sexta-feira, 7 de dezembro de 2012

Trabalho de magia pega?

PERGUNTA: - A pergunta 551 do Livro dos Espíritos: "Pode um homem mau, com a ajuda de um mau espírito que lhe é devotado, fazer mal ao seu próximo?" teve a seguinte resposta: "Não. A Lei de Deus não o permite". Como explicar os diversos casos de trabalhos de magia negra, feitos para o mal, que "pegaram" nos alvos visados, advindo rápido e mórbido quadro físico, psicológico e espiritual, em casos de difícil solução, seguidamente encaminhados por centros espíritas ortodoxos para os grupos universalistas de apometria e terreiros de umbanda?

            RAMATÍS: - Sem dúvida, seria algo simplório, diante das leis divinas, justas e perfeitas, se o simples desejo de mal ao próximo, com o auxílio dos habitantes do Astral inferior, fosse capaz de efetivamente provocar o mal desejado. Observai que a maioria dos trabalhos de magia negra com o auxílio da escória mercantilista das baixas zonas umbralinas não oferece nenhum efeito prático diante dos alvos visados, pois acabam sendo unicamente um meio de escambo, de troca de interesses desditosos, com oferecimento das ambicionadas moedas dos homens.

            Contudo, a resposta dos elevados espíritos responsáveis pela codificação do espiritismo não foi objeto de maior aprofundamento naquele momento. Imperavam na Europa Ocidental os mais degradantes métodos rituais de magia, em que as populações, liberadas pelos ventos do Iluminismo que varriam o continente, provindos da França, se entregavam aos prazeres mundanos, aos vícios e à busca das gratificações pessoais sob quaisquer pretextos. Predominavam os alquimistas decaídos, os cabalistas concupiscentes, os curadores sexólatras e os mais sórdidos interesses de uma sociedade reprimida por séculos de Inquisição, que vinham à baila desoprimidos, em objetivos eivados de egoísmo, imoralidade e individualismo exacerbado.
            Diante do cenário descrito, que, de uma maneira geral, imperava nas coletividades européias, alusões mais detalhadas sobre os princípios das emanações mentais, as formas de pensamento, as egrégoras, os artificiais, os condensadores energéticos, o animismo, as projeções astrais, os chacras, o duplo etérico, os corpos espirituais, entre outras, alimentariam a continuidade da prática distorcida da arte da magia. Inserido no racionalismo vigente, próprio da cultura francesa, que era referência para a formação das opiniões da época, o Livro dos Espíritos trouxe as informações morais necessárias àquele momento, assim como a lei mosaica no seu tempo; do contrário, poderia ter sido incompreendido e rejeitado.
            Ampliando as elucidações, afirmamos que o mal só se instala em terreno propício. Logo, podeis concluir que Chico Xavier, São Francisco de Assis, Buda, Gandhi, Zoroastro, Tereza De Ávila e Jesus, entre outros seres iluminados e de elevada estirpe moral, seriam inatingíveis diante de qualquer intenção maldosa alheia; obtiveram esse direito, pelas leis divinas, ao interiorizar o amor e os sentimentos crísticos.
           Considerando que a grande massa da população terrícola é impregnada de imoralidade, de egoísmo e vaidade, torna-se até comum o mal desejado voltar-se contra a fonte geradora. Os maiores geradores do mal são as próprias convicções interiores de cada cidadão, que proporcionam o terreno adubado para as ervas daninhas alheias se fortalecerem, instalando-se a sintonia entre mentes maldosas com mesmos fins, o que amplia os transtornos.
            Nesse sentido, reforçamos a afirmação de que as leis divinas não permitem que o mal se instale quando não é merecido, de conformidade com a justiça cósmica e com o direito de cada cidadão, conquista inalienável e intransferível do espírito imortal. Nos casos em que os trabalhos de magia negra "pegam", isso não ocorre por causa do ato magístico em si, do apoio das almas do além-túmulo, ou da exímia concentração mental do maldoso mago. O mal se instala porque o alvo visado tem as portas abertas para a sintonia mental por similaridade fluídica, pois "semelhante atrai semelhante".
            Imaginai um encarnado com desmandos no campo sexual, que em vida passada foi cáften explorador de moçoilas desavisadas, e concluireis quão vasto campo para os técnicos, psicólogos e planejadores do Umbral inferior se dedicarem ao mal, em busca de vinganças, prazeres e vampirização energética na área genésica. Logo, não é incomum esse ente se ver repentinamente enfraquecido, sem energia e adoentado. É então encaminhado por um centro espírita a um grupo de apometria ou terreiro de umbanda, ocorrência muito rotineira em todos os recantos de vossa pátria, divulgada entre comentários velados, a portas fechadas, em muitos agrupamentos, para não conspurcar a pureza doutrinária por que se orientam.

Ramatis / Livro: Vozes de Aruanda

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