sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013

Jesus acusou Judas de traídor na última ceia?

PERGUNTA: — Ainda com relação à última ceia, gosta­ríamos de sanar nossas dúvidas quanto ao fato daquela acusa­ção de Jesus, insinuando ser Judas o discípulo que deveria traí-lo.
RAMATIS: — Entre os diversos acontecimentos narra­dos pelos evangelistas e sumariamente modificados posterior­mente pelos exegetas católicos, a cena da acusação indireta de Jesus centra Judas, se fosse verdadeira, seria um dos mais graves e censuráveis desmentidos aos seus profundos senti­mentos de amor, ternura e perdão tão sublimes, que, nos extremos de sua agonia, no ato de sua crucificação, quanto aos seus algozes, o fez dirigir ao PAI aquela rogativa de mi­sericórdia infinita: "Pai! Perdoai-lhes porque eles não sa­bem o que fazem".
       E' quase inacreditável que, depois de se configurar o Amado Mestre como a maior expressão de amor e de renún­cia na Terra, o reduzam ao caráter de um homem comum, ressentido e intrigante, pecando pelo julgamento antecipado da "possível" traição de um discípulo!
      Conforme narra o evangelista João, cap. XIII, vs. 21 a 30, primeiramente Jesus exclama: "Em verdade, em verdadevos digo que um de vós me há de entregar". Após os após­tolos recuperarem-se da angústia daquela acusação velada, e, em seguida às indagações aflitivas de Pedro e João, eis que o Mestre, num gesto de delator vingativo responde: "E' aquele (o traidor) a quem eu der o pão molhado. E tendo molhado o pão, deu-o a Judas, filho de Simão Iscariotes". E a narrativa de João acrescenta: "E atrás do bocado de pão entrou em Judas o Satanás!"
       Em tal acontecimento tão comprometedor, faltaria ao Mestre, sempre gentil e benevolente, até o resquício da pie­dade comum nas criaturas de relativa formação moral, pois ele teria acusado o seu discípulo em público, por um ato abjeto de que apenas tinha pressentimento! Mateus, cap. XXVI, vs. 21 a 25, não descreve a cena do pão molhado entregue a Judas como o libelo acusador, mas ainda é mais chocante contra a linhagem angélica do Mestre, pondo-lhe nos lábios as seguintes palavras acusatórias e da maldição: "O Filho do homem vai, certamente, como está escrito dele; mas ai daquele homem por cuja intervenção há de ser en­tregue o Filho do homem; melhor fora a tal homem não ha­ver nascido!" E, respondendo Judas, o que o traía, disse: "Sou eu, porventura, Mestre?" Disse-lhe Jesus: "Tu o dis-seste". Ora, no caso, Jesus não só desejaria a Judas um fim trágico e abominável, como ainda o acusaria brutal­mente diante dos demais discípulos e companheiros, con­firmando que era ele o traidor! E se "atrás" do bocado de pão molhado entrou Satanás em Judas, conforme narra João, então é óbvio que, até aquele momento, Judas ainda não havia deliberado trair o seu Mestre; e que isso só lhe ocor­reu depois que Satanás o tomou no ato da ingestão do bo­cado de pão molhado e abençoado ali na mesa santa!

Do livro SUBLIME PEREGRINO.
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