segunda-feira, 9 de setembro de 2013

Obsessão entre encarnados.



          Esse é um fenômeno muito corriqueiro entre nós. São os casos em que as pessoas se tornam, reciprocamente, obsessoras. O mal seria o mesmo da chamada perseguição de um desencarnado sobre quem está entre os que experienciam na carne. A diferença do processo, muitas vezes, encontra-se apenas na invisibilidade. 
        Muitas pessoas se queixam que sofrem perseguição de alguém ou que se sente sugada por determinada criatura. Às vezes tem-se a impressão que ela vive para impedir a felicidade do outro. Óbvio que esses acontecimentos, quase sempre, tem sua origem em contendas antigas que varam o tempo. Não é por acaso que certas circunstâncias chegam em nossas vidas. A força imantadora do débito ou a necessidade imperiosa de aprendizado, ou ainda a carência que temos de devolver a alguém o que usurpamos no passado se impõe vertiginosamente nessas relações doentias. 
        O interessante, alem de saber que sem motivos a problemática não se instalaria em nossas vidas, é ter consciência que o procedimento para lidar com tal processo se relaciona com o redirecionamento de nossa existência. O Evangelho traz um grande contributo para que venhamos a quebrar o triste "elo" que nos mantém envolvido em tal situação. Perdão sincero, serenidade operante e determinação em superar tal fato são elementos fundamentais. Quase sempre não é fácil pelos mecanismos de interdependência emocional, afetiva e até de mágoas mútuas que vão consolidando a nefasta simbiose. Por isso que o perdão é recurso poderoso na solução do drama. O mal se alimenta da mágoa, do ressentimento, do ódio que se aninha nas entranhas da relação, vitalizando a agonia do inferno dessa relação. 
      Não podemos seguir adiante na construção da felicidade mantendo núcleos de animosidade ferrenha no rastro que deixamos. Ser livre para conquistar o futuro passa por conseguirmos alterar as forças que marcam nossas provas. Mudar a energia distoante que nos vinculam a quem nos persegue ou que se sente credor nosso. Esses lamentáveis fatos são lições que nos fazem refletir o que estamos fazendo da nossa capacidade de relação. Ninguém lesa o outro sem estar lesando a si próprio. Nossos atos são forças vivas que vencem o tempo e o espaço, magnetizando-nos àqueles que foram alvos de nossas atitudes. 
         O amor que cobre a multidão de pecados é o alimento divino que pode modificar todo o ambiente. Junto com o arrependimento sincero, alem da resignação operosa, sem acusações descabidas, representam trunfos da alma em sua trajetória para se livrar, ante o tempo breve ou mais longo, desses gêneros de obsessão. Tanto a perseguição tradicional quanto à de encarnado para encarnado, o caminho é a melhoria de vibração pessoal, pagando todo o mal com o bem. Para toda plantação haverá sempre a colheita correspondente. Plantemos o melhor agora. Ante a lei do progresso, toda animosidade se transformará, um dia, em sincero afeto, clareando toda a sombra à nossa volta.

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