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sexta-feira, 8 de julho de 2011

Seremos os últimos a acordar?

"...uma rede repleta de peixes recém pescados, os infelizes debatendo-se na sufocação da agonia, caudas e saltos desesperados, alguns, exaustos, apenas estremecendo, olhos arregalados de sofrimento..."

Larissa, de 11 anos, minha afilhada, viu neste verão, na praia, uma rede repleta de peixes recém pescados os infelizes debatendo-se na sufocação da agonia, caudas e saltos desesperados, alguns, exaustos, apenas estremecendo, olhos arregalados de sofrimento.
Espanto e dor no coração sensível. Antes mesmo de chegar à casa, ela declarou: “Nunca mais vou comer bicho nenhum. Fiquei vegetariana”. E continua. Detalhe: a família dela não é vegetariana. Ela há de ser salva pelo coração do carma da crueldade.
A reação de uma criança normal e sensível, ainda não embotada pelo egoísmo e a banalização da dor alheia, capaz de reagir com o coração e não com o estômago à realidade de que seres vivos perecem com dor e desnecessariamente para rumarem a nossas panelas deveria ser a de toda criatura com sentimento de compaixão e alma misericordiosa. Por que não é? Porque a tirania do hábito nos hipnotiza. Porque deixamos as idéias vigentes nos dizerem o que fazer, não o coração que sente. Porque não pensamos seguimos o rebanho humano e as idéias prontas que o sistema nos incute através de uma mídia comprometida com os interesses do lucro.
Os Mestres de Sabedoria nos dizem: “O pior carma é o da crueldade”. A biologia nos mostra que seres vivos com um sistema nervoso sentem dor como nós e já provou, pela decodificação do DNA humano, que nós NÃO somos uma espécie à parte, mas apenas uma continuidade do reino animal. Os espíritos foram enfáticos a Kardec: sim, os animais têm uma alma, e um dia serão humanos e divinos como nós, que já fomos como eles. Emmanuel declara que eles são os irmãos menores do homem, candidatos à mesma angelitude. André Luis denuncia os horrores espirituais dos matadouros, e aponta que sem amor para com os inferiores, não devemos aguardar a proteção dos superiores.
Médicos e nutricionistas já advertiram dos riscos à saúde que a ingestão de carnes traz. Obras sem conta já denunciaram a crueldade que sofrem bois, porcos, carneiros, galinhas, etc, tratados como máquinas de produção de carne, confinados, torturados, mortos com violência. “Se os matadouros fossem de vidro, todos seriam vegetarianos”, na frase imortal de Paul MacCartney.
E Ramatís como sempre coloca as cartas na mesa, explicando as consequências terríveis para o planeta e a humanidade, e para a sanidade física e espiritual, da ingestão de cadáveres dos irmãos menores. E o carma tremendo que esta humanidade está colhendo, em forma de violência e guerras, doenças e obsessões, por patrocinar o sofrimento dessas criaturas nossas irmãs e impedir-lhes a evolução necessária em corpos materiais.
Ao nosso lado basta querer ver há uma legião de vegetarianos que aumenta dia a dia, em todos os países: criaturas atéias ou agnósticas, materialistas, adeptos de crenças tradicionais... com uma característica comum: são seres compassivos, com sentimentos que os credenciam a permanecer no planeta renovado após a Transição Planetária em curso. São ativistas da causa animal, membros de sociedades vegetarianas, conquistam novas legislações e estão incutindo na consciência coletiva a noção evoluída dos direitos dos animais.
“Generosos batalhadores da causa animal, vanguardistas de uma consciência planetária, estão passando à frente dos espíritas, adotando um modo de viver condizente com os postulados da Lei Evolutiva. E vós, meus irmãos? Que fazeis, sentados à mesa diante dos despojos sangrentos de vossos companheiros planetários? O espírita deveria ser o primeiro, e não o último, a preservar a qualquer custo o equilíbrio planetário. É um triste papel que não cabe, não deveria caber, aos seguidores da doutrina que veio para melhorar o mundo e auxiliar a redenção da humanidade.
Espíritas: o conhecimento acentua a responsabilidade. Não podeis negar vossa irmandade com as espécies animais, claramente demonstrada desde as origens da doutrina.” Diz-nos a palavra candente de Ramatís.
Se é incongruente para um espírita, o que se dirá de um ramatisiano?
Seremos, em vez de vanguardeiros, os retardados da consciência coletiva? Um mundo novo está surgindo por sob a crosta do velho, construído até por criaturas que se dizem materialistas e nós? Para o que servirá nossa espiritualidade, se ela não ajuda a construir o Mundo Melhor que desejamos não com teorias, mas com ações concretas, com novos comportamentos, dignos do Amor Universal que dizemos idealizar?

Mariléa de Castro - Grupo de Estudos Ramatis de P. Alegre.
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