terça-feira, 29 de novembro de 2011

O exemplo do sublime peregrino


"Num dos momentos mais expressivos de sua vida, quando lhe solicitaram para demonstrar suas creden­ciais superiores de Mestre, eis que ele curvou-se, humilde, e lavou os pés dos seus apóstolos!"

O Universo é regido por leis perfeitas e imutáveis tanto na dinâmica das suas leis físicas como na regência das suas leis morais. Tudo se move num ritmo harmonioso e seguro. Assim, quanto aos Espíritos, na longa caminhada da sua evolução, proporciona-lhes sempre múlti­plas oportunidades ou ensejos de desenvolverem e consolida­rem a sua consciência individual, pois esta é a matriz que lhes estrutura o caráter.
Em tais condições, todos os acontecimentos de grande projeção moral e social, que se processam na face dos pla­netas, estão subordinados a um esquema de absoluta segu­rança previsto pelo Governo Oculto de cada orbe. A conturbação proveniente de surpresas ou imprevistos não existe nas manifestações panorâmicas da Criação cósmica.

Conseqüentemente, Jesus só desceu à Terra depois do Alto programar e aprovar o fato. Porém, quanto aos aspec­tos intermediários de suas atitudes, tratando-se de um mis­sionário de elevada hierarquia espiritual, torna-se evidente que ele não seria um autômato acionado por "cordões" ma­nejados do mundo invisível. Era um elevado mensageiro elei­to pela Administração Sideral, para entregar à Humanidade terrena o Código de sua própria redenção espiritual; mas de­pendia, essencialmente, do seu próprio discernimento, o seu triunfo nessa realização messiânica. Em verdade, a sua renúncia e heroísmo absolutos é que cimentaram as bases morais do Cristianismo; embora, naturalmente, os seus ami­gos invisíveis sempre o tenham assistido e confortado nas suas horas de angústia e nas vacilações adstritas ao meio ambiente.
Jesus aceitou o programa sacrificial da sua missão atento às diretrizes fundamentais que ela.lhe impunha, as quais examinou antes de encarnar-se; porém, o êxito do movimento cristão foi produto de seu próprio esforço.
Na Terra, ele teve de submeter-se a todos os imperati­vos próprios da família carnal, adaptando-se a certas con­veniências prosaicas da sociedade terrícola e nivelando-se às raças e aos costumes da época. Embora se tratasse de um anjo, ele também se obrigava a viver e participar dos acon­tecimentos humanos, próprios dos encarnados, obviamente, não podia dispensar os apetrechos e as convenções do mundo material, onde tinha de se movimentar contando com os recursos naturais de todos os homens.
Mas a obra de Jesus desenvolveunse sob os aplausos e o júbilo dos seus mentores siderais, pois ele cumpriu integral­mente a sua missão redentora da humanidade. Além disso, livrou-se das incongruências e das deformações muito co­muns a certos líderes de povos, que nas suas tarefas deixam-se imbuir pela vaidade, em acirrada defesa da sua persona­lidade humana e muitíssimo preocupados com o possível jul­gamento da posteridade. Cuidam principalmente de exaltar a sua figura transitória no cenário do mundo, em detri­mento da própria obra de que são responsáveis. Jesus, no entanto, não se preocupou com a opinião histórica do mundo, pois devotou-se exclusivamente à tarefa de esclarecer o ho­mem e ajudá-lo a libertar-se de suas paixões e instintos ani­mais, a fim de despertar-lhes as qualidades íntimas e su­blimes do anjo. Num dos momentos mais expressivos de sua vida, quando lhe solicitaram para demonstrar suas creden­ciais superiores de Mestre, eis que ele curvou-se, humilde, e lavou os pés dos seus apóstolos!

Ramatís - O Sublime Peregrino
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