terça-feira, 16 de novembro de 2010

Falando de exu

Laroyê exu
         Ouve-se muito falar das peculiaridades, aparências e linguagens dos exus. Porém, pouco se diz sobre a vibração energética exu separada de entidades espirituais que atuam enfeixados nela.     
        Objetivamente, todo o movimento no cosmo em suas diversas dimensões vibratórias é exu. Se não fosse exu o universo seria estático e não haveria evolução. Desde o nascimento de uma estrela, um orbe, o balanço das ondas do mar e das folhas em uma árvore tem incidência de exu. Exu não é a energia primordial que forma tudo, mas a faz se movimentar. Se assim não fosse, não teríamos os descensos vibratórios de espíritos para encarnarem, assim como também ao desencarnarem não conseguiríamos voltar para a dimensão astral, ficando “presos” na crosta. A própria coesão molecular planetária é originada do movimento de aglutinação que a vibração de exu propicia. Por isto se diz na umbanda que não existe orixá sem exu. Quando manipulamos qualquer elemento, como flores ou ervas para os orixás, na verdade quem transporta o fluído liberado é a vibração de exu. Se exu tudo equilibra, abre e fecha, faz descer e subir, seja na horizontal ou na vertical, quais são as tarefas e peculiaridades das entidades que labutam nesta vibratória?
       Primordialmente, podemos dizer que são guardiões do carma, do Eu Crístico de cada individualidade. Atuam muito próximo ao Criador pela aplicação da lei universal de causa e efeito. Assim, pertos d’Ele não são dualistas e se expressam em similitude ao Uno e não se prendem a julgamentos de certo ou errado, bem ou mal, milagre ou pecado, como nos impuseram no inconsciente por milênios de culpa as religiões judaico-cristãs. O que aparentemente pode ser um mal em nossa limitada avaliação, para uma entidade exu é o necessário para o re-encaminhamento de um filho à equidade de suas ações. Imaginemos que uma determinada pessoa não admite que seu esposo seja médium umbandista. Afora colocar seu nome em uma corrente de orações na igreja que freqüenta, arquiteta vir junto com o pastor e mais um grupo de obreiros até o terreiro fazer um “barraco” no dia da sessão em que seu esposo se encontra presente.  Ao sair de casa para ir de encontro aos demais, o exu guardião do médium em questão, autorizado pelo guia chefe do terreiro no astral, dá um “toque” em seus ouvidos fazendo-a ter uma crise de labirintite, o que a impede de concretizar suas intenções. Numa outra tentativa, novamente advém a crise de labirintite e o impedimento da esposa intrometida na opção religiosa do esposo. Alguns dirão: “nossa, isto é uma maldade”. Para exu, nada mais é do que aplicação da lei, dado que a nossa irmã não está respeitando o livre arbítrio do companheiro e individualmente premedita um escândalo perante uma coletividade. Perde assim todo o direito de ação e tem a lei universal de causa e efeito contra si, potencializada pelo interesse coletivo diante do egoísmo individual.
        Exu não tem pena e não se liga emocionalmente. Ele simplesmente cumpre a aplicação da lei que imputa a todos que somos nós os responsáveis pelos nossos atos, doa a quem doer. Numa escala maior, exu se apresentará afim em sua forma no meio que atuará. Se no meio feio e de baixa vibração, será denso e horripilante para impor respeito. Nos páramos celestiais, se iguala em beleza aos arcanjos como vemos nas imagens católicas. A cada um de acordo com a sua afinidade e a do meio que o cerca. Obviamente, se não houver merecimento para a atuação de exu, nada adianta pedir em contrário. Há que se comentar que os pedidos e oferendas para exu fazer o mal ao outro, arrumar namoradas, conseguir empregos, derrubar desafetos, trazer amor de volta, e tantas outras artimanhas desrespeitosas para com o livre arbítrio e merecimento do próximo, nada tem haver com os verdadeiros exus da umbanda. Pode até ter na fachada do terreiro o nome umbanda, mas aí o engambelo, o engodo e a mistificação se fazem presentes, pois o falso exu tripudia encima do verdadeiro se ancorando no imediatismo das pessoas que o invocam. Enquanto persistir este escambo do toma lá da cá, teremos falsos exus, assim como temos falsos caboclos, pretos velhos, ciganos,..., tal qual existem engenheiros corruptos, médicos que fazem aborto, advogados que aceitam propinas; em igualdade com os falsos encantadores de serpentes ao longo da história. 


E! Exu! Pisa no toco de um galho só...  Pisa no toco,  pisa no galho, galho balança, Exu não cai.  Ô Ganga!   
 
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