domingo, 27 de novembro de 2011

Pedir e receber, ou buscar e achar?



PERGUNTA: — Por que Jesus recomenda o "Buscai e achareis", quando, noutro preceito, Ele mesmo assegura que 'pedindo, nós receberemos"? Qual é, enfim, o conceito mais exato? "Pedir e receber, ou buscar e achar'?
RAMATÍS: — Sob o ponto exclusivamente moral, essa dupla conceituação parece algo contraditória e de efeito dou­trinário oposto. Mas, na realidade, há um sentido de discipli­na e ordem nos seus termos, pois, é sempre mais sensato e lógico o homem "pedir" para depois "buscar", como a premis­sa fundamental para se movimentar amparado pela própria Lei Divina. É de senso comum que ninguém parta de modo "ex-abrupto", sem qualquer cogitação mental prévia, para buscar algo ou cumprir certo objetivo. Deve sempre existir um desejo preliminar, uma preferência, ou até simples curiosida­de, como fundamento ou a"motivação"para a criatura mover- se em qualquer busca física, moral ou espiritual. Há de ser um homem alucinado, insensato ou anarquista, quem se atira des­cabeladamente a uma iniciativa, sem qualquer reflexão, moti­vo ou propósito anterior?
Em face dos ensinamentos de Jesus ainda serem prema­turos para o entendimento da civilização primária terrícola, então, é possível que alguns exegetas maliciosos e especulati­vos encontrem, no conteúdo evangélico, motivos para extrair ilações negativas. O Divino Mestre resguardou, sob a vesti­menta das parábolas, certos esclarecimentos esotéricos mais avançados e incompreensíveis para a sua época, os quais, somente após alguns séculos ou milênios devem ser entendi­dos no seu conteúdo exato, oculto. Aliás, é do próprio Jesus o Conceito de que "Não se deve atirar pérolas aos porcos". Embora a simplicidade e a evidência moral do Evangelho do Cristo bastem para garantir a aplicação sensata dos seus conceitos salvacionistas com o decorrer do tempo, os homens ainda não puderam entender e comprovar que são, realmen­te, delicadas miniaturas do próprio cientificismo do Cosmo.
Assim, o "pedir", na intenção de Jesus, não consiste sim­plesmente no ato primacial de a criatura solicitar algo. Mas, é sumamente importante que ela, primeiramente, se decida em consciência, quanto à natureza, contextura superior ou inferior do que pede. Quem não sabe o que pede, pode pedir insensatamente! É ilógico que o homem venha a querer o que não deseja, pedir o que não pretenda, solicitar o que não entende, ou, ainda, buscar o que não crê.
Ao pedir, em qualquer plano da vida mental, física ou espiritual, o homem expressa uma atitude compatível com o seu entendimento íntimo ou bom senso; mas, não basta pedir, pois, é preciso também saber pedir. Assim, o homem que, no mundo, pede de modo irregular, censurável e até em sentido destrutivo, diz-lhe a Lei que "se vos dará", ou seja, confirma que ele possui o livre-arbítrio de pedir o que deseja. Mas, como o conceito evangélico é claríssimo em explicar que "pedindo, recebereis", o homem que, então, saiba como pedir, em qualquer condição de sua vida, há que saber que"a semea­dura é livre", mas "a colheita é obrigatória". Por isso, adverte Jesus que o "homem será julgado segundo as suas obras".
Sob tal aspecto, o Mestre Divino define ao entendimento do homem terrícola que o mal e o bem ainda são frutos da pró­pria atitude e condição humana, pois, tanto ele pode pedir certo como errado, e sempre será atendido pela Lei. Deus é Amor absoluto e incondicional e atende a qualquer pedido, sem fazer distinção ou restrição entre Seus filhos. É algo à semelhança do pai amoroso, que chega a paraninfar os equívo­cos dos filhos, para não os frustrar na vida humana. Em ver­dade, Jesus disse que "pedindo, recebereis", mas não destacou o que se deve "pedir", nem mesmo o que é certo ou errado no pedido, embora frisando que, sempre, será atendido aquele que pedir. Obviamente, quem pedir há de ser o único responsável quanto à natureza dos efeitos que possam suscitar-lhe o pedi­do "bom" ou o pedido "ruim".


O Evangelho à Luz do Cosmo
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