sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

Evolução e comportamento do homem



A negligência do homem para consigo mesmo aumenta, porquanto, à medida que se torna mais científico e erudito, parece desinteressar-se cada vez mais da sua própria ventura espiritual! O homem do século...(atual), apesar de excessivamente “intelectualizado”, vive mais em função das razões ou das sugestões do mundo exterior em vez de auscultar as suas próprias necessidades, preferindo seguir a obcecação da maioria, mesmo que isso lhe seja pernicioso.
Mesmo quanto às necessida­des mais comuns, ele se submete a essa força sugestiva, seja a da moda feminina, a das inovações, sem importância fundamental, a das tolices e trivialidades que todos os dias o rádio, as revistas e anúncios incutem no cérebro dos seres terrícolas, fazendo-os tro­car, comprar ou preferir produtos e coisas de que não necessitam. A propaganda moderna é feita por hábeis e manhosos psicólogos, bastante experimentados no tocante às reações humanas; eles se utilizam de recursos hipnóticos e persistentes, expondo ou anun­ciando os seus produtos de forma fascinante e agradável!
E assim, à mais inofensiva dor de cabeça ou impaciência nervosa, associais logo à mente o nome de um produto que a inteligente propaganda soube pôr em evidência no momento. De tal modo atuam sobre vós o rádio, o jornal, a revista e o cinema, que viveis em função dessa fascinação imposta pelo mundo do comércio e da indústria para impingir os seus produtos, agindo de modo astucioso; então já não escolheis as coisas; elas é que vos hipnotizam e se impõem a vós como imprescindíveis! O mesmo se dá através dos efeitos sugestivos da hábil propaganda do cigarro, efetuada pelas gran­des indústrias tabagistas. Elas aliciam opiniões de cientistas, de homens célebres ou de artistas de cinema famosos, estampando seus retratos em cromos luxuosos, cartazes brilhantes e coloridos, onde os dísticos mais poéticos e as frases mais sugestivas desta­cam a delícia e a fidalguia de fumar! Os próprios homens que não fumam sentem-se atraídos por tão habilidosa propaganda, muitas vezes deixando-se fascinar pelas frases que elevam o cigarro à cate­goria de uma distinção imprescindível no meio social. Mais tarde, quando o indivíduo se torna fumante inveterado, já não mais pre­cisa da propaganda sugestiva para fumar e, extremamente vicia­do, chega a perder a noção de civilidade humana em quase toda parte; ele olvida que nos veículos e nos salões de divertimentos o fumo pode intoxicar, repugnar ou irritar a muitos. Esquece de que, mesmo em outros lugares de reunião, pode ser detestável ao próximo o odor do cigarro de palha, o cheiro forte do charuto ou o do sarro do cachimbo. Alguns indivíduos fumam até nos salões dos restaurantes, à hora das refeições; outros atingem com a fuma­ça o rosto dos companheiros nas “filas” dos transportes, pouco se importando com os protestos silenciosos de suas infelizes vítimas! Embora se conclame a fidalguia do cigarro, não é raro o fato de um fumante queimar a roupa do seu companheiro de viagem, cau­sando-lhe por vezes enorme prejuízo!

- do livro FISIOLOGIA DA ALMA
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