quinta-feira, 7 de outubro de 2010

Banho ritualístico pode ser placebo ritual


( estes texto faz parte do livro "Medinidade & Sacerdócio", no prelo pela Editora do Conhecimento. Mantenha os créditos ao transcrevê-lo respeitando o direito autoral )

As ervas e o reino vegetal são indispensáveis à sustentação dos seres vivos. Os vegetais retiram o prana – axé - da natureza, sendo potentes condensadores energéticos. Então, são importantes reservatórios do éter vital, axé das energias primárias oriunda dos quatro elementos planetários; ar, terra, água e fogo.
Os vegetais são utilizados para a nossa alimentação e para a magia – modificando suas energias vitais condensadas através de processos e rituais propiciatórios à sua extração: queima, maceração, infusão, fervura, outros.
Obviamente o melhor banho é o realizado diretamente junto à natureza no sítio vibratório do orixá e da energia que se busca. Diante da vida agitada dos tempos atuais e da absoluta falta de tempo e escassez financeira, cresceram em importância os banhos ritualísticos que reproduzem em escala menor as vibrações maiores da natureza.
Os banhos ritualísticos fazem parte de um ritual que objetiva a extração e troca energética intencional com a natureza, a fim de conseguirmos equilíbrio energético em nossos chacras com mais facilidade. Associados a elevação dos pensamentos e a uma conduta reta, os banhos servem para remover energias negativas, melhorando a recepção mediúnica pelo alinhamento e desobstrução dos chacras. Em contrário, feitos de forma mecânica, sem nos ligarmos mentalmente com as energias benfazejas da natureza e dos orixás, o que nos exige um comportamento prático de altruísmo, amor ao próximo, perdão das ofensas e total desinteresse pessoal no mediunismo, os banhos se tornarão sem efeito.
A fisiologia do banho se explica na contraparte etérica do corpo físico, mas conhecida como duplo etéreo. Os elementos materiais utilizados quando dispersos na água e jogados sobre os chacras repercutirão como se tivessem o efeito de uma explosão energética, impulsionando o prana, éter vital ou axé, num movimento de ascensão e descenso vibratório concomitantes, impactando no corpo astral e mental bem como nos chacras e finalmente no corpo físico.
Há que se comentar que os banhos não são indicados somente para os médiuns, tendo larga aplicação no campo da saúde e curas espirituais. Todavia, certos banhos de defesa e fixação energética se restringem aos que estão com suas mediunidades ativas na umbanda, devendo ser feito por quem entende e em local e rito específico com o objetivo que se almeja, especialmente os destinados ao fortalecimento da sensibilidade e tônus mediúnico.
Não ensinaremos como se faz os banhos por entendermos que a sua prescrição deva ser individual. Faremos somente uma conceituação básica de alguns tipos de banhos mais usuais:
- (1) banhos de descarrego; este tipo de banho talvez seja o mais conhecido. Tem como objetivo a descarga das energias negativas. Em nosso dia a dia passamos por locais e trocamos energias com várias pessoas. Predomina na coletividade os pensamentos pesados eivados de irritação e ansiedade. A egrégora que se forma nos locais de aglomeração humana favorece a criação de miasmas, larvas e vibriões astrais que pouco a pouco vão aderindo nos transeuntes e se alimentam de seus fluídos vitais. Mesmo em constante vigilância, a exposição diária a esta teia de pensamentos deletérios nos faz frágeis sendo impossível nos protegermos dado que em determinados momentos da rotina diária nosso padrão mental cai e abrimos a guarda. Os banhos de descarga ajudam a nos livrarmos destas energias negativas e basicamente são de dois tipos: banho de sal grosso e banho de descarrego com ervas;
- (1.1) banho de sal grosso
Bastante utilizado e de fácil realização. Feito de sal grosso marinho trata-se de ótimo condutor elétrico que descarrega os íons dos átomos com excesso de cargas negativas – ionizados. Atua no duplo etéreo tirando as energias negativas por um processo de desmagnetização.
Depois do banho de sal grosso, na verdade um banho de introdução, é importante se tomar outro banho ritualístico, pois foram descarregadas as energias negativas e positivas pelo sal grosso, podendo se ficar desenergizado, que só é conseguido com outro tipo de banho, desta vez de fixação e não de desimpregnação. Por isto não descrevemos como se faz os banhos e recomendamos muito critério de quem os toma. Não devemos banalizar e fazer todos os dias e nem os banhos substituem a reforma íntima, as boas intenções da alma que vem de dentro para fora; 
- (1.2) banho descarga com ervas
Trata-se de um banho mais elaborado e não tão popular como o de sal grosso. Seu efeito é mais duradouro embora não seja tão invasivo. Algumas ervas são dispersivas de fluídos e limpam a aura, desintegrando miasmas, larvas astrais e outras negatividades. Uma erva excelente para este tipo de banho é a folha do tabaco e na sua falta usa-se o fumo de rolo macerado; 
- (2) banho de defesa
Banho utilizado para proteção da integridade energética dos chacras. Serve como um escudo vibratório preservando estes transformadores de energia de certas emanações altamente nocivas, como a dos rituais de desmancho de feitiçarias e que exigem manifestações de espíritos sofredores presos nos despachos sanguinolentos de encruzilhadas ou em covas ao qual foram enterrados objetos de uma determinada pessoa objetivando sua doença.
Também é utilizado se tivermos que “meter a mão” em algum despacho que é feito em nossa porta de casa ou do terreiro, pois infelizmente isto ainda existe. Utilizamos também quando vamos por algum motivo visitar outro agrupamento mediúnico e não temos certeza de sua idoneidade. Lamentavelmente, muitos usam o nome da umbanda mercadejando a fé alheia, e tantos outros veladamente introduzem as imolações e sacrifícios animais para serem mais rápidos e “fortes” nos trabalhos visando atrair mais e mais consulentes e aumentar a arrecadação;
(3) banho de energização
Realizado após os banhos de descarrego restabelecendo o equilíbrio entre as cargas negativas e positivas dos átomos e moléculas etéricas componentes dos chacras. Recomendado em dias de trabalho mediúnico, especialmente nas sessões que o médium sente-se cansado ao seu término. Utiliza-se este banho independente de sermos médiuns ou não.
Indicamos um banho fácil de fazer e que pode ser tomado por qualquer um, não causando nenhum mal estar: pétalas de rosas brancas, amarelas ou vermelhas, alfazema e alecrim;
- (4) banho de fixação
Tem finalidade mediúnica e é velado, fechado ao público, fazendo parte de rituais internos de magia, iniciação ou consagração. Este banho é feito por orixá, com as ervas astro magnéticas afins com as suas sagradas energias e deve ser conduzido por quem é médium e sacerdote. Objetiva um contato límpido e profundo com os guias. Os chacras vibram em similaridade vibratória com o orixá em que o neófito está sendo iniciado ou consagrado para futuro sacerdócio dentro da umbanda, ficando sua mediunidade bem apurada para o ritual. Sendo as ervas manipuladas ligadas ao orixá regente do médium e por sua vez com os guias que o assistem, são prescritas por genuínos chefes de terreiro, médiuns magistas e de incorporação, que obtém verdadeira e profunda cobertura espiritual de quem entende do riscado: as entidades astrais da umbanda.
Procure, ao tomar seus banhos rituais, seja qual for a finalidade; ao acender sua vela ao seu "santo" de fé – orixá; ao comparecer à defumação e à sessão mediúnica; fazê-los atos antecedidos dos preceitos descritos a seguir, para que não se tornem "placebos" rituais, inócuos e sem repercussão em suas auras espirituais:
- preserva teu coração com o perdão incondicional como se diariamente tivesse pondo uma oferenda no altar divino, aos pés de Deus;
- o dever cumprido sustenta a harmonia espiritual. Nenhum equilíbrio espiritual se mantém se não cumprir suas obrigações para com seus semelhantes;
- antes de qualquer ato ritual que manipule elementos materiais, mantenha-se em oração. A prece sincera é luz que fortalece o corpo e a alma e a predispõe a receber energias superiores;
- não se deixe levar pelo excesso de trabalho e pela cobiça do ganho desmesurado. O descanso e o lazer são indispensáveis e as interferências das trevas se dão pelas horas ocupadas e vazias de sentido existencial;
- leia e estude ininterruptamente. O conhecimento é alimento do espírito e amplia o discernimento;
- não tenha ódio e não revide as ofensas. A cólera é própria dos entes animalizados e nos conduz as garras do baixo astral;
- não faça fofocas e não caia em maledicência. Quem revolve um lago turvo que não conhece pode se respingar de lodo;
- mantenha-se em contato com a natureza, ao menos quinze minutos por dia. Pode ser um breve olhar para uma flor ou pássaro na caminhada diária antes, durante ou após o almoço. Aprenda a desanuviar as tensões mentais;
- alimentação frugal é garantia de saúde e longevidade. Preferencialmente, afaste-se do carnivorismo, senão definitivamente, ao menos nos dias de sessão mediúnica e sempre que puder;
- use a paciência incansavelmente e não se irrite com facilidade. Deus e seus Enviados são pacienciosos conosco fazem milhões de anos, mesmo que destruamos as obras de suas criações como o fazemos com a natureza do planeta que nos aloja no Cosmo imensurável.
E, finalmente, uma diretriz final para a tua própria segurança; sempre que lidar com energias em atos ritualísticos nunca deseje mal seja a quem for e lembre-se de desejar ao outro o que gostaria que desejassem em teu benefício. O universo tem meios de se equilibrar que fogem ao nosso controle e a magia é vasto campo benfeitor se tivermos consciência das conseqüências de nossos atos mentais. Existe uma lei de retorno coletivo infinitamente maior que as pequenas e mesquinhas intenções das individualidades. 
Eu corri terra, Eu corri mar
até que cheguei no meu país
Ora viva Oxossi na mata
que a folha da mangueira ainda não caiu.
Caboclo não tem caminho para caminhar
Caboclo não tem caminho para caminhar
Caminha por cima da folha, por baixo da folha
Em todo lugar
Caminha por cima da folha, por baixo da folha
Em todo lugar
Okê Caboclo
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