segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

A magia na Umbanda


Magia é movimentação de energia, pela aplicação da vontade, juntamente com a força mental de um encarnado ou desencarnado, ou ambos, quando há união de interesses. Em outras palavras, a magia é o resultado da intenção (o que eu quero) somada ao pensamento. Podemos concluir que todos nós fazemos magia.
Quando você reza, você faz magia! Quando um casal planeja gerar e criar um filho, faz magia! Quando você sonha com um novo carro, um emprego ou uma casa e mais tarde conquista, faz magia! Quando você reclama da vida, lamenta-se e critica tudo ao seu lado, faz magia! Quando fala mal de outra pessoa, faz fofoca, faz magia! 
Quanto mais atenção ao assunto, quanto mais concentração mental e dedicação, maiores, mais intensos e mais precisos serão os resultados. Magia é uma só, o que diferencia uma magia da outra é o teor do pensamento, qual é o interesse.
 Por isso, precisamos ter cuidado com os tipos de pensamentos negativos que abrigamos, pois estaremos fazendo magia contra nós mesmos. O pensamento tem poder criador e o que emitimos, seja ele bom ou ruim, se movimentará em outras dimensões que não conhecemos, retornando para nós na mesma vibração que emitimos.

Algumas vezes, quando vamos nos consultar com os guias e eles alertam que você está magiado. Aí caem os butiás do bolso... nos apavoramos, pois já vem em mente a imagem de vários elementos largados em algum lugar no mundo profano com o nosso nome e mais, já fazemos uma lista dos concorrentes  a inimigos ocultos.
E não nos dando conta que a magia que o preto velho falou foi criada por nós mesmos com nossos pensamentos em desalinho, ou pior, fixos numa idéia, muitas vezes negativa, que é alimentada a todo o momento. É uma briga que não sai da mente, remoendo diálogo ou a impaciência e desespero de não solucionar uma questão.
Esta energia negativa, que alimentamos horas por horas e todos os dias, forma uma parede energética bloqueando toda e qualquer energia benfazeja que esteja sendo direcionada a nós.
A pessoa é o algoz dela mesma.
Quando rezamos ou quando nos lastimamos, por exemplo, movimentamos, sem perceber, energias nas dimensões etérica e astral. Estes planos (etérico e astral) não o conhecemos, não conhecemos seus habitantes e, com o resultado da intensidade de pensamentos negativos ou positivos, atrairemos desencarnados indesejados ou desejados para o nosso convívio, agravando ou não a situação que estamos vivendo- Lei de sintonia.
 Por isso, precisamos nos policiar quanto ao que pensamos e como agimos frente às situações do dia-dia, pois estas mesmas energias virão ao nosso encontro em algum momento futuro.
Trazendo a aplicação prática da magia para dentro deste terreiro de Umbanda, tendo uma egrégora espiritual formada e amparando os trabalhos que aqui se realizam, podemos dar uma breve explicação como este ato magístico ocorre.
Começando pela egrégora espiritual - ela é formada por espíritos benfeitores, isto porque a magia aqui se realiza tem por finalidade o bem do próximo, dentro da máxima “devemos fazer ao nosso semelhante aquilo que desejamos a nós mesmos”. Está hasteada a bandeira de Jesus Cristo.
Fazemos o bem sem visar lucro algum.  Então, espíritos desencarnados que aqui vem, são aqueles que, independente da denominação, querem fazer o bem. São os caboclos, p.velhos, crianças, boiadeiros, marinheiros, exus, pombas-giras, ciganos, os Zés da Malandragem, enfim, todos aqueles espíritos desencarnados que vibram no bem.
Os consulentes que aqui vem em busca de resultados fáceis e rápidos estão na casa errada. Aqui o trabalho se dá em parceria: consulente, espiritualidade e médium.
Está com o consulente o trabalho maior. Rever seu modo de agir, pensar, sentir e fazer as mudanças necessárias. O resultado desta mudança virá com o tempo.
A espiritualidade agirá dentro do que cada um necessita atuando no seu merecimento. Então, podemos ver que não há privilegiados.
A movimentação de energia (magia) se dá por via mediúnica, mas não somente pelos médiuns. São os guias do lado de lá que conduzem os trabalhos e tem o alcance da justiça e outorga do Astral Superior para determinar a amplitude das tarefas realizadas dentro do terreiro e após a gira, dar continuidade aos trabalhos socorristas quando todos nós estamos dormindo.
Utilizamos elementos materiais que tem a finalidade de ser condensadores energéticos, agilizando os trabalhos. Como nosso pensamento é muito rápido e indisciplinado, utilizamos elementos, objetos que firmem o pensamento no objetivo que queremos alcançar.
Então, são utilizadas velas, cachaça, álcool, pólvora, erva, flores, água, fogo, terra, ponto riscado, som, entre outros elementos, pois se utilizássemos somente a força mental os trabalhos aqui realizados, ficariam mais demorados e cansativos.
Tudo é realizado na frente do Congá com o agô (licença) dos Orixás e seus representantes.
O Congá é o coração do terreiro. Também podemos dizer que é como uma usina de energia.
Ele atrai os pensamentos que estão a sua volta;
Condensa os pensamentos (energia) que se amontoam ao seu redor, quando são emitidas nos momentos da palestra, adoração, consulta. Estas energias benfazejas e salutares são devolvidas a todos num constante fluxo e refluxo.
Após a consulta ou passe, o consulente vai até o congá e lá há um escoamento das formas-pensamentos negativas transformando e descarregando estas energias por terra. Neste momento o congá tem o papel de um pára-raios e de uma usina de reciclagem.
E todo trabalho mediúnico da noite é alimentado, fortalecido e sustentado pela energia do congá, pois ele é o ponto de fixação no Astral dos guias, mentores e todo trabalhador desencarnado que não incorpora.

Enfim, Umbanda é magia pura.

 UMBANDA PÉ NO CHÃO. Cap - 03 “Magia na Umbanda"

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