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sábado, 22 de dezembro de 2012

Fim do mundo - variações cotidianas sobre o tema

                           
                          O "fim do mundo" foi se impregnando no inconsciente coletivo, desde as civilizações mais antigas e de culturas diferentes. Quantas vezes dissemos é o "fim do mundo", diante de uma situação traumática ou inusitada, até por vezes hilariante em nosso dia a dia. Seguem 4 pequenas estórias, possíveis, fictícias, tristes ou engraçadas, mas plenamente viáveis e que ocorrem de verdade na ilusão da vida cotidiana.  

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                          O mês de dezembro era para as famílias Persone e Lorcanid especial, pois seus filhos estavam com o casamento marcado para o dia 20 (vinte). Pertroni Persone e Laurianeye Lorcanid, belos, jovens, executivos de sucesso, unindo as famílias aumentariam o prestígio de ambas. Até porque estava mais que na hora de aparecer um herdeiro, pois as famílias estavam envelhecendo e isto era mau para a sucessão dos negócios. Tudo preparado com requinte, planejado com antecedência e bom gosto das mães, que amavam seus filhos únicos.  Um evento social a ser comentado por muito tempo. Um quarteto de cordas embalaria os sonhos dos noivos e a imprensa estava convocada.

                   Faltando 15 (quinze) dias para o casório os noivos foram convidados para uma festa surpresa, preparada pelos amigos. Despedida de solteiro em homenagem ao casal.  O evento aconteceria no apartamento do anfitrião, situado no 12º (décimo segundo) andar de um prédio classe alta. E não tinha hora para terminar, somente para começar. E a festa transcorreu com muitas surpresas. Tudo elegante, do bom e do melhor. Como dizem vulgarmente “copa franca”.  E de surpresa em surpresa o telefone tocou às 4 horas da manhã na casa dos Persone e Lorcanid. Delegacia de Polícia e Santa Casa de Misericórdia. Laurianeye foi jogada da sacada do apartamento, e Persone tentara o suicídio. Após uma overdose geral dos convivas. Quem fora o autor? Quem fornecera a droga? O que realmente aconteceu? Para ambas as famílias se estabeleceu o fim do mundo trazendo de lambuja o desespero, o caos pondo por terra os sonhos construídos com base nas coisas mundanas, sem o mínimo preparo ante a vida espiritual e com visão nos lucros, negócios e vida social. Os verdadeiros valores não eram de fato cultivados.


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                   Em pleno final da primavera a temperatura estava insuportável e a julgar pelo calor abafado que estava fazendo o verão seria de fritar ovo no asfalto. E quando esquentava parecia que os motoristas ficavam alterados e nos 38º (trinta e oito) graus que marcavam os termômetros de rua, o cérebro das criaturas deveria mesmo fundir.   A descortesia e a falta de educação no trânsito aumentavam ainda mais e o melhor era fechar o vidro do carro e ligar o ar condicionado, para chegar ao trabalho limpo e com ar de recém-saído do banho. Caso contrário o suor tomava conta e a pessoa parecia uma lata de azeite, com a cara gordurosa de suor e a roupa desalinhada. Calorão assim é bom para quem está curtindo uma prainha ou as montanhas. O trabalhador gosta de temperaturas amenas. Coitado de quem trabalha na rua. Ô vida! Ô necessidade do sustento!

                   Jorjão se deslocava da Zona Norte para a Zona Sul de Porto Alegre e estava estressado. Fora xingado de velho gagá, pé-de-chinelo tira essa lata-velha do caminho, vai prá casa colocar pijama. Tivera a frente cortada, o espelho da esquerda ameaçado por um motoqueiro, perseguido por um maluco que queria andar em alta velocidade quando o permitido na via era 50kn/h. O ar condicionado do carro estava com defeito e ele suava em bicas. Entrou num engarrafamento na Terceira Perimetral e levou horas para chegar até o cliente que deveria visitar. No final do dia sofreu um abalroamento na traseira, por uma gostosona que dirigia um carro importado e falava ao celular. O Semáforo ficou vermelho e ela não percebeu. A freada foi de cantar pneu, mas não adiantou, desmanchou o carrinho nacional de Jorjão. Furioso ele saiu do carro querendo bater o brim do sujeito, em pleno cruzamento da Ipiranga com a Perimetral, ao final do dia, num trânsito infernal. Dirigiu-se furibundo ao motorista e quando viu a bela dona e linda mulher, toda dengosa e fazendo beicinho pensou:

            - Afinal o mundo ainda não está perdido! O mundo não acabou! É só uma batidinha à toa, o seguro dela cobre! Cuspiu na mão, alisou o cabelo e foi todo faceiro prosear com a chinoca!

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                   Dezembro de l985 e a família Amarantonios reuniu-se para a ceia de Natal. Josélia e Gregoriana dividiam a direção da empresa deixada pelo pai. A mãe Abigaildinha se aposentara e deixara as filhas tomarem conta. Estavam indo de vento-em-popa e os lucros vinham certos ao final de cada mês. A ceia de natal era na casa de Josélia, a quatro quarteirões da casa de Gregoriana. A mãe delas, Abigaildinha, morava com a filha Josélia. Tudo resolvido, casa enfeitada, amigo secreto em família que não eram dados ao desperdício. A alegria de estarem juntos contagiou a todos e ficaram confraternizando até de madrugada.

                   Abigaildinha, por insistência dos netos resolveu pernoitar na casa de Gregoriana e Petroniolo que contava 23 anos e cursava arquitetura com excelente aproveitamento e era o orgulho da família, a pedido da avó levou-a mais cedo para casa. Retornaria em seguida para buscar os pais. As horas estavam passando e como o rapaz não aparecia, telefonaram para a residência deles e a avó informou que o neto tinha saído logo em seguida e por ser um trajeto curto, deveria ter chegado.  O susto foi geral e iniciaram os contatos com os amigos para saber onde ele estava. Após várias tentativas sem sucesso, resolveram iniciar a busca pelos hospitais da cidade. O telefone tocou e ao atender Gregoriana ficou branca e desmaiou. O marido atendeu e ouviu alguém falando que precisavam se dirigir para tal local, pois o filho se envolvera num acidente. Saíram todos apressados e ao chegar ao ponto indicado, preferiram não ter visto a cena. O corpo estava prensado dentro do carro, morrera na hora. Ficaram sabendo que outro motorista, totalmente embriagado, não respeitara a sinalização e em alta velocidade, demoliu o carro do rapaz. Demoliu também a esperança daquela família. Para eles era o fim do mundo. Das expectativas e de um futuro promissor, ao lado das conquistas do moço. E agora despedaçados teriam que com o tempo juntar os cacos de suas almas feridas e recomeçar. Somente a crença em Deus e o amor pelo outro filho dariam a eles condições de se reerguer do buraco negro a que foram jogados.

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                Lembro-me de um Natal em família. Na casa de meus avós. Três gerações reunidas. Os mais jovens queriam música moderna, os do meio gostavam de blues, jazz, bossa nova e os mais velhos grandes orquestras, boemia. Os pequenos em meio a tanto barulho abriam o berro. Ninguém escutava ninguém. As mães tentavam em vão acalmar a criançada que corria por entre os adultos até que um deles tropeçou no Vovô, que trazia a jarra com o ponche de frutas geladinho e o velhinho caiu sonoramente, praguejando em alemão e amaldiçoando aquelas crianças endiabradas. Naturalmente que a jarra e a bebida ficaram espalhadas pelo chão e os cacos de vidro brilhavam em harmonia com as luzes do pinheirinho. Na hora da ceia um magnífico banquete, com tudo que a imaginação possa criar. Frutas, legumes, verduras, compotas, nozes, castanhas, ameixas, amêndoas. Uma ala carnívora e outra vegetariana, separados para não dar bate-boca. Ah! A mesa dos doces, elaborados carinhosamente.  Bolos de todas as cores e sabores, e quando Tia Vivinha cortou uma generosa fatia ouviu um grito: Cuidado que engorda! Estava declarada a guerra dos magros contra os gordinhos.  Mas o final foi mais espetacular ainda, quando uma amiga de Vovó pegou algumas frutas e conservas e comentou delicadamente:- Titita querida, que azeitonas deliciosas! Vovô ouviu aquilo, deu um baita safanão no prato dela que voou longe e gritou:- Criatura larga disso não é azeitona é besouro! A mulher começou a berrar e gritar! Socorro! Isto é o fim do mundo! O que mais falta acontecer? Com certeza minha avó era corajosa!

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