segunda-feira, 27 de agosto de 2012

Proibição de manifestar os Guias Espirituais


         "...incorporam seus guias, dançam e se movimentam ao som candente dos atabaques, se emocionam com o canto que os toca no fundo da alma, ficam de olhos marejados com o cheiro das ervas, disparam-se-lhes os batimentos cardíacos diante da exposição às essências odoríficas da defumação, e assim aliviam o psiquismo oprimido pela proibição imposta as suas naturezas mediúnicas. Retornam aos seus labores espiritistas aliviados." 

       O Grupo de Umbanda Triângulo da Fraternidade é uma organização religiosa, que objetiva despertar a religiosidade nas consciências, num processo de religação com o Divino, com o Cristo Interno de cada ser, libertando-os dos dogmas, crenças cegas e submissões escravizantes às hierarquias sacerdotais dominadoras, tão comuns nas religiões vigentes. Numa proposta de Umbanda espiritualista universalista crística, eclética e convergente, agregamos elementos de ritos e práticas litúrgicas desde o espiritismo kardecista, com palestras doutrinárias antecedendo nossas sessões, até os Orixás nagôs, africanos, dispostos na entrada do nosso abacá – terreiro. 
        O espírita chega a nossa casa para assistir a preleção e tomar um passe, o africanista nos procura para escutar o som dos atabaques e dar sua incorporada com o toque e canto peculiares ao seu Orixá de fé durante nossas engiras. Entre um extremo a outro temos uma diversidade elástica de egos que frequentam nosso templo umbandístico. É um público frequentador diversificado, e convergem para nosso templo multifacetadas individualidades que almejam o bem estar e a paz espiritual. Grande parte de nossos frequentadores são espíritas trabalhadores de centros espíritas. Obvio não?!  Mas qual o motivo que os fazem frequentar um templo de Umbanda? 
           Muitos dos que vêm ao nosso terreiro por vezes estão na escola de médiuns de centros espíritas tradicionais, e outros já são trabalhadores fixos na seara kardequiana. Os une em motivação que os fazem nos procurarem o fato de serem PROIBIDOS de manifestarem seus guias nos centros que frequentam - não podem dar passagem mediúnica para os caboclos, pretos velhos, crianças, exus, ciganos, boiadeiros, baianos...Então frequentam a Umbanda para se descarregarem, incorporam seus guias, dançam e se movimentam ao som candente dos atabaques, se emocionam com o canto que os toca no fundo da alma, ficam de olhos marejados com o cheiro das ervas, disparam-se-lhes os batimentos cardíacos diante da exposição às essências odoríficas da defumação, e assim aliviam o psiquismo oprimido pela proibição imposta as suas naturezas mediúnicas. Retornam aos seus labores espiritistas aliviados. 
         Como a Umbanda é um movimento mediúnico religioso do Astral para a Terra, os homens não conseguem interferir da Terra para o Astral. Ou seja, independente da agremiação terrena que se vincule, o médium terá os guias nas formas perispirituais de apresentação peculiares a sua herança espiritual, cármica, independente da sua vontade, de doutrinadores ou sacerdotes, pois já reencarnou com este comprometimento e sensibilidade psico-astral manejada para este fim. E assim, as entidades de Umbanda, comprometidas com seus aparelhos, vão fazendo a caridade em diversas frentes, não se importando com as denominações terrenas ou particularismos religiosos.
         Mas porque os médiuns umbandistas precisam incorporar seus guias para se descarregarem, ao contrário dos médiuns espíritas? Eles servem de verdadeiros escoadouros de energias deletérias, atraindo para seus chacras as vibrações densas de desencarnados e encarnados. Necessitam do contato fluídico dos Guias Astrais para se “limparem” adequadamente. Não são “meramente” mentalistas e se não tiverem o contato perispiritual com seus mentores podem entrar numa fadiga fluídica e até adoecerem, pois não suportam as tarefas por muito tempo. Não é a toa que na Umbanda temos vários preceitos com ervas, elementos propiciatórios e contatos com as forças da natureza, no sentido de fortalecerem e se resguardarem os médiuns.
        E qual seria o motivo destes médiuns continuarem nestes centros que os proíbem de manifestarem suas entidades? Medo de assumirem uma tarefa mais árdua, receio que os parentes não compreendam a opção, acomodação, pois frequentam secretamente o terreiro mais próximo e assim vão empurrando com a “barriga” suas mediunidades. Uma minoria fica nos centros espíritas por consciência, sabedores que seus caboclos, pretos velhos e exus beneficiam todo o agrupamento pela cobertura astral que dão nos trabalhos espiritistas. Ou alguém dúvida disto? Será que nos centros espíritas não tem Exu?

Muita paz, saúde, força e união!!!

Norberto Peixoto

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