sinfonia cósmica. Essas formas energéticas, Elementais da Natureza, encontram-se também em vós por um mecanismo de semelhança. Muitas vezes, o homem desequilibrado dessas energias em suas polaridades vê-se diante de inusitadas situações, no mais das vezes adoecendo seriamente. Os magos de antigamente manipulavam com destreza essas energias primárias ligadas à natureza, propiciando a cura junto aos locais vibratórios adequados, quais sejam as cachoeiras, matas, praias ou pedreiras. Com a movimentação dos Elementais, junto a esses recantos, conseguiam o reequilíbrio necessário, polarizando as cargas magnéticas despolarizadas.

A segunda realidade são as Formas-pensamentos Elementares, produtos da mente humana e compostos de substância astro-mental. As de baixo teor constituem a pior forma de poluição psíquica do planeta. Pairam à vossa volta, densas e deletérias, como decorrência das emanações mentais de baixa condição moral de grande parte dos terrícolas. Essas formas, por similaridade magnética e vibratória, têm as características de um dos quatro elementos da natureza, porque originalmente todos os encarnados têm em sua constituição energética do complexo físico, etérico e astral correspondência vibracional com as energias da natureza que os abrigam em seu “habitat” no orbe; do ar, da terra, do fogo e da água. Quando da constituição da Forma-pensamento no Éter, o próprio magnetismo planetário encarrega-se de atraí-las, por um forte mecanismo de imantação, aos sítios vibracionais correspondentes ao elemento energético que preponderava no corpo somático quando das emissões mentais, e que se encontra na natureza materializada ou manifesta na dimensão física. Naturalmente ocorre a desintegração desses morbos psíquicos continuamente emanados pelas mentes doentias dos encarnados. Sendo assim, é por isso que vós tendes uma sensação de leveza após um período de refazimento junto à matas, cachoeiras, praias ou após uma caminhada num parque em dia ensolarado.

Essas Formas-pensamentos foram erroneamente confundidas pelos videntes alquimistas da Idade Média com os espíritos que estagiam nos quatro sítios vibratórios da natureza terrícola, descritos na antiga Cabala hebraica (salamandras, silfos, gnomos e ondinas), interpretação equivocada que persiste até os dias de hoje.
Os magos negros e feiticeiros movimentam para o mal a fim de causar doenças e desequilíbrios, por meio de rituais próprios, essas Formas-pensamentos Elementares eterizadas, que vagueiam no Plano Astral e que deveriam se desintegrar nos recantos vibracionais e energéticos da natureza _ ígneos, eólicos, telúricos e hídricos (dos elementos fogo, ar, terra e água). Agem pela manipulação mental, imantando-as na auras e centros de energias (chacras) daqueles que pretendem atingir. A invocação dessas Formas-pensamentos Elementares é perigosa no que se refere aos arcanos mágicos da natureza, podendo causar sérios danos aos incautos e maldosos de coração que assim procedem. Esses médiuns magistas, conhecidos pelos despachos que “tudo resolvem”, regiamente remunerados, vinculam-se a entidades desencarnadas de baixo escalão vibratório e moral, vampirizadoras, criando sérios comprometimentos cármicos de que, em muitos casos, somente muitas encarnações depois vão desvencilhar-se.

A terceira realidade é a dos Espíritos da Natureza, às vezes simplesmente denominados Elementais, o que tem dado margem a equívocos. Constituem um reino de entidades ainda não-humanas. São vinculados a determinados campos magnéticos e vibratórios, semelhantes em freqüência aos Elementais do fogo, do ar, da terra e da água. São as salamandras, silfos, gnomos ou duendes e ondinas. Esses Espíritos da Natureza estagiam nesses sítios vibracionais do Astral à “espera” de um corpo hominal. São servidores dos reinos da natureza. Encarnarão inicialmente em planetas mais atrasados, algo inóspitos, mas semelhantes às vibrações desses”Elementais“. Esses irmãos não possuem a natureza setenária dos homens, não tendo ainda os corpos mental inferior e superior despertos, não possuindo, por isso, livre-arbítrio, discernimento e consciência moral. São capazes de sensação e visão. Potencializam as formas de pensamento, emoções e sentimentos dos seres humanos, ampliando-os. Se as emissões de pensamentos do médium magista que os invoca forem de ódio, desastre e destruição, direcionando-os contra outro ser humano, multiplicar-se-ão sobremaneira as forças movimentadas para o mal, pois eles são eficientes manipuladores das energias da natureza. Refletem as ações dos homens a que se vinculam, pois, sendo amorais, são indefiníveis do ponto de vista do bem ou do mal, tendo uma conduta semelhante a um animal doméstico; um cão pode ser dócil ou feroz, condição que reflete, na maioria das vezes, o estado psicológico do homem que o criou.

Determinados sons, cores e invocações, aliados à força mental do pensamento do médium magista ou mago que tem a assistência dos bons espíritos, despertam a sensibilidade desses Espíritos da Natureza para o bem e para a cura, associados aos fluidos ectoplásmicos exsudados, repercutem no Plano Astral, que é de grande plasticidade em relação ao impulso mental, levando a uma materialização fluídica invisível a vós. Essas exteriorizações ritualísticas se fazem necessárias como ferramentas de apoio para a formação da egrégora requerida a essas manipulações. A música eleva ou diminui a freqüência cerebral e as descargas eletromagnéticas, aumentando ou diminuindo o número de sinapses nervosas. Os mantras, os cânticos sagrados, eram muito utilizados na Atlântida, na Índia e no Egito antigo, proporcionando, quando repetidamente utilizados, profunda inspiração devocional e facilitando a concentração. Na Umbanda, a formação da egrégora e a canalização das emoções do corpo mediúnico são realizadas por meio dos cânticos, apurando as vibrações, reequilibrando a mente com o corpo e facilitando a sintonia com os guias e protetores.

As oferendas de coisas materiais junto à natureza seguem o princípio de que essas ofertas sejam compostas das energias primárias dos quatro elementos, exatamente as que estão faltando aos médiuns. A idéia é restituir-se à natureza aquilo de que se está precisando para refazimento, para recomposição do equilíbrio do equipamento mediúnico, e assim mantendo respeitosamente a harmonia da natureza doadora (2). Claro está que a simples presença junto da natureza já seria suficiente para tonificar o homem no seu complexo etérico-astral. Na verdade, são um mecanismo de auxílio válido, que serve de apoio exterior para um intercâmbio “magístico” com os Elementais, tornando-o mais efetivo. Obviamente prepondera a força mental invocativa que se forma na egrégora coletiva, que tem a assistência amorosa dos bons espíritos, caboclos e pretos velhos. Mas nenhum espírito elevado, mentor caridoso, precisa de oferendas materiais. A melhor oferta sempre foram os bons sentimentos e o amor ao próximo.

São práticas espúrias, ignorantes e menores as oferendas junto à natureza? Ou será o puro mentalismo a solução para todos os males? Quantos de vós conseguireis ser todo o tempo “mental”? Não é pelo fato de o orbe terrícola estar mudando de pré-escola para o ensino primário que deveis ridicularizar o que não compreendeis em sua plenitude. Malgrado as opiniões contrárias, a magia sempre existiu e continuará existindo no Cosmo. Uma mera oração sonorizada caracteriza um instrumento ritualístico que vos leva a uma manipulação energética, qual médium magista junto aos recantos da natureza. Não esqueçais que as energias ígneas, eólicas, telúricas e hídricas estão em vós, e não desprezeis as práticas ligadas à natureza, de que sois muito necessitados para o perfeito fluxo energético entre todos os corpos mediadores do espírito, em especial o complexo físico, etérico e astral.

Rogamos ao Pai que estejais todos vós imbuídos de um único ideal, crístico, e que o conhecimento seja a mola propulsora do discernimento dos homens, fazendo com que cada individualidade em evolução encontre seu caminho, mas que tenhais interiorizado que no Cosmo infinito muitos são os trajetos que levam a um mesmo destino. Incompreensões, quando existem entre vós, não refletem o que verdadeiramente ocorre na Espiritualidade, e sim a vossa estreita percepção das realidades vibratórias que vos cercam, decorrência da limitação consciencial que o corpo físico impõe ao espírito em eterno aprendizado e aperfeiçoamento. No mais das vezes, obnubilam a sensatez sobre o que seja a pura caridade cristã, chegando vós ao ponto de distinguir um espírito do outro, baseando-se em valores terrenos excludentes, deterministas, preconceituosos e transitórios.

Da maneira que julgardes sereis julgados, é da Lei que rege os movimentos ascensionais do espírito eterno, e conforme medirdes igualmente vos medirão. A consciência da Nova Era impõe a convivência harmoniosa entre todos, o que inevitavelmente acontecerá neste milênio que está no seu início, e podereis constatar no futuro próximo, mesmo que em encarnação futura, eis que sois imortal assim como o Pai.
Muita paz,
Muita luz.
Ramatis.


( do livro SAMADHI - Editora do Conhecimento )

Desregramentos psíquicos - emoções negativas.

         
       Conforme o tipo de desregramento psíquico, também se produz a sua toxina específica. Assim é que o fluido mórbido produzido pelo ciúme é muito diferente daquele que é fruto da luxúria, da cólera ou da crueldade. Deste modo, também varia a sua ação virulenta quando verte para a carne, como também varia a sua preferência especial por determinada região ou órgão do corpo físico. Consideremos, por exemplo, certo tipo de toxinas ou fluido mórbido psíquico, produzido pela mente desgovernada, e que ao “descer” do perispírito só se acumule preferencialmente em torno da região do tórax-etérico, onde se situa o “chacra” cardíaco, que é o órgão do duplo etérico controlador dos movimentos autônomos do coração e da respiração do corpo carnal. Sob a lei sideral de correspondência vibratória, esse conteúdo tóxico, oculto no tórax espiritual, há se de transferir e estagnar no tórax físico, quando da encarnação do espírito ou mesmo durante a sua produção deletéria quando encarnado. Só mais tarde, então, com a morte do corpo físico, o veneno será absorvido pela terra, devido à desintegração cadavérica. Conforme seja a resistência orgânica ou o tipo humano com os seus ascendentes biológicos hereditários, é que o veneno psíquico também há de produzir afecções na região respiratória, sob vários aspectos; enferma os alvéolos bronquiais, perturba a diástole ou sístole cardíaca, dificulta a respiração e a circulação nos pulmões, oprime a função irrigadora das coronárias ou asfixia o campo magnético onde se move o coração. Em algumas criaturas resultam as dispnéias asmáticas, as arritmias, os estados respiratórios opressivos; noutras é a propensão fácil para a bronquite ou afecções pulmonares mais graves. 
        Queremos esclarecer-vos, enfim, que um mesmo tipo de toxinas baixadas do psiquismo pode provocar diferentes reações enfermiças quando também atua em diversas criaturas diferentes, pois a maior ou menor resistência dependerá particularmente das suas constituições orgânicas hereditárias. Há casos, por exemplo, em que o mesmo veneno psíquico que num indivíduo afeta exclusivamente a função cardíaca, noutra criatura apenas atinge o centro respiratório, ou então produz o terreno propício para a proliferação do pneumococo.  Quando esse tipo de veneno psíquico, eletivo da região torácica, é bastante denso e excessivamente radioativado em suas emanações nocivas, em certos casos pode causar uma espécie de asma de fundo tipicamente astral. E para espanto da Medicina acadêmica, esta moléstia só é aliviada ou curada sob o tratamento de passes magnéticos, medicamento homeopático de alta dinamização, ou então pelo poder dissolvente do magnetismo terapêutico, que é irradiado pelo processo de “simpatia” ou “benzimento”, muito familiar a certos magistas e curandeiros sertanejos.

              Ramatís – Fisiologia da Alma

quarta-feira, 16 de outubro de 2013

A História de Pai Arruda

BREVE EM NOSSA LIVRARIA!!!


Sinopse: Um jovem africano ágil, astuto e feliz chega ao litoral da Bahia por volta de 1750, como tantos outros trazidos pelo comércio escravista. Este, especificamente, tinha uma missão especial traçada pelo Alto: tornar-se sacerdote e levar a todos o bálsamo da cura. Mas cruza-lhe o caminho um ávido feiticeiro das trevas, um senhor de engenho manipulado por espíritos macabros e sua jovem cunhada, cuja presença na fazenda era sempre prenunciada pela visita de cobras, compondo todos o cenário de um drama humano em que brancos e negros são movidos por um doloroso resgate cármico. 
      Esta é uma história real que expõe as adversidades por que passaram os negros escravos em solo brasileiro, particularmente aqueles que possuíam dotes mediúnicos. Mas não é somente a história de um escravo que tornou-se preto velho no Espaço, nem apenas mais um enredo envolvendo elos cármicos. A História de Pai Arruda mostra os escaninhos da evolução de muitos seres humanos ao longo de muitos séculos, em diversas partes do planeta, para chegar aos terreiros de umbanda da atualidade, grande cadinho onde se amalgamam almas comprometidas que resgatam dívidas pretéritas por meio da prática da caridade.
     Além de nos colocar como espectadores, por trás da visão de um menino-homem predestinado ao sacerdócio, podemos testemunhar, sob sua própria ótica, como se davam os primeiros rituais afro-brasileiros numa época em que a umbanda ainda não existia, e sentir na pele o desabrochar de suas experiências mediúnicas.
     A História de Pai Arruda é um romance muito envolvente e sobretudo um convite para que cada um tome a decisão de abandonar os porões escuros da própria alma, alçando voo a paragens mais luminosas, a que somente a libertação da consciência conduz.

segunda-feira, 14 de outubro de 2013

Iniciação com Orixã Nanã - um feixe de luz varreu a escuridão.

       
         
        Na Umbanda, com as iniciações internas, decorrência da vivência no templo, ritualizadas através de liturgias propiciatórias, expandimos nossa sensibilidade psíquica e mediúnica para percebermos com mais clareza - claridade ou iluminação interna - o mundo transcendental dos Orixás e os nossos ancestrais – benfeitores espirituais. São experiências religiosas em comunhão grupal, e se acompanhadas do estudo contínuo, reflexão sobre os estados vivenciados de consciência alterada e busca incessante do autoconhecimento, "seguramente" nos conduzirão a um destino alvissareiro: sermos seres humanos – espíritos – melhores e felizes na vida, na comunidade de "santo", na família e na sociedade. NORBERTO PEIXOTO.

* * *
        
         Estava pensando no significado da palavra feixe e busquei dois dicionários da língua portuguesa, pois pretendia dar o significado correto da mesma e encontrei o seguinte: a)coisas da mesma espécie unidas no sentido do comprimento: feixe de palha; b) conjunto de raios luminosos paralelos ou quase paralelos, de uma fonte comum: feixe de luzes; entre outras mais. Fiquei pensando sobre o porquê de tal atitude, pois as pessoas devem saber e então isto seria chover no molhado. Mas quando fico martelando algo em minha cabeça enquanto não coloco em ação a ideia não tenho sossego, parti logo para a minha busca. E quando encontrei o que procurava fiquei feliz e aqui vai o motivo. Um texto intimista que relata uma experiência marcante, vivida durante uma noite de trabalho na casa onde desenvolvo minhas atividades como médium umbandista, estudando e trabalhando com afinco em prol da coletividade e principalmente de mim mesma, tentando compreender a relação dos seres humanos com o Divino, representado através dos Orixás. Relação que vem se desenvolvendo e amadurecendo através dos séculos e das mais diversas culturas, ligando o homem ao sagrado, seja através do medo ou da adoração, para que haja um melhor entendimento da figura representativa de um Deus que ainda não é bem compreendido por falta de melhores conceitos que sirvam para esclarecer de vez que na maioria das vezes são colocados apenas em termos intelectuais ou de imaginação popular.
       Então como é de praxe na Casa Umbandista após o trabalho de passes e consultas com as entidades manifestadas, depois que todos os frequentadores são atendidos e a portas se fecham para o público, inicia-se um trabalho com toques e cantos para os Orixás e para as diversas linhas de trabalho, conforme a necessidade da corrente mediúnica e sempre de acordo com a orientação repassada pelos mentores astrais para o Zelador e dirigente responsável pela comunidade religiosa. E assim, como habitualmente ocorrem após as sessões públicas – que são atendidos em média 200 pessoas -, realizou-se a “limpeza” energética da corrente e da casa, encaminhamento de entidades sofredoras, doentes em geral, das energias densas e pesadas, deixadas pelas dores dos seres humanos, das formas pensamentos, sempre com a ajuda das falanges do bem e restabelecido o reequilíbrio dos médiuns o fim de mais uma noite estava próximo quando o Dirigente solicitou a todos que não estavam incorporados que ajoelhassem para o Orixá Nanã, que se manifestava “ocupando” vários médiuns ao mesmo tempo, notadamente num transe coletivo de possessão característico com movimento dos corpos peculiares ao mito ancestral revivido pelos toques de atabaques e cânticos,  para sentirmos plenamente a energia e vibração ( axé ) de Nanã fazendo louvor em forma de reza e rogativa, fixando-nos o encantamento sagrado que se fazia intenso pela ritualização vivenciada e indutora dos estados alterados de consciência. Não saberia dizer quanto tempo se passou porque ao nos identificarmos com a energia – axé - de Nanã perdemos a noção das horas, nos elevamos e deixamos de sentir o corpo físico, mesmo posicionados como estávamos, não sentíamos os joelhos, nossos ossos não reclamavam da posição incômoda, o esqueleto físico não se manifestava em desconforto. E durante o transcorrer da louvação, concentrada e acompanhando mentalmente as palavras do dirigente que nos guiava e orientava naquele momento através do seu verbo mediunizado - psicofonia -, abriu-se o meu campo de visão psicoastral e percebi através da ajuda da espiritualidade e dos guias que nos mostram aquilo que podemos e suportamos ver para nosso esclarecimento e orientação, que estava muito escuro acima de nós, em algum ponto no céu a escuridão se fez aterradora, não sei em que dimensão a cena transcorreu, mas repentinamente surgiu num canto, bem no alto um feixe de luz tão intenso que varreu a escuridão, como um farol, guiando os navegantes nas noites de tormenta. No momento me veio à mente a figura do Arcanjo que com sua luz varre a escuridão abissal numa promessa de redenção para os que apresentam condições de serem resgatados das sombras. Foi muito intenso e me marcou.

Orixá Xangô é o Senhor do Trovão e Relâmpago.

domingo, 13 de outubro de 2013

Os pretos velhos e caboclos estão diminuindo???

Momentos com Chico Xavier


Estávamos na residência do Chico Xavier.
Seu estado de saúde não lhe permitia deslocar-se até o centro. A multidão se comprimia lá na rua em frente. Quando o portão se abriu, a fila de pessoas tinha alguns quarteirões.
Foram passando uma a uma em frente ao Chico. Pessoas de todas as idades, de todas as condições sociais e dos mais distantes lugares do país. Algumas diziam:
- Eu só queria tocá-lo…
- Meu maior sonho era conhecê-lo…
- Só queria ouvir sua voz e apertar sua mão…
Uns queriam notícias de familiares desencarnados, espantar uma ideia de suicídio.
Outros nada diziam nada pediam, só conseguiam chorar.
Com uma simples palavra do Chico, seus semblantes se transfiguravam, saíam sorridentes.
Ao ver as pessoas ansiosas para tocá-lo, a interminável fila, a maneira como ele atendia a todos, fiquei pensando:
“Meu Deus, a aura do Chico é tão boa… seu magnetismo é tão grande, que parece que pulveriza nossas dores e ameniza nossas ansiedades”.
De repente, ele se volta para mim e diz:
- Comove-me a bondade de nossa gente em vir visitar-me. Não tenho mais nada para dar. Estou quase morto. Por que você acha que eles vêm?
Perguntou-me e ficou esperando a resposta.
Aí, pensei:
Meu Deus, frente a um homem desses, a gente não pode mentir e nem dizer qualquer coisa que possa vir ofender a sua humildade (embora ele sempre diga que nunca se considerou humilde).
Comecei então a pensar que quando Jesus esteve conosco, onde quer que aparecesse, a multidão o cercava. Eram pessoas de todas as idades, de todas as classes sociais e dos mais distantes lugares.
Muitos iam esperá-lo nas estradas, nas aldeias ou nas casas onde Ele se hospedava. Onde quer que aparecesse, uma multidão o cercava. Tanto que Pedro lhe disse certa vez:
“Bem vês que a multidão te comprime”.
Zaqueu chegou a subir numa árvore somente para vê-lo. Ver, tocar, ouvir, era só o que queriam as pessoas.
Tudo isso passou pela minha cabeça com a rapidez de um relâmpago. E como ele continuava olhando para mim, esperando a resposta, animei-me a dizer:
- Chico, acho que eles estão com saudades de Jesus.
Palavras tiradas do fundo do coração, penso que elas não ofenderam sua modéstia.
A multidão continuou desfilando. Todos lhe beijavam a mão e ele beijava a mão de todos.
Lá pelas tantas da noite, quando a fila havia diminuído sensivelmente, percebi que seus lábios estavam sangrando. Ele havia beijado a mão de centenas de pessoas. Fiquei com tanta pena daquele homem, nos seus oitenta e oito anos, mais de setenta dedicados ao atendimento de pessoas, que me atrevi a lhe perguntar:
- Por que você beija a mão deles?
A humildade de sua resposta continuará emocionando-me sempre:
- Porque não posso me curvar para beijar-lhes os pés...

Adelino da Siveira - do livro Momentos com Chico Xavier.

sexta-feira, 11 de outubro de 2013

A Umbanda existe para ser...

                     


             A Umbanda existe para ser, na vida daqueles que a procuram, uma religião, ou seja, um instrumento de ajuda à sua religação com Deus. Ela não é um conjunto de rituais exdrúxulos e "entidades" incorporadas oferecendo falsos fenômenos e esperanças pueris, com idéias sem nenhuma credencial científico-religiosa que cumpra a sua função específica de libertar o homem, e levá-lo à felicidade e ao equilíbrio pela harmonia interna e na vida. Neste indispensável e fundamental momento de consciência planetária que estamos passando, convidamos a todos que são frequentadores e membros da corrente do Grupo de Umbanda Triângulo da Fraternidade a dedicarem maior atenção à chamada "mediunidade consciente", dentro da qual o intermediário é compelido a guardar suas verdadeiras noções de responsabilidade no dever a cumprir. Como ser instrumento de libertação dos que procuram o Templo Religioso que laboramos na mediunidade se o trabalhador não cultiva o seu campo de meditação, educando a mente indisciplinada e enriquecendo os seus próprios valores nos domínios do conhecimento, multiplicando as afinidades com a esfera superior, esforços a benefício de seus irmãos e de si mesmo?
      Sobretudo, ninguém se engane relativamente ao mecanicismo da mediunidade, que não são mais inconscientes. Todo intérprete da espiritualidade no decurso dos processos psíquicos, é obrigado a cooperar, fornecendo alguma coisa de si próprio, segundo as características que lhe são peculiares, porquanto, se existem faculdades semelhantes, não encontramos duas mediunidades absolutamente iguais, mesmo numa vivência ritual idêntica. Lembremo-nos de que não nos achamos empenhados em edificações exteriores, para os olhos do mundo, onde a forma deva sacrificar a essência, e sim na construção de uma vida melhor. Notadamente no círculo de nossas experiências iniciáticas no Templo Religioso de Umbanda, com o objetivo de conduzir-nos agora à felicidade e plenitude no mundo profano e no futuro quando retornarmos para o outro lado da vida. Guarde cada frequentador e membro ativo da corrente do Grupo de Umbanda Triângulo da Fraternidade a consciência, a responsabilidade e o espírito de serviço à maneira que é necessário valorizar e multiplicar com Jesus e os Orixás. Não nos esqueçamos de que é através dos canais mediúnicos que o Divino Mestre está derramando a sua luz sobre toda a carne independente de crenças individuais, mas que nós médiuns precisamos melhorar nossa recepção enriquecendo nossas mentes e disciplinando nossas condutas internas, a fim de que sejamos, de fato, intérpretes fieis da Divina Luz - Umbanda - e dos nossos abnegados mentores espirituais.

Muita paz, saúde, força e união a todos,
Norberto Peixoto.

REFLEXÃO: diante os fenômenos da mediunidade.

Chico Xavier, o maior médium de todos os tempos? Divaldo Franco, seu sucessor? Exageros pueris. Desconhecimento das fontes histórico-doutrinárias do Espiritismo, ou franca discordância em relação às mesmas. Eis aqui uma prova, com a benção da lucidez kardeciana, ao traçar linha divisória entre a eventual excepcionalidade dos fenômenos (sim, providenciais) e a qualidade, porém, dos conteúdos por eles obtidos, coisa bem diversa. Matéria que deveria ser lida e relida pelo público espírita, em parte, assaz deslumbrado, místico e infantil. Nela, Kardec se refere a um jovem médium de que lhe falaram...

Esse jovem é, pois, um médium em toda a acepção da palavra, e dotado, além disso, de múltiplas faculdades, pois, ao mesmo tempo, é médium escrevente, falante, vidente, audiente, mecânico, intuitivo, inspirado, impressionável, sonâmbulo, médico, literato, filósofo, moralista, etc. [...] eis um médium completo, notável [...] Quanto ao valor desses documentos, a julgar pela amostra dos pensamentos ali contidos, certamente deve haver coisas excelentes. Serão todas boas? É uma outra questão. Sob esse aspecto, sua origem não é uma garantia de infalibilidade, considerando-se que os Espíritos, não sendo mais que as almas dos homens, não têm a soberana ciência. [...] Os espíritos fazem parte da humanidade e, até que tenham atingido o ponto culminante da perfeição, para o qual gravitam, estão sujeitos a enganar-se. É por isso que jamais se deve renunciar ao livre-arbítrio e ao raciocínio, mesmo em relação ao que vem do mundo dos espíritos; jamais se deve aceitar seja o que for de olhos fechados e sem o controle severo da lógica. Sem nada prejulgar sobre os documentos em questão, eles poderiam contar coisas boas ou más, verdadeiras ou falsas; por conseguinte, teríamos que fazer uma escolha judiciosa, para a qual os princípios da doutrina podem fornecer úteis indicações.[1]

Mas ai de quem, no movimento espírita brasileiro, fizer o que Kardec fez e aconselhou a fazerem os adeptos; ai de quem ousar aplicar os princípios da doutrina ao que dizem os gurus jesuíticos que assaltaram o kardecismo há décadas, farta munição para certas metralhadoras mediúnicas, máquinas reprográficas das maiores fascinações, que só ridicularizam o legado kardeciano por tabela, pois não o representam verdadeiramente, a despeito de se colocarem à sombra de seu prestígio e respeitabilidade.

Até quando permitiremos tudo isso, calados, em nome, aliás, de uma caridade que, em geral, desconhecemos nas mais comezinhas coisas? Doutrina de gigantes nas mãos de pigmeus, macacos em loja de louças... Perdoem-me e ajam, insurjam-se, pelo amor de seus filhos ao menos.


[1] Revista Espírita. Nov/1867. Impressões de um Médium Inconsciente a Propósito do Romance do Futuro.

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