quarta-feira, 19 de outubro de 2011

Luz que veio de Aruanda


                                                                                        Luz que refletiu na terra

                                                                                          Luz que refletiu no mar
                                                                                         Luz que veio de Aruanda
                                                                                        Para tudo iluminar
                                                                                                      Hino da Umbanda

Primeiro vieram os atlantes.
Os atlantes??? No Brasil?
Sim. Em muito remoto passado, veio estabelecer-se nas costas brasileiras, onde é hoje o Estado do Espírito Santo, uma colônia atlante (1). Prosperou, cresceu, e espraiou-se por 12 cidades. Esses atlantes de pele acobreada guardavam os conhecimentos espirituais de sua raça. Em seus templos, ensinava-se as Grandes Leis, cultivava-se a magia do som, da cor, da dança, das forças da natureza...Cultuava-se a Luz Divina. E havia iniciados nos Grandes Mistérios. Eram regidos pela dinastia dos Ay-Mhorés. Mais tarde, tiveram que emigrar para o interior, esse povo decaiu e foi dispersado pela magia negativa. Sobraram ecos de suas crenças na religiosidade dos povos indígenas que deles derivaram: a magia natural, o conhecimento das forças curadoras e das ervas, o contato com o mundo invisível.... E sua altivez natural, sua noção de liberdade e igualdade. Nossos antepassados. Fazendo com que legítimo sangue atlante viesse a correr pelas veias psíquicas do futuro povo brasileiro.
Depois, vieram os portugueses e os negros.
Os primeiros traziam o componente de um misticismo ingênuo e da simpatia, simplicidade e feitio acolhedor que até hoje os caracteriza. A crença nos breves, nos escapulários, nos benzimentos, na água benta...
E os negros...Ah, os negros! Além da humildade e doçura, traziam o conhecimento da velha magia africana. Seus sacerdotes sabiam invocar os espíritos, evocar os elementais, manipular vegetais e minerais para a cura e efeitos mágicos. Inúmeros deles tinham sido velhos magos do Egito, da Caldéia, da Índia, da Pérsia, e resgatavam no primitivismo do continente africano os débitos para com a Lei Suprema. Inicialmente, usavam esses poderes para curar e confortar seus irmãos, às vezes para vingar-se dos brancos cruéis. Aos poucos, começaram a ser procurados pelos senhores, para lhes benzerem um filho, curarem um familiar, lerem os búzios...e foram firmando seu papel de intermediários das forças ocultas. Com o fim da escravidão, muitos acabaram marginalizados na periferia das vilas e cidades, e então começaram a exercitar suas aptidões magísticas para sobreviver...com maior ou menor eficiência ou confiabilidade, servindo a guias de luz ou a senhores das trevas.
Eram os "candomblés", as "macumbas", os "pais de santo"...E rolava muita magia negativa no astral deste país.
Mas o Alto, vigilante, regia dos bastidores a orquestração dos elementos que iriam compor o futuro Coração do Mundo.
Em 1908, no Estado do Rio de Janeiro, juntam-se fios espirituais predeterminados, e um espírito missionário, que já reencarnara mais de uma vez no Brasil, com altas credenciais siderais, vem, dando o nome de Caboclo das Sete Encruzilhadas, para, através de um jovem sensitivo – Zélio de Moraes – dar início a um novo culto, a uma religião brasileira! Deu-lhe um nome nunca ouvido antes nestas terras: umbanda. E sentenciou: “Vim para fundar uma nova religião, baseada no evangelho de Jesus, e que terá como seu maior mentor o Cristo”.  Nela teriam vez e voz exatamente as duas raças oprimidas, proscritas da “mesa branca” do espiritismo, e no entanto detentoras do mais precioso dos acervos: o conhecimento espiritual e os poderes psíquicos e mágicos. E os caboclos e pretos-velhos foram as figuras emblemáticas que compuseram a face da nova religião. Uma religião brasileira...
Com isso, visava o Alto, também, ao combate aos redutos da magia negra do astral e a seus acólitos da terra - macumbeiros de aluguel e redutos onde o sacrifício ritualístico de animais fornecia o “tônus vital” para os feiticeiros do invisível.
A magia do som e da cor dos atlantes voltava, assim, junto com a sabedoria da cura, das ervas, das forças naturais...E o saber dos velhos magos ancestrais, seu domínio das forças naturais, o poder de desmancho dos malfeitos, temperado agora pela doçura adquirida nos travos da escravidão.
A umbanda tem 100 anos no Brasil, como religião instituída, com data marcada (16 de novembro de 1908), e milhares de milênios de herança ancestral da velha Aum-Bandhã – a Lei Divina Manifestada, conhecida desde sempre nos círculos iniciáticos.
Nela se acolhem, como uma colcha amorável de retalhos protetores, desde espíritos primitivos que estão se iniciando no serviço da Luz, ex-magos negros, espíritos singelos de silvícolas e africanos desencarnados, ex-sertanejos broncos e principiantes da espiritualidade, até mentalidades luminosas e missionários, incluindo alguns que o espiritismo venera como guias de grande luz, médicos do além, cientistas, “santos” católicos, ex-legionários romanos, filósofos da velha Grécia, ex-sacerdotes de inúmeras religiões, incluindo a católica....passando por Mestres de Sabedoria, Yogues iluminados e extraterrestres – estes constituindo os famosos “´pais de segredo”, que descem incógnitos aos terreiros, disfarçados de “pais” e “mães”, “vovôs” e “vovós”....
Saberão os espíritas, a maioria desconhecendo solenemente a história e o perfil da umbanda, muitos ainda menosprezando-a, que os mesmos guias e protetores de suas mesas mediúnicas operam nos terreiros, pois do lado de lá não existem divisões? Saberão que o venerável Bezerra de Menezes cura por aí afora travestido de Caboclo Mata Verde? Ou que o Caboclo Mata Virgem serve de uniforme de trabalho para o padre Anchieta? Que seres de luz fulgurante como Babajiananda e Mestre Ramatis operam na egrégora da umbanda como Pai Tomé ou Pai Benedito? Que Joana de Ângelis, a conhecida ex-abadessa guia de Divaldo, é figura venerada na umbanda como uma “vovó”mandingueira e sábia, da linha do Congo? Pois é...
Aqui, nesta Terra da Cruz de Estrelas, onde está se gestando, no dizer de Ramatís, a raça mais fraterna e amorável do planeta, precursora do terceiro milênio, seria necessário unir nossas heranças psíquicas e caldear uma tônica espiritual universalista, fraterna e amorosa. Onde a Magia Branca, com toda sua complexa tessitura, fosse colocada a serviço da mais singela caridade.
A religião nascida no Brasil. Acolhedora, amorável e fraterna, múltipla e facetada, singela e mística como seu povo.

 Nota (1): A história deles se conta em A Terra das Araras Vermelhas, de Roger Feraudy.
Ed. do Conhecimento.. 



Fonte do texto:



"O “estar” teosofista, maçom, hinduísta, budista, rosacruciano, espírita, umbandista é mero rótulo que fragmenta as leis cósmicas na Terra e separa o homem de sua essência, que é “ser” espírito, iludindo-o com a aparência transitória da personalidade terrena, algemada ao molde da carne.
Vibrando na essência permanente da umbanda, do Alto para a Terra, unem-se espíritos de pretos velhos, caboclos, crianças, exus, hindus, árabes, etíopes, chineses, europeus, negros, vermelhos, amarelos e brancos, que se manifestam aos vossos olhos por todas as raças que já pisaram em solo terreno. O que é “permanente” e se fará infinito, como unidade essencial nas diversas formas de exteriorização da umbanda, é o amor e a caridade em nome do Cristo."
A Missão da Umbanda / Ramatís

             
                                             

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