segunda-feira, 1 de abril de 2013

O perdão liberta da culpa

     Durante séculos, o pensamento puritano e distorcido onde, um erro ou pecado, deve ser punido violentamente, vem predominando na cultura ocidental onde as religiões de origem judaico-cristã, influenciam até hoje com pensamentos deturpados, a ponto de ainda estar imerso no inconsciente coletivo, fazendo com que a culpa esteja impregnada em nós mesmos. A maior dificuldade que temos, em relação ao perdão, é o processo de culpa instalado em nossas mentes. 

     Temos fortemente alicerçado em nossa cultura, o habito de nos culparmos e culpar os outros quando cometemos – ou alguém comete- algum erro. Devido a princípios religiosos, trazidos de encarnação em encarnação, associamos o erro ao pecado e automaticamente, à culpa. Somente reconciliando-nos com nós mesmos, buscando o essencial dentro de nós, é que teremos a liberdade para resgatarmos as nossas faltas. Enquanto ficarmos nesta postura punitiva, impediremos a nossa paz íntima, necessária a autotransformação.



"GUARDAR A CULPA NO CORAÇÃO É COMO BEBER VENENO PENSANDO QUE O OUTRO É QUE VAI MORRER".
 A chave que abre a porta dessa masmorra é o perdão. O perdão traz cura onde a culpa gerou doença. O perdão traz reconciliação onde a culpa gerou afastamento. O perdão traz alegria, onde a culpa produziu tristeza e dor. O perdão restitui aquilo que a culpa saqueou. O perdão é a faxina da mente, a assepsia da alma, a limpeza dos porões do coração. Perdoar é zerar a conta. É nunca mais lançar no rosto da pessoa a sua dívida. Perdoar é lembrar sem sentir dor. Perdoar é não retaliar. É pagar o mal com o bem. É abençoar aqueles que nos amaldiçoaram. Perdoar é ser um vencedor, pois é vencer o inimigo não com a espada, mas com o amor. Perdoar é sair do cárcere da alma, é ser livre, é viver uma vida maiúscula, superlativa e abundante. Perdoar é viver como Jesus viveu, pois ele não retribuiu o mal com o mal, antes por seus algozes intercedeu. Chegou a hora de raiar a liberdade em sua vida. É hora de sair do cárcere que prende a sua alma com as grossas algemas da mágoa e da culpa. É hora de experimentar a liberdade do perdão. É hora de tomar posse da vida abundante que a espiritualidade nos oferece!

“Pai, perdoai-lhes porque eles não sabem o que fazem” (Lc 23,34).
Com essas palavras Jesus selava todo o seu ensinamento sobre a necessidade de “perdoar até os inimigos”( Mt 5,44).

No seu derradeiro momento JESUS confirmava para todos nós que é possível, sim, viver “a maior exigência da fé cristã”: o perdão incondicional a todos. Na cruz Ele selava o que tinha ensinado: “Não resistais ao mau. Se alguém te feriu a face direita, oferece-lhe também a outra… Amai os vossos inimigos, fazei bem aos que vos odeiam, orai pelos que vos maltratam e perseguem. Deste modo sereis filhos do vosso Pai do céu, pois ele faz nascer o sol tanto sobre os maus como sobre os bons” (Mt 5,44-48). “Se não perdoardes aos homens, tampouco vosso Pai vos perdoará”( Mt 6,14).Certa vez Pedro perguntou-Lhe:“Senhor, quantas vezes devo perdoar meu irmão, quando ele pecar contra mim? Até sete vezes?”“Não te digo até sete vezes, mas até setenta vezes sete” (Mt 18, 21-22).

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