segunda-feira, 5 de agosto de 2013

Cadê a chave do baú? Exu Tiriri da Calunga.


Ele é um grande Orixá, ele é o chefe da calunga, ele é seu atotô! Obaluaê.
Cadê a chave do baú, está com mestre Omulú.

        A letra deste ponto cantado deve vos levar a muitas e profundas reflexões.

      Temos o mesmo Orixá com dois nomes: Obaluaê -  o novo - e Omulú – o velho -, simbolizando o ciclo da vida física e espiritual na matéria, que se inicia no nascimento de um bebê e se encerra com a morte na velhice.   Observemos que tudo no universo teve um início e inexoravelmente quase tudo terá um fim. Nós, espíritos, somos infinitos. Nada é eterno, só Deus.

         Especificamente Obaluaê/Omulu rege a transformação, a necessidade de compreensão do carma, da regeneração e evolução. Representa o desconhecido e a morte, a terra renovadora para a qual voltam todos os corpos putrefatos, a terra que não guarda apenas os componentes visíveis da vida, mas também o segredo do ciclo oculto desta vida - a transmutação -, eis que nada se perde no Cosmo. Por isto Omulu/Obaluaê é o chefe da calunga – cemitério – que simbolicamente é o rito de passagem da “morte”, onde se encerra o ciclo na matéria, para o reinício de uma nova fase no mundo espiritual. Sua saudação – atotô – quer dizer “Silêncio! Ele está aqui!” demonstrando o respeito que devemos ter por este sagrado Orixá, Regente e Senhor do carma, pois é o responsável pelo aspecto divino do Criador que autoriza a geração dos corpos físicos que devereis ter nas encarnações, em concordância com a saúde e/ou doenças que vivenciareis na materialidade para escoadouro de vossos débitos,  novamente encetando-os à evolução espiritual.

      E qual o simbolismo e significado da chave do baú estar com o mestre Omulú?

      Omulú, sendo a representação do velho, traz com ele a sabedoria da experiência adquirida. Com a chave este Orixá abre e fecha o baú – vosso corpo físico – abrigando nele a cada encarnação transitória o vosso espírito imortal.

     Então, por causa da imaturidade espiritual, os cidadãos com seus primarismos instintivos e atávicos, egoístas e de muito pouco amor, também colocam no “baú” de cada existência na face do orbe todo tipo de quinquilharia - mazelas e negatividades - do passado e no presente, mantendo a vossa condição de seres imaturos que ainda não conseguem ter a chave do destino nas mãos, prejudicando seriamente o futuro. Assim como as crianças que passeiam num grande parque de diversão não podem ficar a sós sob o risco de se machucarem, Omulú tem a chave do baú com Ele, zelando para que vos aconteça o que é de melhor para o espírito, como exímio mestre e professor, pois ainda dependeis dos regentes do carma para vos auxiliarem na longa trilha da evolução. Outros há que só querem acumular riquezas materiais e enchem o “baú” da vida de bens e posses ilusórias, chegando ao cemitério com as contas bancárias cheias, mas no Além túmulo com o baú vazio de valores espirituais, ou o que é pior, cheio de inimigos e resgates cármicos a serem novamente transmutados na próxima encarnação.

        Deste outro lado da vida, eu já tenho a chave firme em minha mão.

       Exu, o Senhor do Destino diante as Leis Divinas, no tempo não erra nunca.

      E você que está nos lendo, quando terá a chave do baú na sua mão? 
    
       Ah, ah, ah !!!

      Exu Tiriri da Calunga(1) / psicografia de Norberto Peixoto.

Seu Omuluê, seu omuluê, seu omuluê, Omulú é Orixá,
O velho Omulu é o dono do tempo,
Não pára nunca de andar,
E todo o peso do mundo,
Carrega em seu xaxará.(2)

Notas:

(1)- Sr. Tiriri da Calunga trabalha sob a égide de Omulu-Obaluaê. Atua como Exu de “cemitério”, na faixa de auxílio fraternal necessário nos entrechoques vibratórios ocasionados pelas consciências que ainda não despertaram da morte física, que já estão desencarnadas, mas se acham “viventes” do mundo físico, perambulando imantadas aos vivos nos corpos físicos – materialistas convictos que estão “mortos” para os valores espirituais. Raramente dá consulta individual, atuando preponderantemente no Plano Astral. É sério, sábio, reservado, discreto, de muita ação e de poucas palavras.

(2)- instrumento ritual do Orixá, que “aspira” as impurezas do mundo.
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