sexta-feira, 12 de agosto de 2011

Poema de Exu, por Jorge Amado



Não sou preto;
branco ou vermelho;
Tenho as cores e formas que quiser;
Não sou diabo nem santo, sou Exú;
Mando e desmando;
Traço e risco;
Faço e desfaço;
Estou e não vou, Tiro e não dou;
Sou Exu;
Passo e cruzo;
Traço, misturo e arrasto o pé;
Sou rebuliço e alegria;
Rodo, tiro e boto;
Jogo e faço fé;
Sou nuvem, vento e poeira;
Quando quero, homem e mulher;
Sou das praias, e da maré;
Ocupo todos os cantos;
Sou menino, avô, maluco até;
Posso ser João, Maria ou José;
Sou o ponto do cruzamento;
Durmo, acordo e ronco falando;
Corro, grito e pulo;
Faço filho assobiando;
Sou argamassa;
De sonho carne e areia;
Sou a gente sem bandeira;
O espeto, meu bastão;
O assento? O Vento;
Sou do mundo, nem do campo;
nem da cidade; Não tenho idade;
Recebo e respondo pelas pontas;
Pelos chifres da nação;
Sou Exu;
Sou agito, vida, ação;
Sou os cornos da lua nova;
A barriga da rua cheia;
Quer mais? Não dou;
Não estou mais aqui!
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