quarta-feira, 2 de novembro de 2011

Vem, Jesus Nazareno !

Há longos meses , meu querido Mestre , que venho seguindo a teu lado , pelas montanhas da Galiléia , pelas campinas da Samaria , cidades da Judéia , pelas ruas de Jerusalém .
No fim destas páginas , que vivi e sofri contigo e por ti , só me resta pedir-te perdão das inúmeras falhas e imperfeições de que elas vêm repletas , e rogar-te que , com a tua divina sabedoria , supras a minha humana ignorância .
Jesus Nazareno !... Estamos com saudades de ti ...
Já não podemos viver sem ti ...

A babel da sociedade moderna suspira pela paz das tuas palavras ...
As nossas saudades soluçam pungentes de dor e desventura ...
Estamos cansados dos nossos pecados ... enjoados dos nossos vícios ... nauseados das brilhantes futilidades do mundo ...
Volta a este mundo , ó Jesus Nazareno !... Volta , aureolado daquele encanto primaveril , daquele frescor juvenil , daquele fulgor estelar que , há vinte séculos , arrebataram o coração varonil de um Simão Pedro , enlevaram a alma contemplativa de um João Evangelista , o coração de Maria de Mágdala ...
Jesus Nazareno !... Torna a ser para os filhos do século XX o que foste para os cristãos das catacumbas , para os mártires do coliseu , para os místicos do ermo ...
Jesus Nazareno !... A história destes vinte séculos é a continuação da tua peregrinação terrestre . Os homens maltratam-te ... Esbofeteiam-te ... Flagelam-te em praça pública ... Coroam-te de espinhos ... Arrastam-te de tribunal a tribunal , da astúcia de Anás à insolência de Caifás , da covardia política à escandalosa luxúria de Herodes ...
Crucificam-te ... Sepultam-te na indiferença e no esquecimento ...
Os Iscariotes atraiçoam-te ...
Os Simão Pedro negam-te ...
Os fariseus insultam-te ...
Os discípulos abandonam-te ...
Tu sabes , meu querido Rabi , quão difícil é descobrir através dos nevoeiros do presente século o FULGOR DOS TEUS OLHOS ...
Amesquinhada pela humana fraqueza , desmaiou a pulcritude do teu perfil ...
A simplicidade do teu Evangelho está reduzida a uma teia de exterioridades , a um labirinto de formalismos , em que o espírito se desnorteia e a alma agoniza asfixiada ...
Os homens procuram modelar à sua imagem e semelhança a divina epopéia do teu Evangelho ...
Os homens não querem subir às alturas --- querem que tu desças às baixadas deles .
O teu Evangelho foi substituído pelas teologias . A tua bandeira flutua sobre o quartel-general do anticristo .
A imprensa , a literatura , o cinema , a televisão te reduziram a uma caricatura ...
Volta , pois , Jesus Nazareno ! Volta a este mundo que só tu podes salvar ...
Encontrarás maior número de fariseus do que naquele tempo ; não passarás três anos de vida pública sem seres crucificado ; porque os teus lábios proferem verdades dolorosas , verdades contrárias aos ídolos do coração humano e aos fetiches proteiformes da sociedade ; a suprema simplicidade do teu caráter nunca se aviltou a ponto de pactuar com a política penumbrista das atitudes covardes e das posições indefinidas --- e os homens não te perdoarão jamais essa sinceridade ...
Por isso , meu Jesus , serás crucificado pelos fariseus do nosso século .
Os judeus crucificaram uma vez o teu corpo --- mas os cristãos crucificam o teu espírito há quase vinte séculos .
Nós , porém , os teus discípulos , estaremos como guarda de honra ao pé da tua cruz e nos cobriremos com o manto sanguinolento dos teus opróbrios ...
O que importa , Senhor , é que venhas quanto antes para infundir vida nova a este organismo languescente e doente da sociedade moderna ...
É necessário que venhas reintegrar o teu Evangelho na suprema beleza daquela simplicidade com que brotou dos teus lábios divinos ...
Vem , Jesus Nazareno !...

Texto : Huberto Rohden / Livro Jesus Nazareno - Ed. Martin Claret
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