CALENDÁRIO VERÃO 2018.

ENCERRAMENTO 2017

08/12/17 – 6ª Feira: Sessão Pública.

15/12/17 – 6ª Feira: Última Sessão Pública.

Calendário Verão 2018

Atenção: Janeiro e Fevereiro Sessões Quinzenais!

12/01/18 – 6ª Feira – Sessão Pública.

26/01/18 – 6ª Feira Sessão Pública.

09/02/18 – 6ª Feira – Sessão Pública.

23/02/18 – 6ª Feira – Sessão Pública.

09/03/18 – 6ª Feira – Sessão Pública.

domingo, 15 de julho de 2012

Estranha compulsão



        Estamos sujeitos ao sucesso e ao fracasso, porque nem tudo corre de acordo com a nossa vontade. As Leis Divinas agem de acordo com as necessidades evolutivas de cada ser e às vezes as lições amargas são o remédio para as almas necessitadas do corretivo que as colocará no rumo certo novamente.

               Charlote acordou no meio da noite, estava angustiada, e como sabia que não conseguiria mais dormir, resolveu levantar e foi até a cozinha. Precisava respirar e tomar um copo de água. Procurou não fazer nenhum ruído para não acordar os pais, pois com certeza eles iriam aparecer logo em seguida. Era sempre assim. Desde suas mais tenras lembranças. Sempre da mesma forma.
Estava tentando se controlar, mas sentiu um desejo, um impulso maior que suas forças e novamente repetiu o gesto de sempre, que tinha a característica incontrolável, precisa. Um verdadeiro ritual, repetido ao longo dos anos.
Sem poder resistir, pegou a chaleira e duas bacias grandes de alumínio, encheu de água e colocou no fogão para ferver. Correu até o armário onde sua mãe guardava as roupas de cama, mesa e banho e retirou apressada várias toalhas, de diversos tamanhos, dando preferencia às brancas. A seguir dobrou-as cuidadosamente, colocou em cima da mesa da cozinha e sentou-se esperando a água ferver, enquanto olhava nervosa para a janela.
Levantou-se diversas vezes e foi até a porta de entrada, pois lhe parecia que a qualquer momento poderiam chama-la.
E esta espera se prolongava por horas, até que a mãe vinha lhe avisar que a água estava secando e Charlote então acordava daquela espécie de transe ficando extenuada a ponto de ir deitar-se novamente, até recuperar o sono perdido.
            Quem conhecia Charlote estava acostumado com suas manias para lá de esquisitas. Tinha um jeito estranho de enfrentar as situações de alta tensão que surgiam, com ela ou com a sua família. Quando era fora de casa ficava um tanto complicado, fato que a deixava muito estressada.
Seu comportamento era comentado entre os conhecidos, entretanto, ninguém falava nada para não constranger a moça. Charlote podia sentir um ar de deboche ao seu redor, certo e bem disfarçado sarcasmo, daqueles que conviviam com ela. Tudo velado. Tudo discreto. Afinal a mãe dela não merecia uma filha esquisitona, nem o pai e os irmãos. Gente boa, muito boa. Todos prestativos.
- Será que não percebiam as atitudes estranhas dela?
  Um belo dia a madrinha, que era irmã de sua mãe e, portanto chegada à família resolveu abordar o assunto, com toda cautela para não magoar a comadre, porque sabia que a mesma era muito sensível.  Inclusive andava frequentando uma casa falada no bairro. Parece pelo que ouvia a boca pequena que era uma mistura de espiritismo, umbanda, macumba. Qualquer coisa do gênero. 
- Batuqueiros! Dissera o padre, fazendo o sinal da cruz e falando baixo. E o pior de tudo é que essa gente está se espalhando por aí sem controle.
- E as autoridades não tomam nenhuma iniciativa, deixam que se estabeleçam em qualquer lugar. Deviam ser mais rigorosos com a fiscalização. Afinal a religião oficial do país é o catolicismo, desde o descobrimento, trazido para salvar as almas pecadoras e esclarecer o povo ignorante.
- Só pode ser coisa de demônio para desestabilizar a santa e amada igreja.
          Com a cabeça fervilhando de pensamentos que lhe foram impostos ao longo de sua vida a comadre, chegou à casa de Charlote, decidida a esclarecer os fatos. Será que a família, tão inteligentes que eram não se dava conta? Coitada da moça se expunha ao ridículo. Todo mundo sabia e comentava sobre as suas esquisitices.
Quando chegou, a madrinha e a irmã abraçaram-se com carinho, porque apesar de cultivarem crenças e opiniões diferentes, existia entre elas um forte laço afetivo e fraterno. A madrinha estava pensando apenas no bem estar de sua sobrinha e afilhada. Em seu ponto de vista achava que Charlote necessitava atendimento psiquiátrico. Até conhecia um excelente profissional que tratara o filho de uma colega de trabalho. Muito bom médico. Estava disposta a recomendá-lo para o tratamento da jovem. Apenas precisava de muito tato para não ofender a irmã.
Abordou o assunto com toda delicadeza possível e surpreendeu-se com a resposta. Não imaginou que o caso de Charlote já estava sendo estudado por uma equipe que buscava tratar o ser de forma integral, ou seja, físico e espiritual. 
Não entendendo direito questionou da sanidade mental da irmã. Achava que ela e a família estavam deixando-se ludibriar, por um grupo de charlatões. Cristo meu, a coisa está muito pior do que pensei.
A mãe de Charlote ouviu todos os argumentos com serenidade e então, quando ela esgotou todos os recursos e chantagens emocionais de que dispunha, explicou com a maior clareza possível, para não violentar os seus pontos de vista porque sabia das ideias um tanto conservadoras da mesma.
Assim relatou que Charlote estava sendo tratada numa casa espírita umbandista, que lhe fora recomendada pelo terapeuta floral que cuidava do seu caso, e que por incrível que possa parecer, por mais fantástico que se revele aos olhos de alguns mais céticos, estava dando resultado. Charlote estava apresentando uma melhora significativa e já conseguia controlar o impulso irresistível que tomava conta dela.
A família também acompanhava e se beneficiava das palestras que achavam proveitosas, porque descortinava uma vida além das aparências, dos fatos comezinhos do dia a dia. O passe então renovava suas energias, sentindo-se tranquilos e bem dispostos para enfrentar a semana com serenidade. Estavam gostando. Estava fazendo muito bem para Charlote. Porém o tratamento seria em torno de uns seis (6) meses mais ou menos, sem interrupções. Porque era preciso empenho, dedicação e vontade de mudar. Compreensão, estudo sobre a vida espiritual e o nosso papel na era atual.
Achamos um tanto complicado, mas aos poucos estamos esclarecendo nossas dúvidas e temores, um novo rumo está surgindo para nós e melhor ainda para Charlote. Estamos começando a entender nossa filha e isto nos faz bem. Estamos felizes. Cheios de esperança.
A irmã achou que a mãe de Charlote estava sob o domínio de um grupo de pastores da nova era que hipnotizam os fiéis e estes entregam tudo, seus bens e poupanças para as igrejas, como alguns jornais noticiavam seguidamente. E foi com pesar que se despediu e foi falar com os outros irmãos sobre o que estava taxando de insanidade. Achava que a irmã não estava bem da cabeça. Decerto sofrera lavagem cerebral. O que será que viria depois? 
Entretanto ela não compreendeu, porque seus preconceitos não permitiram de vez que tinha suas ideias preconcebidas sobre religiões, achando que tudo que estava fora do catolicismo eram seita e fanatismo. 
Os pais de Charlote, aconselhados pelo terapeuta, resolveram leva-la numa casa espírita umbandista, onde a semeadura do Evangelho de Jesus era feita em todas as palestras e encontros, para fortalecer a fé daqueles que ali buscavam consolo e orientação. 
O caso de Charlote foi estudado e a mesma encaminhada para um atendimento de pronto-socorro espiritual, quando então se constatou que lembranças sugestivas e marcantes de outra encarnação, onde havia passado muito trabalho, fluía de seus arquivos de memória eterna, gerando um quadro chamado de síndrome de ressonância vibratória com o passado e ela tinha vislumbres de fatos vivenciados em uma encarnação anterior onde desempenhara o papel de parteira, dai o fato de acordar durante a noite, colocar água para ferver e preparar uma quantidade de toalhas brancas aliado a angustia da espera do momento de ser convocada e depois a incerteza da hora do parto, bem como das condições de nascimento da criança.
Nesta encarnação Charlote ajudara a salvar muitas mães e crianças numa pequena aldeia onde não existiam recursos, médicos, medicamentos, sendo ela a única esperança das parturientes. Estava sujeita ao sucesso e ao fracasso, porque nem tudo corria de acordo com sua vontade que era ver mães e filhos sadios, lares alegres e cheios de rebentos. Porque as Leis divinas agem de acordo com as necessidades evolutivas de cada ser e às vezes as lições amargas são o remédio para as almas necessitadas do corretivo que as colocará no rumo certo.

Lizete - Médium do Triângulo
Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...

Google analytics