segunda-feira, 8 de outubro de 2012

O médium enfermo


       Em verdade, não devemos esquecer que muitas criaturas cuja saúde física é exuberante não passam de espíritos gravemente enfermos. No entanto, outras que a Medicina já condenou por fisicamente incuráveis, além do seu louvável otimismo construtivo são capazes de mobilizar as forças ocultas do espírito para amparar os sadios de corpo. Há leitos de sofrimento que se transformam na tribuna de estímulo e do estoicismo espiritual, pois conseguem reanimar os visitantes saudáveis de corpo, mas ainda doentes da alma. Nesse caso os papéis se invertem, pois os enfermos da carne passam a doutrinar os doentes do espírito porquanto, se a tuberculose, a lepra, o câncer, o pênfigo ou o diabetes são doenças da carne, a crueldade, a ambição, a avareza, o ódio, o orgulho ou ciúme são moléstias da alma.
Desde que o corpo físico é o instrumento fiel que pode transmitir para o mundo exterior a safra boa ou má do espírito, é evidente que a cura definitiva de qualquer enfermidade humana deve primeiramente processar-se na intimidade da própria alma. Assim, os médiuns prudentes e sensatos, embora evitem dar passes, praticar o sopro magnético ou fluidificar a água porque estão enfermos, podem no entanto transmitir o conselho espiritual benfeitor, o estimulo que levanta o ânimo daqueles que se encontram moralmente abatidos. Embora convictos de que os seus guias hão de ministrar-lhes fluidos balsâmicos ou curativos para eliminarem sua doença, mesmo quando só endefluxados, os médiuns ainda deveriam moderar a transmissão de seus passes ou fluidificar a água, uma vez que o contágio é mais fácil porque os seus pacientes também se apresentam debilitados em suas defesas orgânicas. Nem sempre o médium está em condições psíquicas ou morais dignas, para recepcionar com êxito os fluidos sadios enviados pelos seus protetores desencarnados, por cujo motivo, em tal circunstância, assemelha-se a um vasilhame poluído.
É certo que os espíritos benfeitores tudo fazem para elevar o padrão vibratório e psíquico dos seus intermediários, enquanto processam longas e exaustivas técnicas de purificação ou ionização nos ambientes de trabalho mediúnico. Mas eles não podem "impor" ou "insuflar" à força, nos encarnados, as energias curativas a que eles se mostram refratários, quando ainda estão envolvidos por verdadeiros cartuchos de fluidos daninhos absorvidos nos seus descontroles emotivos e desatinos mentais cotidianos.

Ramatís - Mediunidade de Cura.

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