segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

Vídeo: as diferenças ritualísticas e a formação da consciência umbandista

  Ao observarmos o universo, o macrocosmo e o microcosmo que nos cercam, observamos que nada é igual. Constatamos que o Criador, o Pai-Mãe, Olurum, Zambi, Jeová, Deus, o Grande Incriado e o Único Eterno, não fez suas criações todas iguais. Não somos robôs com o mesmo programa existencial e a diversidade é inerente as almas.
       Inevitavelmente a umbanda nos educa para convivermos com as diferenças sem o ranço atávico religioso que trazemos em nossos inconscientes milenares ancorado na disposição psíquica de impormos igualdades ao outro. Os terreiros são educativos para aceitarmos a diversidade ritual e das consciências com muita harmonia e aceitação dos nossos irmãos semelhantes, numa fraternidade que convive pacificamente com as desigualdades.
       Impensável uma entidade militante no movimento umbandista exigir que se deva entrar nesta ou naquela religião, culto, igreja ou filosofia. Sempre partem da aceitação da fé do consulente e a partir daí o direcionam para o amor universal que se esparge em todas as formas de religiosidade existentes na Terra, levando-nos a despertar o sentimento crístico de dentro para fora em sua essência. As formas externas que amparam nossa relação de religiosidade no meio terreno nada mais são que escoras psicológicas transitórias para melhorarmos nossa compreensão do Divino, da nossa centelha espiritual e nos relacionarmos de maneira mais profícua com o Sagrado, expandindo a consciência no sentido que fazemos parte de uma gigantesca colcha de retalhos que está pacientemente sendo costurada para a nossa reintegração cósmica. Interiorizamos a umbanda no momento que nossos espíritos vibram integralmente o amor incondicional e ao não impormos que além de nossa religião, fé ou igreja não existe salvação.
        O universo é uma grande fraternidade, tendo no amor a igualdade que unifica e une os espíritos. Mesmo nas dimensões de vida em que a unidade cósmica prepondera, o êxtase espiritual sentido não significa igualdade entre as consciências que ali se encontram.
        Assim como os galhos das árvores são de todos os pássaros, as diferenças ritualísticas na umbanda se moldam a diversidade de consciências existentes e contribuem para a evolução coletiva, qual luz solar que clareia todos os telhados.
         A umbanda representa no microcosmo humano a força integradora do universo. A vibração dos orixás, aspectos diferenciados desta força integradora, ao convergir para ela, oferece um momento de unificação com o sagrado durante os seus cultos rituais, assim como se fôssemos peixes de um aquário que voltam ao oceano.
Texto: livro "Umbanda pé no chão - Ed. do Conhecimento 


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