sábado, 17 de novembro de 2012

Jesus e os seus milagres


      O Mestre realizou inúmeras curas e renovações espirituais, que não devem ser consideradas milagres, mas resultantes de suas faculdades mediúnicas. Em virtude de sua elevada hierarquia espiritual, e da incessante cooperação das entidades angélicas que o assistiam, tudo o que ele realizava nesse sentido, embora tido por miraculoso, era apenas conseqüência da aplicação inteligente das leis transcendentais. Afora os Essênios terapeutas, que sabiam manejar com êxito as forças ocultas e curavam pela imposição das mãos, só alguns outros iniciados ou magistas, como Simão, o Mago, os discípulos de Apolônio de Tyana, sacerdotes, budistas iogas ou adeptos emigrados do Egito, é que sabiam provocar tais fenômenos. Os demais, mesmo cientistas altamente intelectualizados da Judéia e de Roma, ignoravam as leis do mundo invisível; o conhecimento atual da fenomenologia mediúnica e a existência de médiuns de alta capacidade ectoplásmica comprovam os mesmos feitos do Sublime Galileu.


       Há grande confusão nos relatos evangélicos, pois inúmeros fatos ocorreram de modo diferente do relatado; e também atribuíram-se a Jesus certos milagres absolutamente estranhos à sua vida. Os compiladores do Evangelho valeram-se bastante da tradição; no intuito de engrandecer a pessoa do Mestre Galileu, atribuíam-lhe milagres que são repetições dos já atribuídos a outros antigos missioná¬rios, reformadores, magos e videntes consagrados. A ressurreição de Jesus e o desaparecimento de seu corpo lembram a aura lendária de certos acontecimentos miraculosos do passado: Enoch teria sido arrebatado pelos céus, desaparecendo o seu corpo carnal; Elias subiu aos céus em um carro de fogo; o profeta babilônico Habacuc fez sua ascensão aos céus, pelos cabelos; Pedro, em companhia de Jesus, andou sobre as águas do mar, assim como já o haviam feito Rama, Moisés e outros precursores do Mestre.
     Em verdade, se Jesus houvesse praticado tantas coisas consideradas sobrenaturais, tornando-se a cópia-carbono de magos e alquimistas famosos, então a sua fama também seria fixada na história profana, como aconteceu a Simão, o Mago, Apolônio de Tyana, Paracelso e outros iniciados. No entanto, somente os quatro Evangelhos, aliás, escritos "segundo" o que os evangelistas disseram, e não o que eles mesmos escreveram, referem-se aos milagres de Jesus. O próprio Flavius Josefus, historiador da época, em suas narrativas, não fez a mais leve citação a respeito dos milagres de Jesus.


Ramatís - do livro SUBLIME PREGRINO


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