terça-feira, 21 de junho de 2011

As viciações nos processos obsessivos



PERGUNTA: Visto que os obsessores sempre alcançam melhor os seus objetivos atuando sobre indivíduos que vibram em simpatia com as suas satisfações viciosas, quais os tipos humanos que eles acham mais adequados para conseguirem os seus intentos?

RAMATIS:                         Eles alcançam mais facilmente os seus fins quando encontram criaturas que, além de gosto acentuado pelos alcoólicos, ainda são avessas a qualquer disciplina evangélica. São estas as que mais facilmente se submetem aos obsessores, porque vivem emotivamente entregues às suas paixões, mal contendo os complexos e os recalques freudianos, que se transformam em peri­gosas energias que logo afloram sob os convites pecaminosos.

Dizemos “complexos e recalques freudianos”, porque é sob essa designação que muitos de vós conheceis os efeitos das condições cár­micas da humanidade terrena. Aqui, passam cegos pelas ruas citadi­nas a curtir na desventura das sombras o mau uso que fizeram da sua visão perfeita no passado; ali, alienados e imbecis a se moverem amargurando os prejuízos que causaram alhures na posse da razão normal; acolá, aleijados erguem os tocos de braços na mensagem dolorosa de terem subvertido a função digna, das mãos! Não estão curados de suas mazelas e vilanias do pretérito, mas já se discipli­nam sob a imposição benfeitora do Carma retificador.

Se Freud, ao examinar o “porão das inferioridades” das cria­turas humanas, tivesse sido mais exigente e ultrapassasse o berço do nascimento físico, é certo que não tardaria em catalogar nova messe de recalques e complexos pré-reencarnatórios, ocultos peri­gosamente e impedidos de se manifestarem ante a força disciplina­dora da Lei do Carma.

Quantos mendigos e doidos populares, de vossas cidades, vivem ainda no íntimo de suas almas o fausto dos palácios aristocrá­ticos e ouvem o eco de uma inteligência da qual, no passado, abusa­ram para seu exclusivo benefício! Curvados ao peso das vicissitudes e das humilhações do mundo carnal, eles passam ocultando sob os corpos lesados a alma tirânica, falaz ou debochada do pretérito! Quantas ex-baronesas do Império, agora travestidas de serventes, limpam vidraças e varrem os aposentos de seus antigos escravos, enquanto impiedosos capitães de mato e ex-fazendeiros cruéis movi­mentam-se com as mãos e os pés atrofiados, dos quais fizeram tão mau uso, castigando e perseguindo infelizes negros!

Isto posto, não vos será difícil compreender como efervesce ainda no imo do espírito terrícola o seu conteúdo subvertido, do passado, e mal disfarçado pela ética social do mundo. Por isso, quando os malfeitores desencarnados conseguem ativar e exumar paixões ocultas e ainda latentes nas criaturas, não lhes é muito difícil conseguir transformá-las em seus prolongamentos vivos, que na crosta terráquea devem vazar seus intentos viciosos.

Mas a sua argúcia e ação maligna contra as vulnerabilidades humanas não chegam a atingir aqueles que permanecem afeiçoa­dos aos ensinamentos do Evangelho do Cristo, cuja luz protetora dissolve todos os resíduos de sombras à superfície da aura dos que vigiam e oram.

Há casos em que os tentadores das Trevas vêem frustrados os seus propósitos tenebrosos de obterem um “caneco vivo”, visto que o socorro espiritual intervém por força do crédito que a pro­vável vítima ainda conta da sua vida passada ou, então, quando por Lei do Carma algum acidente benfeitor a imobiliza no leito ou mesmo a liberta da carne. Em outros casos, também ficam frus­trados os intentos obsessivos para o alcoolismo, se alguma comunidade religiosa ou espiritualista intervém e consegue modificar a tendência viciosa do candidato a “caneco vivo”

Os espíritos das Trevas, forçados a aceitar e reconhecer esses seus prejuízos e decepções, voltam-se furiosamente contra os homens e instituições que intervêm nos seus propósitos torpes. Então encetam campanhas de desmoralização ou de perseguição contra religiosos, médiuns ou doutrinadores que se propõem a liber­tar de suas garras os embriagados que se estão enfraquecendo em suas defesas espirituais.

 Do livro FISIOLOGIA DA ALMA

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