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terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

O perispírito e as conseqüências do suicídio

       Aqueles que se enforcam ou se afogam num momento de desespero também fotografam na memória etérica do seu perispírito, durante as vascas de sua agonia, todos os tremendos esgares, repuxos, aflições e sufocamentos, criando-se então os estigmas perispirituais deformativos, que são alimentados pela mente revoltada. Em conseqüência, posteriormente esses infelizes podem renascer corcundas, gibosos, atrofiados e mesmo terrivelmente asfixiados pela asma brônquica, que os tortura, durante toda a existência.
        Os que se suicidam através de quedas e se estatelam arrebentados sobre o solo, ou que se atiram sob as rodas dos veículos que lhes trituram as carnes, comumente tornam a se encarnar vitimados por cruciantes enfermidades, que se situam na patologia dos artritismos e reumatismos deformantes, sofrendo as dores dos ossos que estalam, nervos que se rompem e músculos que se rasgam. Alguns se arrastam penosamente como aleijados congênitos, com os corpos quebrados e os músculos torcidos. Outros, que atearam fogo ao seu corpo e preferiram abandonar o mundo sob a destruição pelas chamas, quase sempre retornam ao meio de onde fugiram, reproduzindo em si mesmos a terrível forma patológica do pênfigo foliáceo, ou seja, a moléstia popularmente conhecida como "fogo selvagem". Esses sofrem intermitentemente, na carne nova, as angústias e a causticidade da loucura suicida da existência física anterior quando, rebelando-se contra a Lei da Vida, se consumiram nas chamas ardentes. Atravessam a encarnação seguinte com a sensação atroz do combustível destruidor, que ainda parece queimar-lhes as carnes destruídas pela revolta contra a vida dada por Deus.
        O punhal fatídico ou o tiro mortal que dilacera o coração do trânsfuga da vida humana deixa-lhe no perispírito a marca fatal e lesiva para a outra existência, criando-lhe o pesado fardo da incurável lesão cardíaca a torturá-lo incessantemente com a ameaça da morte. O chacra cardíaco, como órgão intermediário do duplo-etérico, responsável pela diástole e sístole do coração físico, não sé desenvolve a contento na zona cardíaca do perispírito violentado pelo suicídio da última existência. Então se vê obrigado a reduzir a sua função dinâmica costumeira, mantendo-se em débil rotação energética durante o comando do novo coração carnal do ex-suicida, atendendo-lhe apenas ao mínimo de vida exigível para as suas relações com o mundo exterior da matéria.

Ramatís - do livro A SOBREVIVÊNCIA DO ESPÍRITO.

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