domingo, 12 de fevereiro de 2012

É possível a morte do espírito?


           Admitir a morte do Espírito, ou seja, da Alma, e divulgar ou trazer essa concepção para a tela da publicidade é criar mais um labirinto de dúvidas teológicas e aumentar a controvérsia existente entre as diversas crenças ou religiões, que já se encontram em divergências intransigentes quanto à interpretação da letra dos Evangelhos.
          Em face da visão onisciente, imutável e absoluta da sabedoria de Deus, é inadmissível a "rebelião perene" da criatura contra o seu Criador e suas leis. Semelhante presunção e suas conseqüências punitivas são as da fórmula bíblica dos "anjos decaídos". Porém, tal dogma, como outros, não possui qualquer consistência moral de lógica e bom senso, nem mesmo para ser admitida sob um raciocínio apenas teórico, porquanto a morte do Espírito é uma impossibilidade concreta.
            A desintegração das consciências-indivíduos gerados ou nascidos do seio de Deus constituiria uma enorme aberração, visto que a extinção ou "morte" das centelhas vivas que o Criador lançou de Si implicaria na morte d'Ele próprio, que é a Fonte dessa vida. Tal qual se dará no dia em que se extinguirem ou "morrerem" os raios de luz do "rei" Sol, pois sendo frações vivas de si mesmo, é óbvio que ele morrerá também.
            Abordemos, então, o outro ângulo do teorema: - o que se refere ao Mal, suas causas, seus efeitos e amplitude. O Mal é uma reação de deprimências morais, porém, transitórias, sem prejuízo que subsista na eternidade. O Homem, na sua caminhada evolucionista, enquanto permanece na ignorância da sua realidade espiritual eterna, seu livre-arbítrio desordenado leva-o a cometer desatinos de toda espécie, ou seja - pratica o mal.
            É que os seus ouvidos ainda estão fechados à voz profunda que vibra no recesso da sua consciência, advertindo-o para que resista aos impulsos negativos do Mal, em seu próprio benefício, pois "Deus não quer a morte do ímpio, mas que ele se regenere e se salve"!
            Nas fases intermediárias da sua evolução, o Homem, ativado pela força negativa, mas pertinaz, do Egoísmo, tem como ideal supremo de sua vida adquirir recursos sem limite, que lhe garantam prover não só às suas necessidades comuns, mas que lhe facultem desfrutar também o gozo de prazeres e comodidades supérfluos. No entanto, logo que ele tem conhecimento de que é um espírito imortal e sente em seu íntimo a grandeza sublime desse atributo, e ainda, que o fator eternidade terminará por vencê-lo, esfacelando todas as resistências da sua rebeldia contra o Bem, ei-lo, então, pouco a pouco, renunciando aos prazeres e interesses efêmeros do mundo utilitarista que o rodeia.
            Nesse estágio recuperativo, que se prolonga por diversas reencarnações, chega o dia em que uma nova aurora se abre a iluminar-lhe a consciência; e, então, opera-se a transfiguração referida por Paulo de Tarso: "o homem velho feito de carne animal, cede lugar ao homem novo da realidade espiritual". Depois, a dinâmica do seu egoísmo, que é natureza do Ego inferior, gradativamente, sublima-se, transmuda-se num fator ou elemento energético do Ego superior, ou seja, o "homem novo", já despertado, dispõe-se a assumir o comando de si mesmo, no seu trânsito pelo Cosmo. E, à medida que a sua consciência se eleva e santifica, então, aquela mesma firmeza de vontade do querer é poder que vence e realiza, em vez de estar a serviço do Ego inferior, passa a servir o Eu superior, cujo ideal supremo é o amor-fraternidade de amplitude cósmica, que, na realização integral do "amor a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a si mesmo", perdoa, sacrifica-se, socorre, renuncia, dando tudo de si sem pensar em si. E assim, atingida esta plenitude moral de grau santificante, o microcosmo humano, que é o Homem, passa a refletir as qualidades, as virtudes sublimes do Macrocosmo Divino, que é Deus.
            Nessa altura realiza-se então a afirmativa da Gênesis, que diz: - O Homem é feito à imagem de Deus; e também, conforme Jesus - "o filho e o Pai são um"!
            Consideremos agora a essência moral da sua presunção quanto à possibilidade de um Espírito permanecer nos abismos do Pecado através do tempo eternidade. Semelhante contingência é inadmissível sob todos os aspectos, pois há uma lei cósmica de evolução dinâmica, que impõe um movimento ascensional a todos os fenômenos do Universo, impulsionando o imperfeito para o mais perfeito, o pior para "subir" ao melhor. E até a própria matéria bruta, na sua constituição atômica e molecular, está sujeita a esse imperativo evolucionista.
            Além das razões expostas, a teoria da morte do Espírito fica destroçada pela base, em face das seguintes contingências de ordem moral: - Uma vez que Deus, em virtude dos seus atributos de presciência e de onisciência, e identifica o futuro como uma realidade presente, é óbvio que Ele sabe, por antecipação, qual o rumo ou diretriz moral que seguirá cada um de seus filhos em suas vidas planetárias. E como decorrência dessa visão antecipada, saberia, portanto, que entre eles, alguns, por efeito do seu livre-arbítrio, virão a ser rebeldes incorrigíveis; e que Ele, depois, terá de extingui-los mediante a pena de morte espiritual. Ora, em face de tal contingência ou determinismo, resultaria o seguinte conflito de ordem moral em relação aos atributos divinos. É que, havendo entre os espíritos filhos de Deus, uns, possuidores de virtude ou força de vontade que os tornaria capazes de alcançar a hierarquia da angelitude e fazerem jus à vida eterna, e outros, condicionados a serem uma espécie de "demônios"; e que, por isso, mais tarde, será necessário extingui-los pela morte espiritual, então, como conciliar esta parcialidade iníqua do próprio Criador, em face dos seus atributos de justiça e amor infinitos?... E mais: - se Deus tem de emendar ou corrigir hoje um seu ato de ontem, então, que é feito da sua perfeição e infalibilidade?...

Ramatís - do livro ELUCIDAÇÕES DO ALÉM.

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