terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

Carnaval, retrato do inferno de Dante?!?

A psicografia a seguir foi feita em 1939. De lá para cá a situação só se agravou. Enquanto gastamos milhões de R$ em patrocínio dos trios elétricos pela sedenta indústria cervejeira, milhares de desabrigados pelas chuvas na região norte estão sem comida. Bilhões de litros de bebidas alcoólicas são consumidos financiando os acepipes e as beldades nos camarotes refrigerados dos sambódromos que animam a lucrativa cobertura televisiva.

Quantas drogas são usadas para manter em alta a falsa e fugaz euforia?

Parecemos que não temos mais consciência individual e voltamos a ser almas-grupos, tal a penetração do hipnotismo coletivo que nos faz agir como marionetes de cabeças ôcas...

Informa-nos Sr. Tranca Rua das Almas que nesta época - tal a intensidade do magnetismo de atração pelas emanações mentais dos habitantes da crosta - abrem-se portais de passagem no umbral inferior que faz com que gigantescas legiões de espíritos de baixa envergadura vibratória em péssimas condições perispirituais  invadam as cidades onde haja concentração carnavalesca, no intuito de realizarem os mais sórdidos desejos sensórios que os corpos carnais conseguem lhes fornecer, um ataque das trevas formando um grande festim diabólico. 


Um retrato infernal nos pintaria Dante Allighieri?!?
Emmanuel fala sobre o Carnaval

Nenhum espírito equilibrado em face do bom senso, que deve presidir a existência das criaturas, pode fazer a apologia da loucura generalizada que adormece as consciências, nas festas carnavalescas.

É lamentável que, na época atual, quando os conhecimentos novos felicitam a mentalidade humana, fornecendo-lhe a chave maravilhosa dos seus elevados destinos, descerrando-lhe as belezas e os objetivos sagrados da Vida, se verifiquem excessos dessa natureza entre as sociedades que se pavoneiam com o título de civilização. Enquanto os trabalhos e as dores abençoadas, geralmente incompreendidos pelos homens, lhes burilam o caráter e os sentimentos, prodigalizando-lhes os benefícios inapreciáveis do progresso espiritual, a licenciosidade desses dias prejudiciais opera, nas almas indecisas e necessitadas do amparo moral dos outros espíritos mais esclarecidos, a revivescência de animalidades que só os longos aprendizados fazem desaparecer.

Há nesses momentos de indisciplina sentimental o largo acesso das forças da treva nos corações e, às vezes, toda uma existência não basta para realizar os reparos precisos de uma hora de insânia e de esquecimento do dever.

Enquanto há miseráveis que estendem as mãos súplices, cheios de necessidade e de fome, sobram as fartas contribuições para que os salões se enfeitem e se intensifiquem o olvido de obrigações sagradas por parte das almas cuja evolução depende do cumprimento austero dos deveres sociais e divinos.

Ação altamente meritória seria a de empregar todas as verbas consumidas em semelhantes festejos, na assistência social aos necessitados de um pão e de um carinho.

Ao lado dos mascarados da pseudo-alegria, passam os leprosos, os cegos, as crianças abandonadas, as mães aflitas e sofredoras. Por que protelar essa ação necessária das forças conjuntas dos que se preocupam com os problemas nobres da vida, a fim de que se transforme o supérfluo na migalha abençoada de pão e de carinho que será a esperança dos que choram e sofrem? Que os nossos irmãos espíritas compreendam semelhantes objetivos de nossas despretensiosas opiniões, colaborando conosco, dentro das suas possibilidades, para que possamos reconstruir e reedificar os costumes para o bem de todas as almas.

É incontestável que a sociedade pode, com o seu livre-arbítrio coletivo, exibir superfluidades e luxos nababescos, mas, enquanto houver um mendigo abandonado junto de seu fastígio e de sua grandeza, ela só poderá fornecer com isso um eloqüente atestado de sua miséria moral.


Emmanuel

Psicografado pelo médium Francisco Cândido Xavier em Julho de 1939 / Revista Internacional de Espiritismo, Janeiro de 2001.


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