quarta-feira, 22 de agosto de 2012

Exclusividade doutrinária e as teimosias sectárias

"...não carecermos assumir responsabilidade doutrinária exclusivamente kardecista ou, isoladamente, em outra nobre instituição, porquanto esse exclusivismo de modo algum ampliaria as nossas idéias. Estas justificar-se-ão por si mesmas, independentemente de qualquer particularismo redutivo. " Ramatís      

     Apenas evitamos a exclusividade que exalta os caprichos e as teimosias sectaristas e contraria o dinamismo da vida espiritual. É de senso comum que mediunismo difere muito de espiritismo; o primeiro é uma faculdade independente de doutrinas ou de religião; o segundo, doutrina codificada por Allan Kardec, cuja finalidade é a libertação do homem dos dogmas asfixiantes. O Espiritismo é o conjunto de leis morais que disciplina as relações desse mediunismo entre o plano visível e o invisível e coordena também o progresso espiritual dos seus adeptos. Os fenômenos mediúnicos começaram a ocorrer muito antes da doutrina espírita e podem se suceder independentemente de sua existência.
       A literatura mediúnica é pródiga em vos comprovar a quantidade de sensitivos que recepcionam mensagens daqui, embora não operem diretamente sob a inspiração do Espiritismo codificado por Kardec. Podereis encontrá-los nos círculos esotéricos, nas reuniões teosóficas, nas fraternidades rosa-cruz, nas comunidades protestantes e nos próprios agrupamentos católicos. Independentemente da codificação kardeciana, foram recebidas do Espaço as importantes "Cartas de Meditações" e "Luz da Alma", ditadas pelo instrutor tibetano a Alice A. Bailey; as missivas a Helena Blavatsky, dos mestres Mona e K. H.; as "Cartas do Outro Mudo", ditadas a Elza Barker por um magistrado inglês desencarnado; a "Luz no Caminho" a Mabel Collins; as mensagens do Padre Marchai a Ana de G.; o "Mundo Oculto" inspirado a M. Sinnett; a "A Vida Além do Véu", ao pastor protestante Rev. G. Vale Owen. As inéditas experimentações mediúnicas de Eduardo Van Der Naillen, entre os Mayas — que ignoravam o Espiritismo — originaram a "Grande Mensagem", obra admirável como repositório de conhecimentos do Além; C. H. Leadbea-ter, bispo anglicano e um dos esteios da Sociedade Teosófica, revelou poderosas faculdades de clarividência, sem contacto com o kardecismo. No vosso século, Pietro Ubaldi, Ergos, Ermibuda e outros entregam-vos mensagens de inspiração mediúnica, embora sem o selo da insígnia espírita. Os profetas eram médiuns poderosos: Isaías, Daniel, Ezequiel, Jeremias, Jonas, Naum, Habacuc e outros, iluminavam as narrativas bíblicas com os seus poderes mediúnicos: Moisés hipnotizou a serpente e a transformou num bastão, fazendo-a reviver diante do Faraó surpreendido; sabia extrair ectoplasma à luz do dia; praticava levitações, transportes, e produziu chagas no corpo, curando-as rapidamente. Realizando a mais assombrosa hipnose da História, usou o povo egípcio como "suject" e o fez ver o rio Nilo a correr como sangue; atuando nas forças vivas da Natureza, Moisés semeava o fogo em tomo de si, cercando-se da "sarça ardente", e punha em fuga os soldados escolhidos para matá-lo. Na esfera católica, Terezinha via o sublime Senhor nimbado de luz. Francisco de Assis revelava as chagas de Jesus; Antônio de Pádua transportava-se em espírito, de Portugal à Espanha, para salvar o pai inocente; Dom Bosco, em transe psícométrico, revia Jesus na infância; Vicente de Paula extinguia úlceras à simples imposição das mãos e São Roque curava à lepra a força de orações. Tereza Neumann, no vosso século, apresenta os estigmas da crucificação, e alguns sacerdotes católicos se tornam curandeiros milagrosos sob a terapêutica dos benzimentos. Entretanto, nenhum desses consagrados seres da história religiosa era espírita, na acepção do vocábulo, embora todos fos¬sem médiuns, o que ignoravam! Eis pois, o porquê de não carecermos assumir responsabilidade doutrinária exclusivamente kardecista ou, isoladamente, em outra nobre instituição, porquanto esse exclusívismo de modo algum ampliaria as nossas idéias. Estas justificar-se-ão por si mesmas, independentemente de qualquer particularismo redutivo.

Ramatís - Mensagens do Astral.
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