terça-feira, 31 de janeiro de 2012

Integração na vida superior do espírito imortal


           Embora os encarnados não consigam recordar os acontecimentos de suas vidas passadas, devido à forte interferência dos complexos biológicos da carne sobre a memória sideral, nunca se extingue neles a ansiedade pela libertação do seu espírito.
            Assim como o exilado compulsório não trocaria todas as comodidades e distrações no seu desterro, pelas maiores contrariedades em sua pátria querida, o espírito imortal também sente-se infeliz sob o domínio estúpido das paixões da carne.
            Há momentos em que o tédio, a melancolia, o desespero e até a revolta abatem o homem de tal forma, embora ele participe de todos os prazeres da vida, que, na sua angústia insolúvel, ele recorre ao suicídio, causando espanto àqueles que o julgavam plenamente venturoso. Na verdade, em face de qualquer descuido ou invigilância da personalidade humana, a consciência espiritual reage, no sentido de sua integração na vida superior do espírito imortal.
            Muitas vezes, esse "chamado" oculto e incessante traduz-se numa angústia indefinível, que é a luta rude entre o homem-espírito e o homem-animal; luta que, nos caracteres mais fracos, pode arrastar o homem ao suicídio. Inúmeros poetas, intelectuais, filósofos, escritores, cientistas e mulheres de elevada posição social fugiram do mundo pela porta falsa dessa tragédia, justamente por faltar-lhes a firmeza na espiritualidade consciente, que então lhes compensaria o amargor de suas decepções e angústias, por maiores que elas fossem.
            Mas, assim como o balão cativo não cessa de forçar as amarras que o prendem ao solo, o espírito também emprega todos os seus esforços para libertar-se dos grilhões da matéria. Embora a consciência humana não identifique esse oculto instinto moral do espírito para ajustar-se ao padrão superior de sua vida imortal, em certas criaturas o fenômeno se traduz por uma estranha satisfação íntima, que pode manifestar-se mesmo durante a dor ou até quando se aproxima a morte física.

Ramatís - do livro MEDIUNIDADE DE CURA

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