sexta-feira, 17 de maio de 2013

O Jesus que nunca existiu



“Pai, afasta de mim esse cálice”, nunca foi dito por Jesus.

      Quem poderia ter ouvido isso, se Ele estava sozinho no alto do Horto das Oliveiras?

      Ramatís, em O Sublime Peregrino, teve por objetivo trazer-nos um perfil mais verdadeiro e exato da real atuação de Jesus no mundo terreno, depurando-o das distorções, interpolações e manipulação que os quatro textos evangélicos sofreram, atendendo à inconseqüência e aos interesses clericais no início do cristianismo.

     Uma das piores interpolações sofridas pelos textos dos evangelhos ditos “canônicos” – os que foram escolhidos pela Igreja de Roma, pois existiam mais de 40 deles, e só quatro foram admitidos (o que não constaria nos outros!) – foi sem dúvida a atribuição ao Divino Mestre de frases que ele nunca proferiu, em especial no alto da cruz e às vésperas de seu martírio.

     A propósito dessa inconcebível expressão de covardia moral e falência espiritual, expressa na frase “Pai, afasta de mim esse cálice”, Ramatís, em O Sublime Peregrino, demonstra a impossibilidade de ser autêntica, pela simples lógica: É óbvio que se isso tivesse ocorrido assim como narram os evangelistas, então só Jesus poderia ter explicado o acontecimento, uma vez que João, Tiago e Pedro, que se achavam ali perto, dormiam a sono solto e não poderiam ter ouvido tais palavras. Quanto aos demais apóstolos, achavam-se no celeiro da granja de Gethsemani, ao sopé da Colina das Oliveiras.

     Em verdade, a recusa do cálice de amargura, que a tradição religiosa atribui a Jesus, trata-se apenas de um rito iniciático dos velhos ocultistas, com referência à vacilação ou temor de toda alma consciente, quando, no Espaço, se prepara para envergar o fardo doloroso da vida carnal. O “cálice de amargura” representa o corpo com o sangue da vida humana; é a cruz de carne, que liberta o espírito de suas mazelas cármicas no calvário das existências planetárias.

     Só a pobreza da imaginação humana poderia ajustar as angústias de um anjo como Jesus à versatilidade das emoções do mundo da carne.

     Ramatís destaca em outros trechos a óbvia serenidade do Mestre diante da morte física, a sua tranquila certeza e alegria de sentir que seu sacrifício iria garantir o florescimento da mensagem evangélica: Jesus encontrava-se em Betânia, hospedado na casa da família de Ezequiel, quando resolveu consentir em pregar na cidade de Jerusalém.

     Através do fenômeno ideoplástico mediúnico, projetaram--se em sua mente alguns dos quadros dolorosos que mais tarde viveria em Jerusalém. A perspectiva do sacrifício de sua própria
vida, como o preço implacável para a sobrevivência imaculada da mensagem evangélica, inundou-o de júbilo e despertou-lhe a mais sublime euforia espiritual!

     Cabia-lhe “viver” e ao mesmo tempo “morrer” pelos princípios que viera pregar aos homens, a fim de cimentá-los para a posteridade através da renúncia de sua vida e o destemor da morte!

* * *

     Jesus ouviu as trágicas notícias de José de Arimatéia e Nicodemus, e agradeceu pelo seu afetuoso interesse. Sem demonstrar qualquer pesar ou ressentimento por aqueles que o queriam matar, exclamou numa voz terna e de compreensivo perdão: Obrigado, amigos meus! Não temo a morte, nem como ela me venha; porque vejo que passarão os homens, mas as minhas palavras permanecerão. É preciso que o filho do homem dê o sangue pela salvação do próprio homem; que a submissão à morte seja o preço e a força da própria vida, pois a luz do Espírito ilumina a sombra do corpo. Minha hora é chegada pela vontade do Pai que está nos céus; mas não se fará pela obstinação dos homens!1

     Só a inconsciência dos homens a respeito da verdadeira natureza do Divino Mestre, mais a projeção da humana covardia diante da morte, podem explicar que tenham atribuído a Jesus a suposta vacilação daquela frase que, além de tudo, ninguém poderia ter registrado. A ignorância humana
aceitou e perpetuou séculos afora essa interpolação sem nexo nos evangelhos, sem parar para refletir o quanto é absurda e desairosa.

     Já está mais do que na hora de usarmos a lógica esclarecida para despir dos ombros do Sublime Peregrino esse manto roto de coisas que Ele nunca disse, nunca fez, e distorcem a figura do Anjo Sideral que passou por nós para apontar-nos o caminho da libertação do mundo de maya – a ilusão da matéria.2


Notas:

1 Todo o relato dos últimos dias de Jesus em Jerusalém, hospedado com os discípulos numa granja de amigos junto ao Horto das Oliveiras, e os últimos encontros e diálogos do Mestre com amigos e apóstolos, não constam dos evangelhos; Ramatís pôde reproduzi-los a partir dos registros fiéis do akasha, nos capítulos XXVIII e XXIX de O Sublime Peregrino. Fazem parte da história desconhecida da vida do Mestre, que Ramatís foi o único até agora a resgatar.

2 No prelo, pela Editora do Conhecimento, a compilação "O Jesus que Nunca Existiu” enfoca especificamente esse rol de absurdos atribuídos ao Divino Mestre, que o Alto nos pede quanto antes rejeitar, e que Ramatís, em O Sublime Peregrino, foi o único autor espiritual, até hoje, a ter a iniciativa de apontar.

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