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quarta-feira, 12 de junho de 2013

O médium e os espíritos mistificadores.

PERGUNTA: — A mistificação que pode dar-se com o médium significa porventura descuido ou indiferença dos seus guias espirituais?

RAMATÍS: Ela é fruto de circunstâncias naturais cria­das pelo medianeiro, ou do descuido daqueles que ainda ima­ginam a sessão espírita como um espetáculo para impressionar o público. O Espírito mistificador sempre aproveita o estado de alma, a ingenuidade ou a vaidade do médium para então mis­tificar. No entanto, podemos vos assegurar que a mistificação não acontece à revelia dos mentores do médium, embora eles não possam ou não devam intervir, tudo fazendo para que os seus intérpretes redobrem a vigilância e acuidade psíquica, a fim de se fortalecerem para o futuro.
Na verdade, a maioria das mistificações deve-se mais ao amor próprio exagerado, à preguiça mental, e também ao excesso de confiança dos médiuns no intercâmbio tão com­plexo e manhoso com o plano invisível, em que se abando­nam displicentemente à prática de sua faculdade mediúnica.


PERGUNTA: — Baseando-nos em vossas palavras, pres­supomos que a maioria dos médiuns pode ser mistificada; não é assim? Alguns confrades espiritas explicam-nos que a mistificação, em certos casos, tem por objetivo principal extinguir a vaidade do próprio médium. Há fundamento em tal afirmação?

RAMATÍS: — Os mentores de alta estirpe espiritual nunca promovem qualquer acontecimento deliberado de mis­tificação mediúnica; e não o fariam mesmo que pudesse servir de advertência educativa para o médium vaidoso. O próprio médium é que oferece ensejo para a perturbação ou a presen­ça indesejável no seu trabalho. Algumas vezes a base da misti­ficação é cármica, e por isso o médium não consegue livrar-se dos adversários pregressos, que o importunam a todo momen­to, procurando mistificá-lo de qualquer modo e dificultar-lhe a recuperação espiritual na tarefa árdua da mediunidade.

Não cremos que a vaidade dos médiuns desapareça só porque sejam vítimas da mistificação conetiva. Em geral, quando eles comprovam que foram iludidos pelos desencarna­dos, sentem-se profundamente feridos no seu amor-próprio e então se revoltam contra a sua própria faculdade mediúnica. E assim, em muitos casos, o médium mistificado e revoltado pela decepção de ter sido humilhado na mistificação, mais rapida­mente desiste da tarefa mediúnica que o ajudava a amortizar a dívida cármica, terminando por corresponder exatamente aos propósitos maquiavélicos dos seus perseguidores do Além. Alguns médiuns já abandonaram a prática mediúnica, alegan­do que foram traídos na sua boa intenção e não receberam o devido adjutório do Alto, o que lhes seria justo esperar.


São raros os que admitem, sem quaisquer susceptibili­dades, que dia mais ou dia menos podem ser mistificados, não por culpa dos seus mentores, mas pela imprudência, pelo descaso, vaidade ou interesse utilitarista com que às vezes são dominados, oferecendo ensejos para a infiltração de espíritos levianos, irresponsáveis e malévolos no exercício de sua mediunidade. Os desocupados do Além-Túmulo espreitam astutamente qualquer brecha vulnerável que se faça no caráter do médium ou perturbação no seu trato com a família amiga ou ambiente de trabalho, para assim inter­ferirem durante a queda na freqüência vibratória espiritual e lograrem a mistificação que depois desanima, decepciona ou enfraquece a confiança. A mistificação ainda significa determinada cota de sacrifício na prática mediúnica, assim como acontece em certas profissões humanas, seja a enge­nharia, a advocacia ou a medicina, em que os seus profissio­nais, com o decorrer do tempo, vão eliminando gradativa-mente os equívocos dos primeiros dias, até se firmarem defi­nitivamente na sua tarefa profissional.

PERGUNTA: — Qual o meio mais eficiente para o médium livrar-se das mistificações dos desencarnados?

RAMATÍS: — Sem dúvida é a sua conduta moral e inte­gração incondicional aos preceitos sublimes da vida espiri­tual superior. Se o médium pautar todos os seus atos e subor­dinar seus pensamentos à diretriz doutrinária do Cristo-Jesus, ele há de se ligar definitivamente às entidades superio­res responsáveis pelo desenvolvimento da humanidade terre­na, que o imunizarão contra os espíritos maquiavélicos. A paciência, a bondade, o desinteresse, a renúncia, a humilda­de e o amor são as virtudes que atraem os espíritos bons e sinceros, absolutamente incapazes de agir de modo capcioso ou com intenções subversivas.

As intromissões de. espíritos indesejáveis no exercício mediúnico comprovam a distração do médium, que impru­dentemente abre sua residência psíco-física aos irresponsáveis do mundo invisível. A desculpa de certos médiuns de que, apesar de sua boa intenção no serviço mediúnico, foram mis­tificados, não é suficiente para os livrar dos espíritos maquia­vélicos, galhofeiros e inescrupulosos, que operam contra todas as criaturas interessadas na libertação do homem. Muitos médiuns, apesar de bem intencionados, são no entanto vaido­sos, ingênuos, ignorantes, fanáticos ou excessivamente perso­nalistas, oferecendo ensejo para os desencarnados perversos os perturbarem no intercâmbio mediúnico. Os espíritos saga­zes, maus e pervertidos pouco se importam com a boa inten­ção dos encarnados; interessa-lhes unicamente descobrir o defeito moral, a ingenuidade mental ou a confiança tola daqueles que se entregam ao serviço superior. Não é bastante ao médium visualizar um objetivo bom, para então livrar-se de qualquer mistificação do Além. É preciso que ele com­preenda que os espíritos astutos, capciosos e cruéis ainda gozam da regalia de ser invisíveis.

Aliás, Allan Kardec tratou cuidadosamente do assunto das mistificações no "Livro dos Médiuns" quando, após ter indagado aos espíritos sobre esse problema, recebeu a seguin­te resposta: "Parece-me que podeis achar resposta em tudo quanto vos tem sido ensinado. Certamente que há para isso um meio simples; o de não pedirdes ao Espiritismo senão o que ele vos possa dar. Seu fim é o melhoramento moral da humanidade; se vos não afastardes desse objetivo, jamais sereis enganados, porquanto não há duas maneiras de se com­preender a verdadeira moral, a que todo homem de bom senso pode admitir. Os espíritos vos vêm instruir e guiar no caminho do bem e não no das honras e das riquezas, nem vêm para atender às vossas paixões mesquinhas. Se nunca lhes pedissem nada de fútil, ou que esteja fora de suas atribuições, nenhum ascendente encontrariam jamais os enganadores; donde deveis concluir que aquele que é mistificado só o é por­que merece (Cap. XXVII, Tópico 303: "Das Mistificações").

Livro MEDIUNISMO.
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