segunda-feira, 30 de setembro de 2013

Reencarnação: como estamos agindo?

     
     Até meados do século VI, todo o Cristianismo aceitava a Reencarnação que a cultura religiosa oriental já proclamava, milênios antes da era cristã, como fato incontestável, norteador dos princípios da Justiça Divina, que sempre dá oportunidade ao homem para rever seus erros e recomeçar o trabalho de sua regeneração, em nova existência.
     No entanto, o Concílio realizado em Constantinopla, no ano de 553 D.C, resolveu rejeitar todo o pensamento de Orígenes de Alexandria, um dos maiores Teólogos que a Humanidade tem conhecimento. As decisões do Concílio condenaram, inclusive, a reencarnação admitida pelo próprio Cristo, em várias passagens do Evangelho, sobretudo quando identificou em João Batista o Espírito do profeta Elias, falecido séculos antes, e que deveria voltar como precursor do Messias ( Mateus 11:14 e Malaquias 4:5 ).

     Quem são os que acreditam na REENCARNAÇÃO???

     O Número de pessoas que se declaram espíritas no Brasil passou de 2,3 milhões em 2000 para 3,8 milhões em 2010(IBGE).NO mundo EXISTEM  aprx. 13 milhoes de pessoas que se declaram Espiritas.(rev. ABRIL)
     Só o fato de acreditarmos na Reencarnação,  é suficiente ???

     É importante procurarmos entender as leis que regem a Reencarnação, como e por que ela ocorre, qual a sua finalidade e, principalmente, como saber aproveitá-la, do ponto de vista da nossa conciência Divina.. Mas o fato de se acreditar na Reencarnação não garante automaticamente o seu real aproveitamento, bem como  o não acreditar, não implica em estar desperdiçando-a. O que vai determinar o aproveitamento, ou não, de uma passagem terrena é conseguirmos alcançar uma ascensão, no minimo satisfatória, em nosso grau espiritual, ou seja, um aprimoramento nas nossas características pessoais, num trabalho de purificação e no cumprimento de nossa missão individual. 
     Uma das chaves para o aproveitamento de uma encarnação é procurarmos a clareza a respeito de que somos um Espírito ,e não só  um "corpo", que serve como seu veiculo de manifestação. O Espírito vem à Terra para aprender , crescer , purificar-se, concretizar sua evolução, e necessita de um "veículo" para manifestar-se no físico. Mas quando passamos  a acreditar que somos o"corpo físico" e, por conseqüência, aproveitamos  pouco a oportunidade de aprendizado.
    Portanto, o melhor esforço está no aperfeiçoamento próprio. É isso que importa, afinal de contas? A instrução é o tesouro da alma. Mas que aproveito tem o homem,em possuir um tesouro e não usa-lo corretamente.
O desenvolvimento da nossa acuidade espiritual faz brilhar a luz dentro de nós. Não basta ao homem espiritualizar-se. Ele deve aplicar e demonstrar a sua espiritualização. Viver é compartilhar.
     Allan Kardec escreveu "Reconhece-se o verdadeiro espírita pela sua transformação moral e pelos esforços que emprega para domar suas inclinações más."   

  Fontes de consulta:Evangelho Segundo o Espiritismo/Livro dos Espiritos/Portal do Espírito  


sexta-feira, 27 de setembro de 2013

Existe falta de amor nas religiões?


Pergunta – Entendemos que o amor é fator de saúde perispiritual e física, pois muitas doenças são causadas pelo desamor. Quais seriam as consequências da falta de amor nas religiões?
Ramatís – Jesus,  na primeira vez que visitou Jerusalém, a orgulhosa capital de Israel, acostumado à “maresia” suave que, igual a brisa benfazeja, cobria as comunidades simples que habitavam ao largo do mar de Tiberíades na Galileia, surpreendeu-se com os cheiros pútridos dos esgotos abertos nas ruas mal conservadas, que inundaram suas narinas sensíveis, acostumadas em suas peregrinações aos odores suaves da natureza pura. O amoroso Rabi tinha o seu chacra frontal completamente desenvolvido e assim como o condor voando enxerga a serpente rasteira na escarpa montanhosa, com sua acuidade clarividente extraordinária foi inevitável visualizar os miasmas exalados pelos habitantes – encarnados e desencarnados - da cidade “gloriosa” do judaísmo, chafurdada numa crise de natureza econômica e moral, com uma população sedenta de prodígios explorada pelos religiosos concupiscentes, sem nenhum amor, e pelos romanos, tributaristas implacáveis.
     Mesmo o templo principal tendo sido ornado com madeiras nobres do Líbano e painéis de ouro maciço, a miséria espiritual reinava e os recintos internos da catedral israelita não convidavam à introspecção religiosa, pela frieza formalista dos sacerdotes, que só queriam remunerar-se pelos ritos de purificação aplicados, como santos de pau oco, bonitos por fora, mas vazios por dentro.

quarta-feira, 25 de setembro de 2013

Preconceito com a mediunidade de “incorporação” - transe de possessão induzido.

       

         Por Norberto Peixoto.

      A umbanda ainda não conseguiu uma organização suficiente para uma unidade mínima de seus rituais e corpo doutrinário. Certo que encontramos muitas expressões ritualizadas diferentes, em conformidade com as consciências simpatizantes que se acercam dos milhares de terreiros existentes. Todavia, os diversos grupos de nossa religião, mantém em comum uma igualdade que podemos afirmar como o “núcleo duro” ou ponto central inquestionável de semelhança na umbanda, que é a chamada mediunidade de “incorporação” ou transes mediúnicos induzidos através de ritos propiciatórios a estados alterados de consciência 
        Infelizmente constatamos que outras confissões religiosas afirmam que isto é dispensável, um atraso e primarismo espiritual. 
        A respeito do controverso tema, tenho a dizer que os nossos mais fortes aliados na “luta” para evoluirmos num planeta de provas e expiações são nossos ancestrais, conhecidos e cultuados entre quase todas as civilizações antigas, notadamente as silvícolas e africanas, que são antepassados fundamentais na formação da teogonia e doutrina umbandista. 
      Há que se registrar que os espíritos ancestrais não são Deuses ou seres glamorosos envoltos em miçangas e girando através do Universo com os seus fantásticos poderes cósmicos para moldar as forças da Natureza. Não por acaso os Eguns, como os nagôs os denominam são representados pelo pano, o tecido envelhecido e rasgado que simboliza a passagem do tempo e o desvanecimento da existência física entre as reencarnações sucessivas. São consciências que evoluem trilhando no mais das vezes as mesmas dificuldades dos encarnados e ainda retidos na roda das reencarnações sucessivas. 

sábado, 21 de setembro de 2013

O benzimento é um ato de magia?

PERGUNTA: Os tradicionais benzimentos produzem algum efeito positivo nos pacientes?
RAMATÍS: Desde que confieis no poder do bem, é evidente que também deveis confiar no benzimento, pois este é um modo de praticá-lo! Há quem maldiz e quem abençoa; quem benze, abençoa! É tão funesto desejar o mal, como é benéfico desejar o bem; o benzedor, portanto, é a criatura que durante alguns momentos abdica de seus interesses e de sua própria comodidade, afim de movimentar forças em favor de outrem. Portanto, descrer do benzimento é o mesmo que descrer da positividade do bem!

PERGUNTA: O benzimento seria um ato de magia? 
RAMATÍS: - Conforme diz o dicionário comum, "magia é a ciência ou arte de empregar conscientemente os poderes invisíveis para obter efeitos visíveis". A vontade, o amor e a imaginação são poderes mágicos que todos possuem e quem os desenvolve e os emprega conscientemente é um mago! Em conseqüência, o benzedor, que benze, faz simpatias ou responsos, exorcismos ou passes, é a pessoa que está mobilizando os poderes invisíveis para conseguir resultados positivos no mundo material. E como emprega tais poderes para o bem, é, também, um mago que pratica magia branca. Não importa se ele não se cerca dos apetrechos consagrados pela tradição milenária da magia. Mas é um mago popular praticando a sua magia a varejo e destinada a fins de menor importância. O benzimento é um ato de magia teúrgica, porque é uma arte de fazer milagres!

Ramatís - Magia de Redenção.

As criaturas que praticam o benzimento.

As criaturas que praticam os benzimentos são verdadeiros transformadores vivos, pois dissolvem o fluído do mal olhado ou da projeção mental a distância e malevolamente incrustrados na aura das crianças. Elas se ajustam muito bem no conceito dinâmico recomendado por Jesus: "Quem tiver fé como um grão de mostarda, removerá montanhas".
Em face da maldade predominante ainda no mundo primário terreno pelo entrechoque dos piores sentimentos de raiva, ódio, ciúme, perversidade e orgulho, o benzedor é um "oásis" no deserto escaldante do sofrimento humano! Ele cura bicheiras, levanta quebranto, alivia epilépticos, afasta mau olhado, acalma vermes, reza responso para descobrir aves e animais perdidos, defuma residências enfeitiçados, limpa a aura das criaturas contaminadas por maus fluídos, expulsa o azar da vida alheia, benze eczemas e impingens, conserta espinhela e arca caída de crianças recem-nascidas, benze de inveja ou de susto, faz simpatias que derrubam verrugas ou calos.
Mais vale a preta velha com galho de arruda, cheia de crendices e supertições invocando " Nosso Sinhô Jesus Cristo" para benzer o próximo e livrá-lo dos fluidos ruins, do que ALEXANDRE, CÉSAR,GÊNGIS KHAN, NAPOLEÃO, HITLER e todos os comandos militares do mundo, que esfrangalham corpos sadios e jovens, derramando sobre a face da terra o sangue generoso dos homens!
Mil vezes o inofensivo benzedor, humilde e analfabeto, que ajuda o homem desventurado a viver, do que o cientista, o general ou o lider político, que destroem a juventude do mundo sobre o massacre hediondo da guerra.
O caboclo inculto, pobre e ingênuo, prolonga a vida do próximo, enquanto as elites dominadoras do mundo, povoam os cemitérios de corpos trucidados. Felizes dos que se curvam ao benzimento supersticioso, que lhes ameniza a existência atribulada, do que aqueles que se subordinam ao gênio cientifico, que aperta um botão eletrônico e liquefaz milhares de criaturas sob o fogo desintegrador da bomba atômica!

Fonte: Ramatis - Magia de Redenção | Ed. do Conhecimento

quarta-feira, 18 de setembro de 2013

Onde OXUM mora!?






A magia dos atabaques.

           
         Aquela noite estava especial e o céu apresentava um tom azul aveludado, salpicado de estrelas, com a lua entremeando as nuvens de um prateado difícil de ser descrito, porque o olho humano não tem alcance de todas as cores existentes. A atenção de Dina ia do céu para o anel que tinha no dedo, com uma gema da chamada “pedra das estrelas”, de um azul profundo salpicado de dourado. Era o seu anel predileto e naquele instante parecia que o céu refletia naquela pedra, tamanha a beleza da mesma. Seu pensamento vagou e a grandeza do planeta que habitava lhe veio à mente. Pensou na magnitude do Incriado e na falta de compreensão ante os mistérios da criação e da ignorância em que se mantinham ainda os seres humanos, apenas interessados no imediatismo do qual estavam cercados. Estava no jardim de sua casa e o perfume das flores inundava o ar, impregnando seu olfato com os mais variados perfumes, sobressaindo-se entre eles o aroma do jasmim do poeta e das madressilvas que enfeitavam os muros da residência. Amava aquele pedaço de chão e ali retemperava suas energias, porque era cercado de muito verde e localizado no sopé de um morro. Quando em dias apropriados fazia uma caminhada até o topo  vislumbrava a cidade lá embaixo, banhada pelo Lago Guaíba de um lado e de outro Itapuã e a Lagoa dos Patos, entremeada com variados tons de verde num contraste encantador, ficava emocionada por tamanha obra de amor desinteressado, projetada e construída pelos engenheiros siderais ao longo dos milênios, preparada carinhosamente para receber em bando de moleques espirituais em regime integral de aprendizado.
Como a noite estava avançada, Dina resolveu se recolher, precisava levantar cedo para desempenhar suas tarefas diárias, com a família e o trabalho. Encheu os pulmões com o ar fresco e perfumado da noite e retendo o aroma gostoso em sua memória se preparou para dormir. Tão logo se aninhou ouviu o estalar do lustre, três vezes, repetido com pequenos intervalos de segundos entre eles, sempre três estalidos de cada vez. Já acostumara com aquele som e com o passar do tempo compreendeu ser a forma que o Guia espiritual usava para comunicar que já estava esperando ela adormecer para então desdobrá-la e juntos saírem em aprendizado e trabalho no mundo astral. Sempre com atividades úteis e compreensão das tarefas a serem cumpridas. Assim que adormeceu viu-se em meio a um grupo de guerreiros portando material de batalha como lanças, espadas e outros de origem desconhecida. Em meio daqueles seres fortemente armados divisou uma ala com instrumentos musicais, quando seu orientador explicou  que logo compreenderia a razão dos instrumentos e deveriam partir  em jornada de resgate de sofredores e escravos em regiões umbralinas. Que os encarnados desdobrados dariam suporte fornecendo o ectoplasma necessário para os socorros nas referidas regiões, que nem todos se lembrariam do ocorrido e alguns teriam sentimentos confusos e lembranças de sonhos estranhos. Surgiu em meio ao exercito em formação um general anunciando a partida e ao levantar a espada ouviu-se o toque de clarins. As tropas se  movimentaram tão rápido que logo desaparecem e Dina sentiu o deslocamento no espaço voando noite adentro, num sentimento de liberdade e leveza, com o vento a sussurrar em seus ouvidos. Reconheceu  avenidas e praças e quando se aproximaram do Viaduto Obirici ouviu claramente o som dos atabaques, rufando na madrugada. Chegaram numa Casa de Caridade Umbandista que seria a base do trabalho da noite. A movimentação por ali era grande e o templo estava cercado por guerreiros fortemente armados, os portões e entradas guardados pelos Exus enquanto equipes se mesclavam com pretos velhos, caboclos, boiadeiros, marinheiros, ciganos, numa multiplicidade de formas e harmonia dignas de serem copiadas pelos encarnados. Quando se voltou para olhar a curimba ficou extasiada ao avistar entidades altas, fortes, esguias, cor de jambo, usando calças largas e coletes de seda, de um branco imaculado, turbantes na cabeça e uma pedra no alto da fronte. Quando as mãos batiam no couro dos atabaques um som mágico reverberava no ar e se deslocava com rapidez, formando correntes que se dividiam e reforçavam a segurança de tal forma que ninguém ultrapassava aquelas barreias e à medida que os socorridos iam chegando eram levados e encaminhados pelas ondas sonoras. Dina acompanhava o espetáculo que se desenrolava ante seus olhos quando sentiu um forte puxão que levou os encarnados desdobrados para o meio do abaçá, isolado pelo magnetismo e força do som e sentiu que dançavam num movimento harmonioso, enquanto o ectoplasma era recolhido, trabalhado e depois usado para curar e aliviar o sofrimento daqueles estropiados e necessitados de socorro. A entrega era  total. Parecia não possuir mais o corpo físico e a sensação de entrar na energia dos toques e cantos era tão forte e extasiante que poderiam ficar dançando completamente enlevados por horas a fio. O tempo não importava e não havia mais passado, presente ou futuro, somente o agora. Estava tão arrebatada que não percebeu quando foram reconduzidos aos seus lares às quatro horas da manhã quando Ogum rompeu a alvorada. Vislumbrou com vistas turvas o Guia espiritual desejando um ótimo dia na matéria. Com os olhos semicerrados  acenou lentamente e dormiu um sono profundo e reparador. Ainda repercutia em seus ouvidos o som mágico dos atabaques. 

Lirializ


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Alguns fundamentos dos atabaques

       O atabaque é um instrumento musical Sagrado na Umbanda, utilizado nos trabalhos espirituais para produzir vibrações energéticas, que são direcionadas pelo guia chefe, para determinados trabalhos realizados no terreiro.
         Há três tipos de atabaques: O Rum, o Rumpi e o Lé.
       O Rum é o primeiro atabaque, o maior entre os outros, e sempre é tocado pelo Ogan chefe, e só poderá ser tocado por outra pessoa, desde que o Ogan chefe permita. A função deste atabaque é dar os primeiros toques nos pontos, repicar e conduzir os trabalhos impulsionando energias, isso justifica tamanha importância e respeito por se tratar do atabaque do Ogan.
         O Rumpi é o segundo atabaque, de tamanho médio, e poderá ser tocado por qualquer outro filho considerado um atabaqueiro, e autorizado pelo o Ogan chefe. A função do Rumpi é dar somente o ritmo do toque e manter a harmonia, tendo sua importância particular, pois ele é responsável por sustentar a energia básica trabalhada pelo toque.
         O Lé é o terceiro atabaque, o menor entre os três, tocado pelo Ogan ou atabaqueiro iniciante, que ainda está em processo de aprendizado, seguindo sempre os toques do Rumpi. Pode ocorrer de que o guia chefe indique futuros Ogans e atabaqueiros, e o Ogan chefe tem o direito de compartilhar ou não desta indicação, caso seja compartilhada, cabe a ele designar o atabaque que será tocado pelo iniciante.
         O atabaque é composto por 3 elementos naturais, que são: a madeira, o ferro e o couro.
       A madeira, que é regida por Xangô, tem a função de equilibrar a vibração do som e sustentar o cumprimento da justiça divina durante os trabalhos.
O ferro, que é regido por Ogum, tem a função de fortalecer o trabalho realizado no atabaque, dando garra e força ao Ogan e demais atabaqueiros, para enfrentar as dificuldades que ocorrerem durante os trabalhos, e energeticamente garantir a ordem.
     O couro, que é regido por Exú, tem a função de atrair parte das energias condensadas trabalhadas dentro do congá, auxiliando na limpeza das mesmas, e quando o Ogan toca o couro do atabaque, a vibração produzida pelo toque, quebra a contra parte etérea destas energias, dissolvendo-as no astral.
     Sendo assim, o atabaque é responsável, juntamente com as entidades, pela manipulação de três energias básicas, que são: sustentação, ordem e movimento.
     Ao ingressar com o atabaque dentro do terreiro, é iniciado um processo de limpeza, para descarregar todas as energias depositadas no atabaque, desde quando foi manipulado para sua fabricação, até o momento de ser comercializado.
    Após ser descarregado, o guia chefe (dono do atabaque) imanta-o com suas mirongas, energizando-o e ligando-o com a energia da casa.
Feito isso, o atabaque está pronto para ser utilizado pelo Ogan ou atabaqueiro nos trabalhos realizados pelo terreiro.
     A responsabilidade do Ogan ou atabaqueiro é:
1) Do Ogan:
- Avaliação e aprovação dos pontos cantados que serão introduzidos nos trabalhos;
- Conservação e manutenção da pasta de pontos cantados;
- Ensinar os preceitos de utilização dos atabaques, mantendo a disciplina;
2) Do Ogan e atabaqueiros:
 - Cumprir com os preceitos de utilização;
- Conservação e cuidado com os atabaques;
- Responsabilidade do transporte dos atabaques (trabalhos realizados fora do terreiro);
- Se aprofundar nos toque e pontos cantados, e em seus fundamentos.
Tendo em vista o exposto, os atabaques jamais deverão ser utilizados para quaisquer outros fins, a não ser para os trabalhos espirituais realizados pelo terreiro.
                Texto: Ogan Diego Costa

domingo, 15 de setembro de 2013

Os médiuns são humanos e imperfeitos.

"Os médiuns são humanos e, por isso, imperfeitos. No entanto, desde que estudem conscienciosamente, ficam esclarecidos desde o início do seu labor mediúnico quanto às incongruências que precisam evitar, quais os percalços da mediunidade imperfeita e o desajuste dos médiuns no tocante às suas qualidades morais. Os médiuns novos são tímidos, cuidadosos e temem o ridículo. No entanto, em princípio, mal dissimulam a ansiedade de sobrepujar os companheiros mais experimentados, o que não perdem oportunidade de fazer. Alguns sobrevivem com êxito nos ambientes mais confusos; outros perturbam-se nos trabalhos mediúnicos mais harmônicos. Obviamente, eles graduam-se pelos mais variados matizes e de acordo com a maior ou menor influência anímica; em uns predomina a linguagem elevada, o potencial intelectivo superior ou o sentimento de tolerância evangélica; noutros a trivialidade, o primarismo mental ou a franqueza rude de "dizer a verdade" aos outros. Ainda é o médium exibicionista o que mais se preocupa em competir e impor-se sobre os seus companheiros de trabalhos mediúnicos, e assim não perde vaza para atrair a atenção pública e teatralizar as mais singelas comunicações. Ele faz do ambiente mediúnico a moldura que lhe enfeita as atitudes rebuscadas, os efeitos pirotécnicos ou as exclamações dramáticas".

Retirado do Facebook-  página CABOCLO PENA BRANCA

Como agradar os Orixás.

Por Ronaldo Figueira

Certa vez, um homem foi se consultar com um Babalawo. Queria saber por que não dava nada certo em sua vida.

Ao receber a mensagem de Ifá, descobriu qual era o problema. O Babalawo lhe disse:

- Meu filho, sua vida não vai pra frente porque você não fez as oferendas que deveria.

Surpreso o homem indagou:

- Fiz oferendas a todos os Orixás. Como posso não ter feito as oferendas que deveria?! Fui à cachoeira, agradei mamãe Oxum com Ipetê. Fui até o mar, a Yemanjá ofertei flores e perfumes. Nos campos, ofereci a Ogum um cará regado com muito dendê. A Yansã, arriei nos pés de um bambuzal nove acarajés. Em um lindo bosque, oferendei um sarapatel à Nanã e na Calunga deixei junto ao cruzeiro um alguidar com pipocas à Obaluayê. Xangô comeu um saboroso amalá que arriei na pedreira e a Oxossi, levei até as matas um banquete com abóbora, milho, côco e muito mais. E ao glorioso pai Oxalá, oferendei, em um lindo jardim, uma saborosa canjica coberta com muito mel. Agora pergunto: - Ainda faltou alguma coisa?!

 - Faltou o principal, meu filho!

Quando você foi à cachoeira agradar a Oxum, pediu-lhe amor e lhe deu um Ipetê. Mas não ofertou o amor que ela esperava que tivesse pela sua religião, pelos seus antepassados e pelo seu semelhante. Nas águas de Yemanjá, você pediu que abençoasse sua família, mas não é só com flores e perfumes que se agrada a rainha do mar. É preciso que trate a todos os seus irmãos com respeito, pois somos todos uma só família. Nos campos de Ogum, não basta lhe dar um cará. Necessita-se ter a bravura de um guerreiro para suportar os desafios inerentes à vitória almejada. Os ventos de Yansã, que sacodem o bambuzal, trazem os ares da certeza que põem em ordem os corações duvidosos, levando os eguns desorientados, desde que os acarajés ali arriados sejam regados com o fogo da coragem e do entusiasmo. Nos bosques sagrados de Nanã, só se consegue adentrar com profundidade quem traz consigo não só o sarapatel, mas a sabedoria, pois sem ela não se pode se livrar do lamaçal da vida causado pela maledicência, geradora da falta de fé. Na casa do velho Obaluayê, o senhor das passagens, não adianta arriar o deburu (pipoca) se não vivenciar o que isto representa. É necessário mergulhar no fogo da intolerância, deixar a casca dura da vingança e saltar como uma linda flor. O amalá deixado na pedreira só agrada a Xangô se seu coração não estiver como uma pedra, pois assim não adianta pedir para ele aplicar a justiça sobre seus desafetos, porque você não evoluiu o suficiente para discernir justiça de vingança. Seria melhor ter pedido que o ensinasse a proceder com justiça para com o próximo. Para Oxossi, não era necessário um banquete. A fartura em sua vida virá quando você repartir com os menos favorecidos aquilo que você tem em abundância, pois quem reparte aquilo que tem, nuca lhe faltará. Quanto ao bondoso e cristalino pai Oxalá, requer-se muito mais que uma canjica para agradá-lo. Sua oferenda é o seu coração.

Não basta que a canjica esteja cândida; seu coração é que deve estar tomado da mais pura brancura. Você pediu paz, mas não agiu de forma pacífica durante toda a sua vida. E ainda disse que os trabalhos não deram certo.

Ora! Não foram os trabalhos, ebós, sacrifícios e oferendas que fracassaram. Avalie sua vida até os dias de hoje. Coloque um ponto final no modo egoísta de viver. Volte até o recanto dos Orixás e lhes peça todo o axé necessário para que suas mãos possam produzir neste mundo a paz, o amor, a fartura, a justiça, a coragem, a sabedoria e a força geradora das obras do bem. Somente após mudar sua própria maneira de agir, de modo a poder plantar e regar boas sementes, você poderá colher os frutos de um novo amanhecer. Até lá, faça com fé suas oferendas. Os guias espirituais estarão junto de você.
Mas não esqueça que a maior oferenda é o seu coração!

sexta-feira, 13 de setembro de 2013

Interferências anímicas nas mensagens mediúnicas.

PERGUNTA: — Alguns médiuns intuitivos, nossos conhecidos, queixam-se de que em suas comunicações mediúnicas, malgrado o esforço que empregam para domi­nar o fenômeno, não conseguem evitar a influência de cer­tas leituras cotidianas, cujo assunto, então, mescla-se depois às mensagens dos desencarnados. Eles não opõem duvida quanto à veracidade do fenômeno mediúnico em que são intermediários, mas lamentam a impossibilidade de vencer a interferência anímica. Que aconselhais?
RAMATIS: — Algumas vezes a interferência anímica, que os bons médiuns acreditam ser prejudicial em suas comunicações, representa apenas o cimento coesivo e um ajuste providenciado pelos guias, com o intuito de se lograr mais sucesso na mensagem mediúnica da noite. Alguns guias costumam preparar seus médiuns com certa anteci­pação, quando desejam transmitir mensagem de importân cia para o público ou endereçada a alguém de sua estima. Por isso, lhes inspiram as leituras e os aproximam de pes­soas que podem avivar-lhes o mesmo assunto a ser ventila­do posteriormente na instituição espírita. Através dos recursos providenciados à luz do dia, os guias asseguram a coerência da comunicação mediúnica, cimentando a idéia fundamental em foco para o êxito doutrinário ou como advertência ao público.

Daí, pois, as surpresas de alguns freqüentadores que, ao ouvirem o guia da casa prelecionar através do médium, verificam que ele trata de assuntos, advertências ou escla­recimentos que lhes tocam em particular e que muitas vezes os fazem abandonar certas atitudes perigosas culti­vadas na vida física. Doutra feita, o dirigente dos traba­lhos, ao fazer a escolha do tema da noite, abre o Evange­lho na página providencialmente exata e que inspira alguém presente e aflito a solucionar o seu problema dolo­roso de maneira mais sensata e proveitosa.

Do livro MEDIUNISMO.

quarta-feira, 11 de setembro de 2013

O médium e a psicofonia (incorporação) de espíritos sofredores.

     A mediunidade é instrumento de trabalho. Muitos prometem, quando no Mundo Espiritual, cumprir as suas tarefas ao reencarnar, mas falham ao se lhes apresentar alguma dificuldade. Outros nem tentam desenvolver os seus “dons” para servir o próximo. Vêm e vão de mãos vazias, perdendo as belas oportunidades que o Pai Amantíssimo lhes oferece. Não é uma crítica. É uma constatação.
     Outros, entretanto, empenham-se na medida das suas possibilidades, a servir com abnegação, sacrifício e perseverança.
    Uma das mediunidades que exigem muito do médium é a psicofonia, conhecida como incorporação.
     Como médium de incorporação, sei que o que vou passar agora aos leitores é verdadeiro. Não vou contar as minhas experiências, mas uma do médium Norberto Peixoto:
     “Recentemente, nos trabalhos mediúnicos que participo, atendemos um irmão acidentado, que se apresentava em estado bastante perturbado, queixando de muita dor no lado direito da cabeça; mal conseguia fazer-se entender pelo dirigente. Findo o trabalho, fiquei com uma sensação ruim, e a impressão de estar com o perispírito desacoplado, como se a qualquer momento fosse sair do corpo. Na noite subsequente, não consegui dormir, pois sempre que tentava adormecer tinha sensação de queda, como se a cama afundasse, além de escutar gritos e batidas a ecoar no quarto.
     No dia seguinte, exausto, não consegui trabalhar à tarde, e recolhi-me para descansar. Então, senti-me desdobrar e presenciei todo o desencarne do irmão socorrido, como se fosse o próprio: ele estava sendo perseguido por um homem alto que queria maltratá-lo pelo fato de ter estuprado sua filha. Entrava num galpão, que aparentemente era destinado a armazenamento, pois estavam numa comunidade rural e, ao término de uma escada, encurralado numa espécie de sacada que havia na parte superior, ao firmar a perna esquerda no piso de madeira, que talvez estivesse podre, desequilibrou-se, caindo e batendo com a cabeça em algo duro, do lado direito, desencarnando nesta queda acidental. A partir de então, fiquei totalmente restabelecido, recuperando as forças e o bem-estar”.
     Ramatis escreveu que o médium, além das virtudes que já apontei, deve procurar o equilíbrio, a prece, a fé e a confiança, para se fortalecer.
Para encerrar, esclareço que numa sessão mediúnica de desobsessão é importante que os médiuns de sustentação colaborem bastante, pois os Espíritos que se comunicam são, em sua maioria, sofredores, revoltados e até mesmo maldosos.  

Sônia Aparecida Ferranti Tola – Blog Caminheiros da Luz.

FONTE: “Chama Crística” – Ramatis – psicografia de Norberto Peixoto – Editora Conhecimento

segunda-feira, 9 de setembro de 2013

Obsessão entre encarnados.



          Esse é um fenômeno muito corriqueiro entre nós. São os casos em que as pessoas se tornam, reciprocamente, obsessoras. O mal seria o mesmo da chamada perseguição de um desencarnado sobre quem está entre os que experienciam na carne. A diferença do processo, muitas vezes, encontra-se apenas na invisibilidade. 
        Muitas pessoas se queixam que sofrem perseguição de alguém ou que se sente sugada por determinada criatura. Às vezes tem-se a impressão que ela vive para impedir a felicidade do outro. Óbvio que esses acontecimentos, quase sempre, tem sua origem em contendas antigas que varam o tempo. Não é por acaso que certas circunstâncias chegam em nossas vidas. A força imantadora do débito ou a necessidade imperiosa de aprendizado, ou ainda a carência que temos de devolver a alguém o que usurpamos no passado se impõe vertiginosamente nessas relações doentias. 
        O interessante, alem de saber que sem motivos a problemática não se instalaria em nossas vidas, é ter consciência que o procedimento para lidar com tal processo se relaciona com o redirecionamento de nossa existência. O Evangelho traz um grande contributo para que venhamos a quebrar o triste "elo" que nos mantém envolvido em tal situação. Perdão sincero, serenidade operante e determinação em superar tal fato são elementos fundamentais. Quase sempre não é fácil pelos mecanismos de interdependência emocional, afetiva e até de mágoas mútuas que vão consolidando a nefasta simbiose. Por isso que o perdão é recurso poderoso na solução do drama. O mal se alimenta da mágoa, do ressentimento, do ódio que se aninha nas entranhas da relação, vitalizando a agonia do inferno dessa relação. 
      Não podemos seguir adiante na construção da felicidade mantendo núcleos de animosidade ferrenha no rastro que deixamos. Ser livre para conquistar o futuro passa por conseguirmos alterar as forças que marcam nossas provas. Mudar a energia distoante que nos vinculam a quem nos persegue ou que se sente credor nosso. Esses lamentáveis fatos são lições que nos fazem refletir o que estamos fazendo da nossa capacidade de relação. Ninguém lesa o outro sem estar lesando a si próprio. Nossos atos são forças vivas que vencem o tempo e o espaço, magnetizando-nos àqueles que foram alvos de nossas atitudes. 
         O amor que cobre a multidão de pecados é o alimento divino que pode modificar todo o ambiente. Junto com o arrependimento sincero, alem da resignação operosa, sem acusações descabidas, representam trunfos da alma em sua trajetória para se livrar, ante o tempo breve ou mais longo, desses gêneros de obsessão. Tanto a perseguição tradicional quanto à de encarnado para encarnado, o caminho é a melhoria de vibração pessoal, pagando todo o mal com o bem. Para toda plantação haverá sempre a colheita correspondente. Plantemos o melhor agora. Ante a lei do progresso, toda animosidade se transformará, um dia, em sincero afeto, clareando toda a sombra à nossa volta.

domingo, 8 de setembro de 2013

A "prova" da obsessão.

PERGUNTA: — Podeis nos explicar melhor o caso de espíritos que devem reencarnar com o destino fatalista de ser obsidiados, a fim de despertarem os membros de sua família para os postulados da vida e que depois são curados pelo Espiritismo? Estranhamos essa condição de a criatura ser fatalmente vítima da obsessão, quando temos aprendido que ninguém renasce na Terra com a determi­nação de sofrer qualquer castigo ou penalidade proposita­damente, sob a imposição dos espíritos superiores.
RAMATÍS: — Os Mentores Espirituais nunca determi­nam que certos espíritos devam reencarnar-se sob o estigma implacável de serem obsidiados, vítimas de homicídios ou de acidentes fatais, o que seria uma punição deliberada e incom­patível com a Bondade do Criador. Os espíritos faltosos são encaminhados para a vida física sob o comando de suas pró­prias faltas e dos efeitos do desregramento cometido nas exis­tências passadas; eles são situados carmicamente no seio das influências mórbidas ou maléficas semelhantes às que tam­bém alimentaram ou produziram no pretérito.
     A nova existência física transforma-se-lhes numa "pro­babilidade" favorável ou desfavorável, dependendo funda­mentalmente do modo como eles passam a agir na matéria entre os seus velhos comparsas, vítimas ou algozes pregres­sos, pois ficam na dependência de suas próprias paixões vícios ou virtudes. Desde que se mantenham de modo digno, vivendo amorosamente em favor do próximo, também pode­rão sobreviver sem conflitos ou tragédias, fazendo jus ao socorro espiritual dos seus mentores, que de modo algum desejam castigá-los, mas apenas recuperá-los espiritualmen­te. Sem dúvida, o espírito que, embora renascendo no meio de malfeitores, ou mesmo sendo alvo de qualquer obsessor cruel, se devote heroicamente ao bem alheio, exercite a sua ternura, o seu amor e magnanimidade para com todas as criaturas, sem distinção de crença, raça ou casta, também logra maiores probabilidades de sobreviver na matéria à dis­tância de qualquer violência ou fim trágico.

sexta-feira, 6 de setembro de 2013

Rituais de indução ao transe anímico-mediúnico com dissociação da consciência e despersonalização do "eu".

Uma leitura psicossocial do fenômeno da mediunidade de Umbanda.

Autor Wellington Zangari
        Instituto Psicologia - USP

Prezados irmãos planetários,

Segue link artigo publicado no Boletim da Academia Paulista de Psicologia, tratando do fenômeno da mediunidade na Umbanda.

O autor enfatiza a importância da adesão a um grupo para que todas as etapas de construção da manifestação equilibrada se concretizem nos médiuns, tanto no aspecto cognitivo quanto afetivo, etapas estas que elaboram o desenvolvimento mediúnico no contexto dos rituais disciplinadores que a Umbanda se utiliza para a dissociação de consciência, ou transe lúcido - incorporação - ser eficiente.

Estudo acadêmico imperdível para todos os médiuns:

quarta-feira, 4 de setembro de 2013

Chama Crística - Ramatís.

De que vale tudo isso? Laroyê Exu!

       

Vivi passou o dia com a música de Roberto Carlos, ressoando nos seus ouvidos, sempre o mesmo refrão “de que vale tudo isso... se você não está aqui?” Parecia um disco arranhado. Algumas frases alternadas, soltas, mas insuficientes para completar versos.  As horas se arrastavam, com reuniões, metas e mais metas a cumprir, cifras, chefias. E frases soltas... “meu amor”... “não falo com”... Esgotada, parecia que a bateria de uma escola de samba, ensaiava em seus ouvidos. Estava tão aturdida que resolveu sair mais cedo do trabalho e voltar para casa, não tinha condições de falar com mais ninguém. Visitas foram remarcadas e assim teriam tempo de revisar os novos projetos, acrescentando dados das pesquisas refeitas. Afinal o que eram algumas horas a mais nos negócios, se sua saúde estava abalada? Precisava urgente de cuidados e um comprimido para acabar com a dor de cabeça que estava prestes a explodir deixando-a estonteada, com luzes aparecendo e desaparecendo e o estômago dando voltas. ... “deixa triste”... “pensando”... Pior do que todo desconforto nas crises de enxaqueca era o sentimento de vazio e solidão que brotava do nada, imperioso e impertinente, mesmo estando rodeada de pessoas, era como estar só no meio da multidão. Queria se trancar no quarto, para não deixar a luz entrar e não ouvir qualquer espécie de barulho ou voz.  ...“amor que é puro”... Santo Deus! Que dia! 
         Quanto mais cedo voltar para casa melhor. Morava sozinha, daí a vantagem de não dar explicações para ninguém. Seria mesmo uma vantagem? ...“eu não falo com você”... “sou capaz de enlouquecer”... Telefonar para os pais era o mesmo que lançar um SOS tridimensional no espaço e em segundos a família corria para lá acampando na sala.  Restava o silêncio e nenhum pedido de ajuda. Chegou em casa, tomou uma ducha demorada, um chá morno para acalmar os nervos e um comprimido para enxaqueca, caindo  direto na cama. Único modo de sobreviver no estado em que se encontrava e um soninho debaixo das cobertas, tapada até a cabeça sempre vinha bem porque acordava revigorada. Quando estava adormecendo, lembrou ter visto na entrada do prédio um senhor de terno escuro que não parecia com nenhum dos moradores, o edifício era pequeno e conhecia os vizinhos socialmente. Devido à pressa, não deu muita importância. Já o tinha visto em algum lugar, o rosto era familiar. A imagem fugiu e ressoou em sua mente quase apagada... “é demais qualquer minuto sem você”... Adormeceu e teve sonhos confusos.

               Viu-se em uma praia banhada pelo luar e as pessoas que estavam por ali a cumprimentavam sorrindo, entretanto não se lembrava de ninguém, nenhum rosto conhecido. Reparou que vestiam trajes a rigor, roupas pretas, bonitas e quando olhou para si notou que também estava vestida do mesmo modo. Deveria estar de pijama pensou, estou dormindo, o que faço aqui?   Tão logo emitiu o pensamento surgiu a sua frente o senhor que vira à tardinha na entrada do prédio, sorrindo tomou sua mão e a conduziu para um grupo reunido perto deles. Foi apresentada e logo estavam conversando e saboreando um vinho frisante de sabor inigualável, quando iniciou um rumor na multidão e alguém falou: - Ele chegou pessoal! Assim que se virou para ver quem era, divisou em homem elegante, belo, de feições marcantes, ficou olhando ele se aproximar e tomar sua mão. Um choque percorreu todo seu corpo, com tamanha intensidade que teve a sensação de cair de um penhasco muito alto.  Sentiu um puxão e um forte ardor na nuca, acordou molhada de suor, chorando e sentindo nas mãos um suave perfume. Escutou quase num sussurro... “suportar eu não... tanto tempo sem te ver”...
               Saltou da cama, a dor passara e Vivi resolveu procurar Pai Tião na caridade umbandista, para esclarecer algumas coisas, aprender sobre mediunidade. Aceitou o convite do diretor da casa e passaria a frequentar os estudos e as sessões de caridade, porque era a única maneira de entender o que estava acontecendo. Ficaria para o atendimento da noite, com palestras e passes. Quando retornava do templo escutou... “é demais qualquer minuto sem você”... Percebeu no ar o mesmo aroma do sonho. Estava serena e seguia tranquila com a decisão tomada. A seu lado sem que percebesse caminhava um homem elegante, vestindo capa preta e carregando um cajado. Seu amor de outrora, hoje um guardião, um valoroso Exu, dedicado trabalhador dos exércitos da luz, que imprimia em sua aparência a bondade ou a austeridade necessária aos tipos de tarefas que desempenhava. Esperava pacientemente que Vivi se desenvolvesse como médium umbandista, para juntos trabalharem pela evolução e consolação da humanidade. Ele nas falanges de Exu, ela no plano material, estudando e praticando o autoconhecimento, ligados pelo amor que faz com que laços verdadeiros não se rompam. Ambos em perfeita sintonia pelos diferentes caminhos que o Pai traça para cada um.

               Laroyê Exu!


Lirializ
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